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Um é bom, mais é demais

Redes sociais são hype do momento na web. O colunista analisa o Orkut e seus clones brasileiros

por Caio Cesar
de Belo Horizonte

[16/11/2005]

Primeira coluna aqui na Paradoxo e eu já chego chutando a porta: Será que precisamos de tantas redes sociais para interagirmos?

A coisa não é nova. A internet comercial vem se desenvolvendo e, cada nova aplicação que permite que pessoas se reúnam para conversar em torno de interesses comuns e, de quebra, conhecerem novas pessoas, percebemos esta vocação de aproximação da web. Vocação esta que se mostra um tanto contraditória. Se me lembro bem, não faz muito tempo que se dizia que a rede afastava as pessoas do contato social. Por incrível que pareça, ainda tem muita gente que pensa assim. Será mesmo? Ou seria a internet apenas uma ferramenta e as pessoas fazem dela o que quiserem? Como é a música e como são os hobbies. Ou será que ainda tem gente que pensa que o acesso à rede vai transformar nossas crianças em adultos autistas? Estariam nossos pimpolhos condenados ao autismo se acessarem muito à internet?

Que a internet como meio de interação social é a bola da vez, isso todo mundo sabe. Esta moda começou de forma bastante tímida no Brasil com o Friendster, inicialmente um site que funcionava como uma agenda de relações sociais. Não pegou tanto quanto a segunda onda, o Orkut. Muito em virtude da maneira como as pessoas chegavam até o site. O fato de ser necessário um convite de um membro para participar da rede do Orkut deu um charme mercadológico todo especial à coisa.

No Orkut, as pessoas também se reúnem em torno de interesses semelhantes em comunidades, além de poderem centralizar suas listas de amizades e trocar mensagens e recados com elas. O sistema caiu como uma luva para o público brasileiro, que o adotou sem pestanejar. Em poucos meses os brasucas literalmente expulsaram usuários de outros países e hoje são mais de 75% do montante total de usuários do site.

É possível ganhar muito dinheiro com uma rede social deste tipo, mesmo quando a maioria dos usuários usam o sistema para brincadeiras, jogos e paquera – como é o caso dos brasileiros no Orkut. O potencial mercadológico de uma ferramenta de rede social como o Orkut é inegável, mas para sua efetivação seria necessário que os usuários autorizassem o Google (empresa que mantém o Orkut) a usar seus dados pessoais. Isso torna o uso direto do potencial inviável, como os próprios responsáveis pelo Google já deixaram bastante claro. As vantagens podem vir de outra forma; sem que necessariamente a receita seja repassada ao mantenedor da rede. Um exemplo fácil de imaginarmos é o feedback espontâneo que uma empresa tem quando os seus clientes criam uma comunidade sobre seu produto ou serviço. Falando mal ou bem da empresa, a comunidade presta um serviço de consultoria gratuita a ela. Ou seja: bom é pouco.

Seria por isso que vimos em tão pouco tempo uma explosão de clones brasileiros do Orkut? Logo de cara vimos nascer o Beltrano e o Gazzag. Logo depois veio o Link (Estadão) e, mais recentemente o Terra lançou a sua rede social, o Gaia, e o Uol acaba de colocar seu clone – Uolkut – nada discreto no ar.

Fecho a coluna de estréia sem responder – propositalmente – a pergunta que fiz na abertura: precisamos de tantas redes sociais? E por que todo mundo quer ter uma?



Flávio  -  São Paulo  -  17/11/2005 ~ 04:31
Tá fazendo suspense pra responder na próxima coluna, né?

 
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