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Olhar assexuado

O problema de Sarah

por Erick Vasconcelos
[29/04/2005]

Quando me deixaram escrever na Revista Paradoxo, achei de bom tom lê-la, já que nunca tinha feito isso. Na capa havia uma entrevista com Ferréz, mas não achei que seria um bom começo para mim na revista. Primeiro por causa dos óculos horríveis que ele usa. Eu, instintivamente, ao ver a foto de Ferréz, fecharia a janela e não leria nada.  Também pelo fato de Ferréz ser marginal demais para mim. Creio que não estou preparado para tanta marginalidade. Achei melhor ler um artigo sobre o velório do Papa João Paulo II, mas parei quando o articulista usou a expressão "modelo consumista ocidentalizado". Poxa, eu gosto tanto do modelo consumista ocidentalizado, não quero que fiquem falando pelas costas do pobrezinho. E, inclusive, não tenho preconceito contra o modelo consumista orientalizado, se é que ele existe. Gostaria que todos os modelos consumistas vivessem juntinhos, em harmonia.

Na seção de colunas da revista, chamou minha atenção a descrição da coluna da Sarah Bergamasco: "Minha missão é revelar um olhar novo e feminino sobre as questões mais inusitadas." Gostaria de dizer às mulheres para pararem de querer lançar olhares  femininos sobre tudo. Façam como eu, lancem olhares assexuados sobre algum assunto clichê, às vezes. Transformem-se mentalmente numa alface e falem, digamos, sobre economia. Noto que as alfaces não fazem ação afirmativa de gênero, um exemplo muito digno que deveria ser seguido pelas mulheres.

Esclareço que não tenho nada contra os olhares femininos, acho-os muito bonitos e elegantes (sou particularmente atraído por cílios bem feitos), mas pretendo evitar que as mulheres usem seu olhar assim, a esmo, para não vulgarizá-lo.

***

Não quero que pensem que escrevi essa coluna falando mal da Sarah Bergamasco somente para aparecer. É claro que foi somente para aparecer, mas eu não quero que pensem isso, quero que pensem que foi por algum motivo nobre. Pensem que foi pela valorização do sexo feminino, pela paz mundial ou algo igualmente vergonhoso. Só espero que vocês não fiquem falando coisas desagradáveis a meu respeito por aí, como que eu não tenho respeito por ninguém, ou que só escrevo esses absurdos para chamar atenção, porque ninguém gosta de ficar ouvindo obviedades.



Flávio  -  São Paulo  -  29/04/2005 ~ 01:30
Querido colunista esse texto realmente parece ter vindo das entranhas, da alma do ser humano, todos devem ter se identificado , por isso ficou tão bom, às vezes as pessoas nestes estágios (estado de depressão) , costumam fechar-se e tornando-se egoístas por não compartilharem, não falarem , não querem se expor mais ainda a outros seres e acabam mesmo tornando tudo pior sendo que se conseguissem dividir as frustrações , contrariedades sendo sinceros, acredito que tudo se tornaria mais leve fosse o que fosse os motivos , apesar de que às vezes nem motivos definidos temos. O que quero dizer é que quanto mais nos fecharmos acredito que mais sofreremos. Concorda?

Kid  -  Oshawa  -  29/04/2005 ~ 12:31
Esse é meu garoto :~

Samanta  -  Sete Lagoas  -  30/04/2005 ~ 15:24
Sabia que um dia me orgulharia do papai!

Erik  -  Rio de Janeiro  -  30/04/2005 ~ 15:36
Erick Vasconcelos, sempre fui seu fã, desde aquela época que éramos apenas garotinhos em Batatópolis/RN e a galerinha combinava de ir pro baile da 5ª série pegar menininhas... E você não ia porque ficava escrevendo artigos. Então, cara... Você realmente chegou em algum lugar, desculpe te chamar de frutinha em 92... Boa sorte, rapaz!

Fernando Henrique  -  São josé do Rio Preto  -  02/05/2005 ~ 12:08
Desculpe, mas vou lançar um olhar macho "sobre" você. "Sobre" com aspas, e não "sob".

Babi  -  São Paulo  -  02/05/2005 ~ 19:42
Poxa. Meus amigos estão ficando famosos.

Alexandre  -  São Paulo  -  03/05/2005 ~ 08:28
Muito, muito bom.

P.A.  -  03/05/2005 ~ 15:36
E vai entender a verborrogia desse menino? Quase chorei a ler seu artigo caro Frost, digo quase porque sou insensível, e não consigo me emocionar com banalidades. Não que seu texto seja banal nem nada, aliás talvez seja um pouquinho de seu texto nada mesmo.

X  -  03/05/2005 ~ 18:01
Ah, Sarah Bergamasco! Eu não deixava...

Meiry  -  Búzios  -  04/05/2005 ~ 13:09
Por que um ~(til) separa a data da hora? O.O Só pra não esquecer... fico legal o artigo.

Redação  -  Paradoxo  -  04/05/2005 ~ 17:46
Oi Meiry, o "til" é porque achamos bonitinho.

Meiry  -  Búzios  -  04/05/2005 ~ 21:54
E por que não: "nome ~ cidade ~ data ~ hora"? hmmm... esquece não precisa responder, ia ficar muito gay.

Rebequi  -  Vila Velha  -  05/05/2005 ~ 03:19
Certos momentos me surpreendo com minha inteligência invertida. Demorei alguns segundos que não contabilizei para enxergar a piada da Meiry, que aliás está de parabéns, pois foi observadora um bocado. Amigo Erick, parabéns pelo seu posto! Tenho que escrever formal aqui? Preciso dizer que foi um ótimo artigo? (mesmo não conhecendo profundamente do que se estava tratando, me identifiquei com as idéias!)

Fernando  -  Campinas  -  08/05/2005 ~ 12:17
A alface não pensa, logo, não existe.

RAC  -  Rio de Janeiro  -  14/05/2005 ~ 02:15
Confesso: Qdo vejo um olhar feminino desses, fico excitado.

Sarah  -  Da Redação  -  03/07/2005 ~ 12:35
Vou tentar trocar meu olhar feminino pelo o da alfacinha. Deve ser mais charmoso.

 
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