A 15ª edição do Cine Ceará começou trazendo muita polêmica. Em seu discurso na abertura do festival, dia 3 de maio, o cineasta cearense Wolney de Oliveira anunciou a preparação de um documento defendendo a política de descentralização de verbas do Ministério da Cultura. O próximo passo será colher assinaturas dos profissionais do Norte e Nordeste para apresentar o documento aos ministros da Casa Civil, José Dirceu, da Fazenda, Antonio Palocci e da Cultura Gilberto Gil.
Será uma resposta ao que ele chama de “articulação de bastidores do ’cinemão’ do eixo Rio-São Paulo” para abocanhar as verbas das empresas estatais, entre elas, a Petrobrás, a maior investidora no cinema brasileiro. A mobilização de Oliveira ganhou impulso após a reunião que o ministro José Dirceu teve, na semana passada, com o produtor Luiz Carlos Barreto, o exibidor Luiz Severiano Ribeiro, o presidente da Sicesp (Sindicato das Indústrias do Cinema do Estado de São Paulo), André Sturm, e os cineastas Roberto Faria e Paulo Thiago. O grupo pediu o encontro com o ministro para dizer que a “pulverização de recursos destinados ao cinema pelas empresas estatais prejudica a atividade”.
O documento elogiará a política de descentralização de verbas do Ministério da Cultura, sendo uma resposta direta ao cinema feito no eixo Rio-São Paulo que, segundo Wolney, tem mais facilidades para obtenção de recursos na produção de seus filmes. O documento já tem como signatários a ABD (Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas) e a APCNN (Associação dos Produtores e Cineastas do Norte-Nordeste).
Nas telas
Polêmicas a parte, a edição de 2005 do festival Cine Ceará exibiu, em sua abertura, os documentários Brilhante, da atriz e diretora Conceição Senna, e O Homem pode Voar, de Nelson Hoineff, ambos fora da mostra competitiva. No próximo dia 7 de maio será conhecido o vencedor do festival que, este ano, teve 31 longas inscritos. Destes, sete foram selecionados - sendo quatro documentários - para receber o troféu Eusébio Oliveira, um dos idealizadores do festival ao lado de Francis Vale.
Os concorrentes são Moacir, Arte Bruta (Walter Carvalho, RJ), A Marca do Terrir (Ivan Cardoso, RJ), A Pessoa é para o que Nasce (Roberto Berliner, RJ), Seo Chico, Um Retrato (Jose Rafael Mamigonian, SC), Quanto vale, ou é Por Quilo? (Sergio Bianchi, SP), Por 30 Dinheiros (Vânia Perazzo e Ivan Hlebarov, PB) e Bens Confiscados (Carlos Reichenbach, SP). Quanto à mostra competitiva de curta-metragens é dividida em duas categorias – filme e vídeo. São quatorze filmes concorrendo na categoria 35mm e quatro em 16mm além de mais treze filmes de vídeo que competem paralelamente.
Além da mostra competitiva, acontecem as retrospectivas dedicadas ao cineasta Martín Rejtman, considerado o pai do novo cinema argentino; Emílio “indio” Fernadez, que difundiu mundialmente os ícones da cultura mexicana e Rosemberg Cariri, diretor de, entre outros, Corisco & Dada e Caldeirão da Santa Cruz do Deserto. Estão sendo apresentadas ainda as mostras Cine Ceará com filme produzidos no estado e Olhar do Ceará que exibirá todos os filmes cearenses escritos no festival e não selecionados na Mostra Competitiva. No cine São Luiz, no centro de Fortaleza, acontece a mostra Da Melhor Idade destinada à terceira idade sempre no período matutino com a exibição do clássico da chanchada Alô Alô Carnaval, dirigido em 1936 por Adhemar Gonzaga.