_participe!
 

cinema  |  comportamento  |  geral  |  literatura  | moda  |   música  |  tv viagem  || blog do editor  |  colunas  |  expediente

 
Venezuela x EUA

O petróleo é a principal causa do atrito entre os dois países

por Hélen Xavier
[12/06/2005]

De um lado, o companheiro de Fidel Castro, perigo para a estabilidade da América Latina. De outro, um país imperialista com interesse nas riquezas do sul do continente americano. Desde 1998, com a subida de Hugo Chávez ao poder, críticas e acusações dominam a relação entre a Venezuela e os Estados Unidos. A divergência entre os dois países não se encontra apenas no campo do discurso. Interesses econômicos são importantes fatores que conduzem o rumo dessa relação.

 

A mais recente divergência diplomática entre Venezuela e Estados Unidos envolve a situação do dissidente cubano Luis Posada Carriles. Encontrado nos EUA, Posada é acusado de envolvimento no atentado ocorrido em 1976, que matou 73 passageiros em um avião da empresa Cubana de Aviación. Baseado em tratados internacionais que se referem ao terrorismo, o governo da Venezuela exige a extradição de Carriles para seu território. Os norte-americanos dizem que a situação merece ser mais bem analisada e negam a influência da comunidade anticastrista nessa decisão.

 

Petróleo

As relações entre os países dependem de múltiplos interesses, entre eles, o econômico. No caso da Venezuela e dos EUA, estão envolvidos recursos naturais importantes, como o petróleo.

 

Desde os anos 20, o petróleo sustenta a Venezuela que, hoje, ocupa o quinto lugar na produção mundial do produto. Naquele tempo, a política refletia a situação econômica do país, com uma minoria branca e rica no poder e o restante da população vivendo à margem do sistema. Há 40 anos, dois partidos políticos revezavam-se no governo. Para as empresas estrangeiras, principalmente as do ramo petrolífero, vigorava a tranqüilidade nos negócios.

 

Nos anos 1990, esse sistema de revezamento político passou por problemas, esgotado pela corrupção. A Venezuela enfrentava as conseqüências das reformas neoliberais mal planejadas, além de variações no próprio preço do petróleo. Com isso, o país entrou numa forte crise política e econômica. Foi a oportunidade de Chávez para subir ao poder.

 

Presidente venezuelano e a economia

Hugo Chávez define-se como um representante das massas que iria implantar um sistema político-econômico próximo ao socialismo, um discurso que confronta a posição ideológica norte-americana.

 

Em termos econômicos, os EUA ainda são os principais parceiros nos negócios da Venezuela. Mas o cenário não anda tão previsível como antes. Em 2001, Chavéz ratificou medidas legislativas que, entre outras coisas, centralizavam o controle do petróleo para o governo.

 

A preocupação com perdas econômicas motivou o golpe para derrubar Chávez, em 2002.  A iniciativa fracassou e Hugo Chávez confirmou o apoio popular em um referendo nacional realizado em agosto de 2004. O presidente venezuelano acusa os norte-americanos de participação no golpe, afirmação negada pelos EUA.



 
© Copyright Revista Paradoxo 2003~2008. Todos os direitos reservados