Na coluna anterior teci uma pequena introdução para conversarmos sobre o assunto dessa semana: será que precisamos de tantas redes sociais? Depois da contextualização histórica feita na semana passada, que mostra que a web basicamente se expandiu – e continua se expandindo – com base em pessoas querendo se comunicar, compartilhar idéias e, principalmente, se ajudar... Enfim, a resposta não poderia ser outra: sim... e não também.
Como assim? É chover no molhado dizer que redes sociais são importantes e têm grande potencial; tanto em se tratando de viabilidade financeira quanto em uso. Mas é igualmente redundante especular que a quantidade de sistemas existentes reflete o grande interesse dos usuários e das empresas prestadoras deste tipo de serviço. Só que, ao mesmo tempo, esta enorme quantidade acaba por colocar o usuário bastante confuso no centro de um mundaréu de opções.
Pontos positivos
Por que precisamos de todos estes serviços?
Além de promover a reunião de pessoas em volta de interesses comuns, fomentar o encontro de amigos que se distanciaram com o tempo e até possibilitar paqueras, as redes sociais têm mostrado grande potencial de auxiliar no desenvolvimento e mobilidade profissional dos seus usuários.
O LinkedIn, por exemplo, é um site/rede exclusivamente baseado nos interesses profissionais dos seus usuários. O uso racional do sistema proporciona aos profissionais cadastrados a possibilidade de entrar em contato direto com possíveis empregadores; obviamente mediante o pagamento de uma pequena quantia para o serviço, o que mostra uma das possibilidades das empresas faturarem com as redes ao mesmo tempo que os usuários podem tirar proveito dos serviços. A O´Reilly – editora on e off-line que é referência em publicações sobre tecnologia – também oferece um serviço semelhante ao LinkedIn chamado Connection, onde os usuários podem montar as suas redes de contatos profissionais. Por este caminho, as possibilidades de uso e faturamento são bastante promissoras.
Mas uma coisa muito importante que não falei até agora é o fato de estes serviços de terceira geração serem abertos. Isso é excelente, pois permite que aqueles que não são cadastrados no serviço tenham acesso às informações de seus amigos. Pode parecer pouco importante agora, mas é um dos principais argumentos que apresento a seguir.
Lado negativo
Talvez eu seja apedrejado por causa do que direi, mas o maior responsável pela popularização dos serviços de rede social baseados em sites junto ao público brasileiro é, também, o maior responsável pelos pontos negativos listados aqui.
O Orkut parece ser um filho bastardo do Google. Apesar da propriedade, o Google não lista o site em seu portifólio de serviços e produtos. Talvez pelo fiasco que o Orkut represente para a empresa de busca tanto na performance do serviço quanto em uso – principalmente por causa dos brasileiros que transformaram o site num picadeiro.
Além de ser fechado aos que não têm perfil cadastrado, o Orkut dificilmente oferece conteúdo relevante a seus usuários. Por relevante, eu me refiro a algo que não são jogos ou pornografia. Apesar de o conteúdo não ser de autoria dos responsáveis pelo site, os usuários – literalmente – sujaram o serviço. Pessoalmente, procurei (até cansar) por alguma comunidade que trate de maneira séria marketing na internet e comércio eletrônico. Por ser um ambiente fechado, onde só convidados entram, pensei inocentemente, talvez encontre gente interessante aqui. Ledo engano. As comunidades – tanto deste assunto quanto de todos os outros que eu procurei – não eram sérias ou não mereciam ser levadas a sério. Ponto negativo para os usuários e para o sistema fechado. Que parece servir apenas para despertar nas pessoas a vontade de estarem lá dentro.
Para encontrar gente, entretanto, o Orkut é fenomenal. Não há o que discutir, afinal, a quantidade de gente cadastrada é exorbitante. Até personagem de novela está lá. Mais um ponto negativo para este sistema. Falo do Orkut, mas todas as “tubaínas” que oferecem serviços semelhantes nesses moldes se encaixam na descrição. O coitado Buyukkokten tem seu nome usado aqui na minha coluna como bode expiatório, mas bem que poderia ser Gazzag, Beltrano, Link, Wallop, Clubão e até os já citados Gaia, UOLkut, 360º e Multiply.
Fica claro que o problema tem origem no péssimo uso das ferramentas que os brasileiros têm feito. Parafraseando Sartre: o inferno são os outros. Ainda assim, mesmo sendo “culpa” (?) dos usuários, tal fato não diminui o demérito destes sistemas. Muito por causa da possibilidade de criar perfis falsos, permitir o envio de mensagens não solicitadas e não cuidarem com a merecida importância dos serviços.
Opinião
A minha posição é clara como a regra e resgato o princípio OSSSSO (O Segredo do Sucesso é Saber Segurar a Onda) para explicá-la.
Não que as redes sejam ruins, não é nada disso! Muito menos o contrário. Tudo depende do uso que fazemos. E não que tenhamos que manter cadastro em cada novo serviço que aquele(a) nosso(a) amigo(a) “sem noção” se cadastrou e enviou-nos o convite.
Usadas com inteligência, as redes sociais – principalmente as abertas e que permitem a gerência e compartilhamento de conteúdo digital – mostram muita utilidade para aqueles que, como já disse, querem manter um espaço pessoal de forma gratuita na rede. Para tantos outros (me inclua nesta lista), isso já é feito num site pessoal em um domínio próprio. E é por isso que eu respondi sim e não lá em cima; e pelo mesmo motivo deletei meu perfil em todos os sistemas que eu me lembrei ter efetuado cadastro.
E você, o que vai fazer?
A web e suas redes
Lista de sistemas / serviços de rede social:
Orkut – www.orkut.com
LinkedIn – www.linkedin.com
Friendster – www.friendster.com
Wallop – www.wallop.com
O´Reilly Connection - connection.oreilly.com
Yahoo!360º – 360.yahoo.com
Beltrano – www.beltrano.com
Link - link.estadao.com.br
Gaia - gaia.terra.com.br
UOLkut – www.uolkut.com.br
Gazzag – www.gazzag.com.br
Multiply – www.multiply.com
Clubão – www.clubao.com
MySpace – www.myspace.com