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A visita que não quer ir embora

Remake de V – A Batalha Final chega à TV brasileira

por Alex Cunha
[30/03/2010]

“Ratinho, ratinho...”. Quem tem mais de 30 anos muito provavelmente tremeu com a entonação cruel dada a esta frase pelos alienígenas de V, a Batalha Final, transmitida no Brasil em formato de minissérie na década de 1980 e sua dublagem dramática. Os extraterrestres chegavam à Terra [leia-se Estados Unidos, como sempre] aparentemente cheios de boas intenções e, conforme a série avançava, o espectador ia descobrindo que por baixo daquela pele humana viviam lagartos asquerosos que comiam roedores no jantar. É bom lembrar que naquela época não havia a variedade de conteúdo da TV a cabo ou da internet, praticamente só se tinha acesso às novas séries que a Rede Globo decidia exibir. Então, cada nova ideia ou efeito especial inédito exibido nas séries de TV era motivo para suspiros e muita audiência. E “V” fez um grande sucesso por aqui.

A rede de TV ABC americana decidiu lucrar com o status de culto do seriado original e autorizou seu remake no ano passado. A heroína na nova versão é Elizabeth Mitchell, recém-saída de Lost [em que interpretou a heroica Juliet] e seu companheiro na missão para desmascarar os alienígenas é o padre Jack Landry [Joel Gretsch, de The 4400 e Taken]. Antes de começar as filmagens, o produtor Scott Peters primeiro entrevistou centenas de pessoas perguntando qual cena da série original era a mais inesquecível. Os entrevistados foram categóricos: as naves espaciais gigantes pairando por metrópoles americanas, os uniformes vermelhos, o hamster sendo devorado e o bebê alienígena. Com base em tudo isso, Peters não hesitou em prestar uma homenagem às cenas mais simbólicas da realização de 1984.

Realmente, a produção caprichou em alguns efeitos visuais. Desta vez, as naves "estacionam” nas principais cidades do mundo [incluindo o Rio de Janeiro, como mostra o wallpaper promocional acima, divulgado pela ABC], monstruosas, com design um tanto orgânico e que também funcionam como gigantescas telas onde a líder alienígena Ana [Morena Baccarin] faz seus pronunciamentos. Na base mais jovem do elenco estão Laura Vandervoort [a Supergirl de Smallville] e Logan Huffman [praticamente desconhecido], ela alienígena e ele filho da protagonista. Uma das coisas que mais impressiona quando analisamos o elenco de V é como ele foi escolhido a dedo, provavelmente tendo como requisito principal a experiência prévia em séries de ficção.

Tudo muito bom, muito bonito. Mas, apesar de ter um episódio piloto de tirar o fôlego, o fato é que V não empolga, não decola, não cria o suspense necessário para deixar o espectador curioso e desejando assistir ao próximo episódio. Talvez a causa seja o roteiro confuso, que se perde nas histórias paralelas e no excesso de personagens. O elenco também não ajuda. Muito embora seja composto por atores experientes no gênero, não se percebe entrosamento entre eles e, além disso, há alguns graves erros de continuidade. Tudo isso contribui para que o espectador sinta-se um pouco enganado e desrespeitado. 

Os primeiros quatro episódios de V foram ao ar nos Estados Unidos no mês de novembro, tiraram longas férias e retornam só nesta terça-feira à noite [30/03] para o quinto capítulo. A estreia brasileira acontece dia 6 de abril, no Warnel Channel.



 
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