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Hoje vs. Amanhã

A escolha certa para o casamento nem sempre é a lógica

por Fernando Mascarello

[07/12/2005]

Que o mundo é machista e antiquado não se discute. Assim como o fato de que todo homem é conduzido, desde o nascimento, a casar com uma mulher pura, virgem, que não beba, não fume, não jogue, não fale palavrão, seja linda, tenha noções básicas de sala, cozinha e área de serviço e, preferencialmente não torça pelo Botafogo, é inegável!

Mas justamente nesta lógica quase inata a que somos condicionados é que mora o real perigo do fracasso matrimonial. Escolhemos, pelas diretrizes básicas, as beatificáveis. Somente elas são plausíveis de enlace. Até o segundo ano de casório, no máximo, tudo fica beleza. Afinal, é uma época de descobertas, deflorações e decoração da casa. Porém, isso passa. E, muito mais rápido do que possamos imaginar, a rotina vem fazer todas as refeições na nossa mesa para depois repousar em nossa cama.

 

Exemplo? Dia destes, fui convidado à uma despedida de casado. Isso mesmo! Eu também nunca tinha ouvido falar de tal evento, mas fui lá dar uma conferida. Nada de mais: Churrasco, cerveja e música ruim. Com direito a discurso e arrependimentos. Então, o descasado, anfitrião, disse que o principal motivo do desenlace (por assim dizer) foi que a então esposa não participada da vida social dele e até repreendia certas atitudes, que ele – e todo o mundo – considera normal, como jogar baralho com os amigos, tomar todas em churrasco no domingo, fumar um cigarrinho aqui, outro ali. Os gostos por comida, música, destinos de viagens e filmes, eram completamente diferentes e, claro, o sexo já tinha virado uma obrigação, antes de ser um prazer.

 

Dos cinco anos que passaram juntos, tudo o que sobrou para ele foram o fogão, a geladeira e o aparelho de som. Mais nada. Nem um filho pra chamar de seu. O consolo é que agora, finalmente, pode comprar um cachorro, que ela odiava. E, claro, também ficou um sentimento de raiva de si mesmo, por ter feito a escolha errada.

 

Por isso, amigão, acorda! Não adianta você querer casar com a pureza ou o jeitinho meigo da moça. Principalmente porque depois você não vai mais querer saber dele. Tudo o que vai importar é o diálogo, a conversa, a compreensão, o companheirismo, e – óbvio – a vida sexual ativa, bem cuidada e renovada de tanto em tanto tempo.

 

Se você é mulher e está lendo esta coluna, pare de ler agora! É que vou dar um conselho sigiloso aos homens: Pare de se preocupar tanto com a quilometragem da moça. Nem com quantas vezes você a viu na balada. Nem com o corpitcho perfeito. Nem com o tamanho da saia. Nem quantos cigarros ela fuma em um dia. Nem se ela prefere tequila à coquetéis sem álcool. Nem se ela torce pelo Botafogo. O que realmente importa é que vocês se divirtam muito juntos, que ela te faça feliz, te escute, te sacie e que, principalmente, seja tua companheira para o que der e vier.

 

 *Fernando Fezon Mascarello é conselheiro matrimonial fraudulento, psicoproctologista formado pelo Instituto Angolano de Transmissão de Tecnologia e Dados, além de dar aula de canto, dança e gaita de fole.

 
**Imagem surrupiada do site: www.elisabethsalgadoencontrandovoce.com.br



Rê Cabral  -  Redação  -  07/12/2005 ~ 15:36
Ótemo texto! Acho q o grande lance, na escolha da cara-metade, é sempre a gente parar de procurar o ideal. Qndo a pessoa chega perto demais deste limite de perfeição, é problema na realidade. Certeza. Menina docinha, bonitinha, meiguinha... hum, na real, deve ser um saco. Cara bonitão, educado demais e fofinho demais? Perfeito demais!!! No mundo real, até as imperfeições do outro são bem-vindas- pra gente crescer, aprender a conviver. Quer casar? Jogue abaixo a ditadura do perfeito!

OLGA SAMIA  -  Fortaleza  -  09/12/2005 ~ 12:52
Oi, eu sempre encaminho os seus escritos para os meus contatos de email (com os devidos créditos, claro). Mas nunca um tinha sido tão respondido, as pessoas todas mandando resposta...concordando! Eita mundo véi exigente e carente!!!

 
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