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O mundo conhecerá Robinho

Aproveitemos até o meio do ano, enquanto o craque ainda é "100% nacional"

por Fábio Matos
de São Paulo
[02/03/2005]

Não foram poucas as vozes que se apressaram a qualificar Robinho (foto em destaque, cujo crédito é de Djalma Vassão) como fenômeno passageiro, firuleiro sem objetividade ou eterna promessa que dificilmente vingaria. Após a conquista do primeiro título brasileiro com o Santos, em 2002, suas peculiares pedaladas que deixaram o volante corintiano Rogério atordoado na decisão disputada no Morumbi tornaram o jovem atacante do Peixe figura nacional. Com o sucesso, chegaram as críticas e a queda natural no ano seguinte.

Mas não dizem que são os momentos de baixa que permitem distingüir os comuns dos gênios? Pois Robinho está na segunda categoria, como comprovou a impressionante evolução na qualidade de seu futebol desde então. Em 2003, apesar de não ter conquistado nenhum título com o time da Vila Belmiro e de ter perdido seu primeiro duelo particular com o argentino Carlitos Tevez na final da Libertadores (venceu o duelo seguinte, com sobras, nos 3 a 0 do Santos sobre o Corinthians há duas semanas), Robinho amadureceu e se transformou no mais talentoso jogador que passou pelo Peixe no período pós-Pelé. 

Em 2004, após a frustração pela perda da vaga nos Jogos Olímpicos de Atenas, o novamente questionado Robinho parecia disposto a dar um basta nos que ainda ousavam, embora mais timidamente, a duvidar de sua capacidade. E o fez, em grande estilo, com autoridade de melhor jogador do Campeonato Brasileiro, uma mão suada na taça que coroou mais uma conquista do Santos e outra na tradiconal Bola de Ouro concedida pela revista Placar. Tudo isso diante do caos: na reta final da competição, em meio a uma dramática disputa pelo título com o bem armado Atlético/PR, Robinho deixou os campos para se preocupar com o seqüestro de sua mãe - felizmente resolvido a tempo de o jogador participar da última rodada, a festa do título, nos 2 a 1 contra o Vasco, em São José do Rio Preto. 

Pois a sensação de que o encanto em gramados tupiniquins está mesmo prestes a se acabar é cada vez mais intensa. As declarações do italiano Arrigo Sacchi, gerente de futebol do Real Madrid, ao diário espanhol Marca, há cerca de três semanas - praticamente confirmando o acerto entre o clube madrileno e Robinho para a temporada européia de 2005/2006 - sepultam o sonho do torcedor brasileiro de ser brindado com a categoria do craque por muito mais tempo. A partir de agora, somos obrigados a acompanhar seus lances mágicos de olho no calendário. A presença de Robinho no futebol brasileiro tem prazo de validade, conseqüência da administração parca de nossos clubes e da crise monstro que deixa o futebol pentacampeão do mundo com o pires na mão.

Após o discurso de Sacchi, "patrão" de Wanderley Luxemburgo no time "galáctico", até que a diretoria santista capitaneada pelo presidente Marcelo Teixeira tratou de encenar um teatrinho fajuto. Teixeira garantiu o interesse em ficar com o jogador após a disputa da Libertadores e chegou a lançar na imprensa o boato de que a Nestlé poderia bancar Robinho no Santos até 2007 - informação descabida desmentida pela própria empresa dias depois.

Fato é que o torcedor santista até pode se considerar "privilegiado" - vejam em que mundo estamos! - por ter visto Robinho como seu camisa 7 por três temporadas. Trata-se de fenômeno cada vez mais raro no país da bola, celeiro de jogadores acima da média que logo (logo mesmo, um ou dois anos depois de "explodirem") despertam interesse dos europeus e são vendidos a preço de banana pelos cartolas locais. Afinal, quanto será pago pelo Real por Robinho, se Tevez deixou o Boca por R$ 60 milhões ao Corinthians? Sequer é possível estimar, tamanho seu futebol.

E querem saber? Faz bem Robinho em nos deixar, não por qualquer requinte de crueldade ou por "traição à pátria", mas por respeito a seu futuro profissional e à qualidade de vida que todo ser humano busca. Na Espanha, será reconhecido como estrela mundial, candidato a destaque da Copa da Alemanha de 2006, à Bola de Ouro da Fifa nas próximas temporadas e, de quebra, não terá por que se preocupar com a segurança de sua mãe.

Comandado por Luxemburgo, com quem se entendeu tão bem durante um ano na Vila, e sob os holofotes do futebol mais rico do planeta, a trajetória de Robinho dá pinta de que o melhor, se é que isso é ainda possível, está por vir. De nossa parte, o melhor a se fazer, acreditem, é relaxar e deixar um pouco as lamentações de lado. Aproveitemos enquanto é tempo. Ao campo.       



Rachel  -  04/03/2005 ~ 00:44
É Fábio...São coisas do futebol... O que nos resta é torcer pra que mais Robinhos apareçam por aí pra deixar o nosso futebol ainda mais bonito.

 
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