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Vida de cão

Vivendo com estilo - os dogs da capital do mundo

por Monica Mello
de Nova York

[12/10/2004]

Aquela velha expressão de quem está reclamando da vida, "que vida de cão" não funciona bem aqui por Nova York. Na Big Apple, a vida canina significa exatamente o contrário, muita mordomia, pouca miséria e bastante opções de lazer.

Estudantes que vêm de longe, pessoas que deixaram sua cidade para tentar a sorte na cidade grande e muitos imigrantes, transformam NY em uma cidade de pessoas muito solitárias, que acabam vendo nos animais de estimação uma maneira de amenizar essa solidão. Eles acabam sendo tratados como filhos e os serviços nessa área não param de crescer.

Além dos milhares de pet shops comuns, os cães podem contar com vários hotéis especializados que facilitam a vida de seus donos quando esses precisam viajar. A diária varia entre $30 e $60 dólares, com passeios diários e comida inclusos. Alguns oferecem até serviço de webcam para que os donos possam acompanhar de longe a estadia do seu animalzinho. Devido a falta de tempo dos donos e o pouco espaço nos apartamentos em Manhattan, o Day Care se tornou um serviço bastante popular. Funciona como uma creche, onde você deixa o cachorro pela manhã e pega no final do dia. Lá o cão vai se exercitar, passear na rua, se socializar com outros cachorros e alguns oferecem até sessão de natação. É engraçado reparar que a educação dos cães daqui é bem diferente do Brasil. Eles são levados mais a sério, tanto pela lei como pelos donos, que sempre são muito firmes ao ensinar como eles devem se comportar. Desde pequenos são socializados e educados a conviver harmoniosamente com os outros cães. Sempre vejo os proprietários repreendendo incisivamente o seu cão quando este se comporta de maneira agressiva ao cruzar na rua com algum outro amiguinho.

Os dog runs já estão incorporados na cidade. São parques desenvolvidos exclusivamente para o lazer canino. São 24 no total, cada um coordenado por pessoas da própria comunidade e com suas próprias regras. Cães que são agressivos e que não são castrados não devem de maneira alguma frequentar os locais, essa é a lei básica. Na famosa festa de Halloween nem eles ficam para trás. Se encontram com suas fantasias no Dog Run da Union Square todos os anos. Não posso esquecer de mencionar a praia para cães, a famosa Dog Beach no Prospect Park do Brooklyn. Funciona durante todo o verão é o maior sucesso, mas a regra é bem clara: somente cães podem entrar na água. Depois de muito brincar e correr, os cães sedentos ainda contam com bebedouros especiais para sua espécie espalhados pelos parques, sempre ao lado dos que são utilizados pelos humanos (foto).

Essa indústria cria vários empregos, como os Dog Walkers, que são pessoas que trabalham passeando com os cães diariamente pelas ruas da cidade. Normalmente levam vários ao mesmo tempo e ganham em torno de U$10,00 por hora por cada um. Alguns trabalham por conta própria mas muitos são empregados dos principais pet shops da cidade. A última novidade no setor é a revista The New York Dog que seria uma espécie de Vogue do mundo canino. A revista, cuja assinatura anual custa US$24.00, aborda tudo o que a cidade oferece para eles, do mais básico ao mais sofisticado, como roupas de marca, suítes presidenciais em hotéis – que contam com um lugar especial para os bichinhos, as última tendências de moda, entre muitos outros. Em Nova York os cães são bem-vindos em muitos lugares e é bem comum vê-los acompanhando seus donos dentro de lojas, alguns restaurantes, bancos, hotéis, supermercados e etc...

Para gerenciar toda a galerinha, algumas leis precisam ser aplicadas, como limpar a sujeira que eles fazem na rua. A multa para quem não colaborar é de US$100. Existe também a ASPCA que é uma entidade de proteção aos animais que conta com policiais especializados para investigar casos de maltratos e quem for autuado pode ser julgado e ir parar atrás das grades. Como vocês podem ver, Nova York, além de ser a capital do mundo, é também a capital dos cães. Mordomia pouca é bobagem.



Suellen  -  Cosmópolis- Brasil  -  16/10/2004 ~ 11:48
Oi, Mônica, tdb ? Eu acho muito fofo, essas coisas de cão, tenho um branco, que costumo dizer que ele é o Dalmata Albino rsrrsrsrs, como eu ainda não sai do país, é legal saber como as coisas funcionam por ai, muito interessante:" Bebedouro para cães". B-jus

Bruno Coutinho  -  Da Redação.  -  06/12/2005 ~ 10:52
Eu quero ser Dog Walker e ficar rico ganhando 10 dolares a hora. :p Fato, essa solidão devido à grande quantidade de pessoas e diferenças culturais faz abusca leva à busca por um companheiro doméstico..eu ia querer um labrador pra passear com ele nos dog runs da vida :)

Giovanna  -  Santos  -  27/12/2005 ~ 21:36
Alguns cães no mundo de hoje são praticamente como filhos mimados por pais - roupinhas, sapato, gravatinha de cá, lacinho de lá. Tá, é uma gracinha, não podemos negar, mas há exageros, hehe. Beijo.

 
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