Uma matéria do G1 falava sobre o 'novo' horário de rush em São Paulo. Claro que muitas pessoas já haviam percebido isso, já que é a saída dos estudantes, e pegar um ônibus ou metrô depois das 22h não é garantia de estar vazio. Eu mesmo, inclusive, já vi ônibus lotado quase meia noite, quando tem mais gente na rua do que coletivo. O que achei realmente engraçado disso é que não é apenas um 'novo horário' de rush. Ele já estava incluído antes.
Sair de carro em São Paulo, não existe mais "sem trânsito". Das 7h às 0h, você pega congestionamento. Outro dia, voltando da Zona Sul, vi diversos carros parados na Marginal Pinheiros. Era 1h da madrugada. Eu e minha esposa estávamos cansados e, por sorte, consegui sair antes do entruncamento. Na pista local, um aviso que a expressa estava em reforma. Mas já aconteceu d'eu ficar parado quase uma hora na Marginal Pinheiros, às duas da manhã, sem ter o que fazer.
"Poxa, eles podiam deixar pra fazer isso às 18h, quando já está tudo parado mesmo", brinquei com minha esposa, mas é um sentimento que bate, real. Desde que comecei a dirigir, a Rebouças nunca foi alternativa para mim. Prefiro pegar outros caminhos, mais tortuosos às vezes, do que pegar a Rebouças. É outra via, além da Margina Pinheiros, onde já peguei trânsito às 0h, 1h, 2h e até três da manhã. Não há ser humano que agüente. Por isso continuo convicto em não possuir um carro. O horário de rush castiga demais.
Tem o pessoal que chega no trabalho cedo, 7h – 7h30 e tem esse rush. Aí tem o rush de quem chega 9h e o pessoal com um horário mais flexível, que chega entre 10h e 11h, mas já está quase na hora do almoço, e muita gente sai de carro pra comer, então das 12h às 15h, tem rush. Acho que das 15h – 17h é o único horário sem motivo aparente para congestionamento ainda, já que pouco antes das 18h tem gente saindo e isso vai até 20h, quando tem o pessoal da faculdade, indo e vindo. 0h a cidade dá uma acalmada e você não pega mais trânsito. Isso, claro, se você não der a sorte de pegar a Marginal Pinheiros, na volta pra casa. Ou a Rebouças.
*Gabriel Louback é jornalista e pensa em ter uma moto.