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O impulso do furto

A cleptomania é uma doença ainda desconhecida por grande parte das pessoas

por Sylvia Salles
[16/05/2005]

A cleptomania é um distúrbio encarado com muito preconceito, talvez pela sua rara incidência. O termo vem do grego, e significa "mania de roubar". Mas nem todo caso de furto se enquadra em casos da doença. Estudos feitos com ladrões de lojas sugerem que somente uma pequena parcela de 1% a 5% representa casos verdadeiros de cleptomania.

 

O transtorno é caracterizado pela não-possibilidade repetida de resistir aos impulsos de se apropriar do objeto, mesmo que desnecessários ou sem valor monetário, de outras pessoas. Esses não são furtados por seu valor ou utilidade, pois o cleptomaníaco pode jogá-los fora, dá-los ou guardá-los. O furto não é cometido para expressar raiva ou vingança.

 

“Os cleptomaníacos sentem culpa, prazer, satisfação e perturbação em toda a sua trajetória para pegar algum objeto da casa de alguém, do supermercado, da farmácia... O que importa para ele é o prazer de tê-lo em mãos e ninguém perceber o que está acontecendo. Depois, eles não sabem o que fazer com o objeto furtado. A culpa e as perturbações nervosas aparecem e ele se sente impotente diante do ocorrido”, garante o psiquiatra e neurologista João Félix.

 

Desconhecimento

Na novela global das 20 horas, América, a atriz Christiane Torloni interpreta Haydée, a atormentada mulher do empresário Glauco (Edson Celulari). Segundo a atriz, para compor a personagem, que sofre da doença, ela fez laboratório em duas clínicas, conversou com psiquiatras e leu depoimentos de cleptomaníacos. "Não pude falar com ninguém porque os pacientes têm muita vergonha de admitir um problema como esse", diz.

 

A psicóloga e terapeuta Luisa Moreira, garante que na minoria dos casos, o furto é realizado por um cleptomaníaco. “Muitas pessoas acreditam que o outro furta porque não tem vergonha na cara. A verdade é que a cleptomania pertence à categoria dos transtornos do controle dos impulsos, junto com jogo patológico, vício com jogos de azar e apostas”.

 

Dessa forma, um dos maiores problemas é o reconhecimento da doença pelo paciente e por aqueles que estão a sua volta. Geralmente, as pessoas afetadas por esse problema possuem outros distúrbios, tais como transtornos de personalidade anti-social – o chamado sociopata –, episódio maníaco do transtorno afetivo bipolar, esquizofrenia, ou anorexia e bulimia nervosas.

 

Se for constatado algum distúrbio como depressão ou esquizofrenia, será necessário o uso de medicamentos para o tratamento psiquiátrico. Assim, a cleptomania será apenas um sintoma característico, que poderá ser tratado a partir de psicoterapia, arteterapia, algo que ocupe a mente do paciente para que ele não tenha vontade de furtar nem se sinta depressivo.



Julio  -  Rio de Janeiro  -  18/05/2005 ~ 23:15
Esse negócio de cleptomania não existe. É uma tentativa de patologizar o comportamento criminoso das classes abastadas para que continuem fazendo os pequenos furtos que podem redundar em grandes trambiques no futuro. É mais "bonito" falar que fulano que tem grana é cleptomaniaco e dizer que é doença do que acusar de furto e enquadrar o sujeito. Cleptomania está na linha de "Pobre quando faz loucura é maluco, rico quando faz loucura é excentrico". Dizer que é cleptomaniaco é apenas justificar com uma patologia a vontade de se apossar das coisas dos outros, de lesar o proximo.

 
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