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'As boas histórias nunca vão acabar'

Escritor baiano reúne amigos e cria a sua “banda de rock literária”

por Rafael Rodrigues
[06/06/2005]

Um grupo de autores que queriam publicar seus próprios livros. Foi com essa idéia que Patrick Brock (foto) e Wladimir Cazé se juntaram para fundar as Edições K. Além deles, outros dois se uniram à empreitada ainda no começo. “Escrevíamos e víamos os amigos se dando bem, lançando livros. Os zines resultaram nas Edições K pelo contato frutífero com figuras como Marcelo Benvenutti”, comenta Brock. “Ele foi a primeira adição (ao projeto), pois já na época tinha vários livros não publicados e iniciava suas experiências com o ‘Livro laranja’, sem ISBN, punk, do tipo ‘faça você mesmo’. Depois surgiu Delfin, e sua experiência no mercado editorial, e a coisa fechou nos quatro”, conta.

 

Consolidando-se na cena literária, hoje as Edições K já não precisam abrir a temporada de caça a novos escritores.“Não imaginávamos que as Edições K tomariam a dimensão que tomou, mas acredito que o projeto é um atrativo à parte”, analisa Patrick. “A gente só queria publicar os nossos livros. Hoje não buscamos mais o simples publicar, mas a difusão de cultura para um público novo, que não está nas prateleiras mofadas das academias e quer algo mais pessoal, um contato direto, sem idolatria”. Patrick afirma ainda que a editora pode até ceder um pouco às estruturas da sociedade, mas pretende manter a proposta de difundir cultura alternativa, cuja comercialização.é difícil no País.

 

Novidades

Para serem lançados em junho, as Edições K estão a preparar os livros Dizer adeus, de Mayrant Gallo, O som de nada acontecendo, de Estevão Azevedo, Microafetos, de Wladimir Cazé, Teatro das horas, de André Setti e Manual do fantasma amador, de Marcelo Benvenutti.

 

Abrindo caminho para esta temporada de lançamentos está Textorama, segundo livro de Patrick Brock, escritor e jornalista portoalegrense, radicado na Bahia. Após o lançamento em Salvador, no mês de abril, o escritor colocou o pé na estrada e está percorrendo desde o dia 10 de maio algumas cidades do Brasil, como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba e Caxias do Sul, para divulgar seu volume de contos.

 

O livro foi escrito entre 2000 e 2004 e é composto de 14 contos e uma novela. “Escrevo sobre muitas coisas, mas a ação, o sexo e a violência sempre me impressionaram. Eu gosto de histórias que proporcionem uma leitura fácil e ao mesmo tempo levem à reflexão”, conta Patrick, sobre seu estilo de escrita. “Vivemos num tempo em que muita coisa já foi feita, mas tudo isso pode servir de insumo para criações novas. Quero no próximo livro abordar temas diferentes, me livrar do "sujo", do romance negro. Rubem Fonseca demais numa determinada fase da minha vida”, observa.



 
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