Sabia que aquele seria mais um encontro de amenidades. Nada de mais profundo seria falado, quiçá pensado. Não sabia porque sempre comparecia. Ao final da noite, aquela mesma sensação bestial a invadia. Ele falando sem parar, discutindo frivolidades, distanciando-se de qualquer realidade. O que valia era mesmo divagar. Ele sequer percebia que na maioria dos momentos estava inserido em um monólogo. Nem mesmo os olhos distantes, os bocejos e os lampejos de sono dela o faziam mudar. Após o jantar, que durava exatas três horas por conta da verve prolixa do companheiro, ela voltava, só, para casa. E assim ficava até a próxima sexta quando, mais uma vez, se encontrariam. Nenhum telefonema durante a semana, nenhum chamado extraordinário. Nada de rompantes, não havia inesperado. O planejado reinava absoluto. E eram sim, namorados. Desde o começo ele explicara que precisava de rotina. Não podia com vida desregrada, apaixonada. Precisava de uma namorada que não o sufocasse, que o libertasse. Que mantivesse um relacionamento leve, sem cobranças. E assim se passaram quase cinco anos. Ela naquela agonia de que sexta-feira parecia todo dia. E que todo dia, na sexta desaparecia.
Elisandro - San Francisco, Ca. - 11/06/2004 ~ 18:42
Fala RÊ!!! Parabéns pelo trabalho!!!
1 Bjim e 1 pequi!

Vinícius - Ipatinga - 19/06/2004 ~ 15:41
Como sempre, muito bom.!!!
Estou com saudades!
Um forte abraço!!!
