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Novo ano, novo eu?!
Cumprir as famosas resoluções de ano-novo parece difícil... Damos uma forcinha para você chegar lá! por Lívia Cunha
Toda virada de ano a relações públicas Anna Muniz fazia resoluções de voltar a malhar. O objetivo, claro, era conquistar boa forma física e, de quebra, melhorar a saúde. Voltar a se matricular, ela até voltava. O problema mesmo era conseguir regularidade para a malhação. "Eu me cobrava muito por não conseguir cumprir a meta. Até cheguei a me matricular na academia e fiz cerca de cinco meses. Mas a correria do dia a dia não me deixava manter uma rotina. Daí, me sentia mal por não conseguir ir e por perder dinheiro", conta. Foram cinco anos assim, até que ela entendeu que havia alguma coisa errada. Não necessariamente com ela, mas com o plano. "A cada ano, eu mirava alguém como exemplo e achava que tinha de ser meu modo de me manter em forma. Tive de sofrer com isso até me conhecer o suficiente e perceber que a minha vibe é outra." Por isso, Anna decidiu neste ano relacionar o plano mais à qualidade de vida. "Nada de metas, a não ser não engordar." Assim como a Anna, muitas pessoas têm dificuldade de elaborar resoluções de ano-novo de acordo com seu estilo e cumpri-las. Especialmente quando voltam à rotina, depois do recesso. Às vezes o problema não é falta de força de vontade. Talvez seja só o plano não apropriado ou a hora errada de fazê-lo. Além disso, nosso corpo naturalmente tende a querer evitar mudanças, o que dificulta esse processo. Isso ocorre, pois desenvolvemos hábitos e padrões de comportamento que colocam nossas vidas no automático. Essa atitude [muitas vezes, inconsciente] cria uma "zona de conforto", da qual é difícil sair. "Todas as vezes em que temos de sair desta 'zona de conforto' sentimos medo, uma emoção que sinaliza que algo que valorizamos pode estar em risco", explica o psiquiatra Frederico Porto. Tendemos a sentir o "frio na barriga" mesmo quando sabemos que a mudança é boa. Essa reação é um alerta do corpo para que tenhamos cuidado. Não é só a mudança que assusta, mas também o processo de transição para se adaptar à nova situação. "Uma mudança começa com algo novo. A transição começa com o término do velho, com o fato de que a pessoa tem de abrir mão do passado. Os indivíduos resistem à transição e não à mudança em si", explica Porto. _driblando os contratempos Enquanto Anna Muniz fez esse balanço só após perceber que os planos não se concretizavam, a publicitária Maria Guimarães pensou no que queria da vida e elaborou poucas resoluções, que se tornaram metas. No ano passado, após a conclusão do curso de Publicidade e Propaganda em Vitória [ES], cumpriu a resolução feita na virada de 2008 para 2009: fazer a especialização que tanto queria em São Paulo. "Queria fazer a pós logo após a faculdade porque sabia que se entrasse no mercado de trabalho seria difícil desistir do salário e da construção da carreira em Vitória. Depois que se começa a ganhar dinheiro, é difícil desistir dele para ir para outro canto onde ninguém te conhece para não ganhar nada e gastar muito." Assim, a concretização do plano de Maria envolvia deixar a casa dos pais, se mudar para longe dos amigos, sair da zona de conforto, gastar muito dinheiro y otras cositas más. A determinação e o planejamento fizeram a diferença para que ele desse certo. "Meus pais ficaram meio assustados com o custo e minha mãe não queria que eu fosse embora, mas, no fim, não enfrentei muita resistência, porque eles sabiam que seria bem melhor pra mim", conta. _tem de riscar da lista Definir poucos [e representativos] planos ajuda na tarefa de cumpri-los ao longo do ano. Em vez de querer mudar de vida radicalmente, tente elaborar metas com planejamento, que façam essa mudança de vida aos poucos. Caso contrário, você corre o risco de cansar mesmo antes de sair do lugar.
Marina Marques - São Paulo - 13/01/2010 ~ 12:11
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