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E agora, José?

Um blog é apenas um blog e um jornal é apenas um jornal

por Caio Cesar
de Belo Horizonte

[12/10/2006]

Um dos argumentos que os críticos dos blogs costumam usar para diminuir sua importância no cenário da comunicação atual é o de que o conteúdo dos blogs, por ser essencialmente autoral, evoca um senso de que os blogs são pouco confiáveis. Colocado assim, dessa maneira, faz muito sentido. Entretanto, quem usa este argumento, normalmente não conhece o princípio OSSSSO*. E é aí que a coisa desanda.

Além de falar isso tudo dos blogs, os críticos continuam dizendo que os jornais, em oposição aos blogs, são confiáveis por terem três características básicas: 1) Serem editados; 2) Serem imparciais e; 3) Serem instrumentos de comunicação consolidados.
Bem, como disse, "é aí que a coisa desanda".

Primeiro porque os blogs também são editados. Não no sentido jornalístico puro da palavra, mas no sentido de que alguém decide o que vai aparecer alí ou não. Segundo porque a consolidação ou não de um blog depende de uma coisa bem bacana que não se confirma no jornalismo tradicional [e, também por isso que os blogs são tão legais]: enquanto no jornalismo tradicional você tem o poder financeiro ajudando - e muito - na consolidação de um instrumento de comunicação, um blog ganha notoriedade em virtude de seu conteúdo e da resposta de sua audiência.

Por último está o argumento que fecha minha idéia: jornais tradicionais não são imparciais e, o mais importante, blogs não existem para tentar substituir ou fazer frente ao jornal tradicional [muito embora esta façanha seja completada em virtude da fraca qualidade editorial de grande parte dos jornais tradicionais - por isso eu falei da questão da edição].

Junte A e B e você compreende o que quero dizer.

Os que não têm noção do que dizem, criticam os blogs porque estes não são jornais, mas acabam por apresentar notícias em seu conteúdo. Se isso é bom ou ruim, depende de quem observa, certo? E é por isso que os blogs são o que são: as pessoas escolhem com mais autoridade e com mais opções à disposição do que escolhem os jornais.

E mais: embora muitos blogs pautem os jornais tradicionais e tragam conteúdo com muito mais profundidade, estes não têm a pretensão de tomar o lugar do jornal tradicional. Talvez pelo fato de, se um dia isso acontecer, os blogs perderem o que têm de mais inovador: a independência e a interatividade.

Querem um exemplo do que eu acabo de falar? leiam este post de um blog de um jornalista sobre o conteúdo do caderno de automóveis de um portal jornalístico mineiro. O post nada tem a ver com o que eu acabo de argumentar mas, ainda assim, serve de exemplo. O jornalista - um dos mais talentosos que eu conheço - fala das mazelas de um jornal ser parcial e tendencioso.

O post ilustra, então, o meu argumento-chave, mesmo sem querer. Alguns jornalistas criticam os blogs por serem autorais e parciais; mas quem está nesta posição no exemplo em questão?

A conclusão que se tira não poderia ser outra: pare de encarar blogs como substitutos de jornais. Isso é delírio puro. E, por tudo o que acredita, pare de argumentar isso dizendo que jornais são imparciais, pois não o são.

Blogs merecem o destaque que têm porque eles carregam em seu formato o dinamismo e a liberdade [de leitura e publicação] que nenhum jornal tradicional jamais vai ter. Adicionalmente, são interativos em sua essência. Cabendo ao usuário [ou leitor] decidir se vai - ou não - ler com mais autoridade e liberdade de optar por diferentes fontes de leitura.

Ou seja, muito embora os donos de blogs - em sua maioria - não tenham a intenção de substituir os jornais tradicionais, estes acabam sendo escolhidos como fonte de informações por leitores que querem algo diferenciado [discutir / debater] e até como pauta para jornais tradicionais. Mas, em essência, blog não é jornal. E aquelas críticas citadas lá no começo da coluna não devem ser levadas adiante. Seria como comparar cogumelos e jacas.

*O princípio 'osssso' postula que "O Segredo do Sucesso é Saber Segurar a Onda".



Fernando Norte  -  Belo Horizonte  -  13/10/2006 ~ 09:16
Tem dois adendos: 1) Imparcialidade quando se trata de opiniões não existe. É quase impossível ter hoje um jornal imparcial, isso é balela. A Folha de SP é considerada a mais imparcial de todas, só pq na parte de Opinião coloca 2 versões parciais e adversas sobre um tema e tem um ombudsman que publica e explica as reclamações dos leitores. Por isso BLOGS são PARCIAIS, subjetivos, e DEVEM ser assim, porque o responsável é apenas o próprio autor. E vc disse ao tudo ao colocar que BLOGS não competem com jornais. Diria mais, eles COMPLEMENTAM os jornais, apontando desvios e acrescentando novos pontos de vistas sobre as notícias colocadas. 2) Jornalistas sempre tem o péssimo hábito de achar que apenas eles tem o direito de escrever sobre qualquer coisa, como se o restante do mundo fosse analfabeto ou incapaz de produzir algum texto.

Fábio Assis  -  Belo Horizonte  -  13/10/2006 ~ 16:21
Só para complementar esse texto do Caio, recomendo ouvir o Braincast #9 | Episódio 3: Quem matou os jornais? http://odeo.com/audio/1877048/view

 
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