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Hoje vs. Amanhã
A escolha certa para o casamento nem sempre é a lógica por Fernando Mascarello
Mas justamente nesta lógica quase inata a que somos condicionados é que mora o real perigo do fracasso matrimonial. Escolhemos, pelas diretrizes básicas, as beatificáveis. Somente elas são plausíveis de enlace. Até o segundo ano de casório, no máximo, tudo fica beleza. Afinal, é uma época de descobertas, deflorações e decoração da casa. Porém, isso passa. E, muito mais rápido do que possamos imaginar, a rotina vem fazer todas as refeições na nossa mesa para depois repousar em nossa cama. Exemplo? Dia destes, fui convidado à uma despedida de casado. Isso mesmo! Eu também nunca tinha ouvido falar de tal evento, mas fui lá dar uma conferida. Nada de mais: Churrasco, cerveja e música ruim. Com direito a discurso e arrependimentos. Então, o descasado, anfitrião, disse que o principal motivo do desenlace (por assim dizer) foi que a então esposa não participada da vida social dele e até repreendia certas atitudes, que ele – e todo o mundo – considera normal, como jogar baralho com os amigos, tomar todas em churrasco no domingo, fumar um cigarrinho aqui, outro ali. Os gostos por comida, música, destinos de viagens e filmes, eram completamente diferentes e, claro, o sexo já tinha virado uma obrigação, antes de ser um prazer. Dos cinco anos que passaram juntos, tudo o que sobrou para ele foram o fogão, a geladeira e o aparelho de som. Mais nada. Nem um filho pra chamar de seu. O consolo é que agora, finalmente, pode comprar um cachorro, que ela odiava. E, claro, também ficou um sentimento de raiva de si mesmo, por ter feito a escolha errada. Por isso, amigão, acorda! Não adianta você querer casar com a pureza ou o jeitinho meigo da moça. Principalmente porque depois você não vai mais querer saber dele. Tudo o que vai importar é o diálogo, a conversa, a compreensão, o companheirismo, e – óbvio – a vida sexual ativa, bem cuidada e renovada de tanto em tanto tempo. Se você é mulher e está lendo esta coluna, pare de ler agora! É que vou dar um conselho sigiloso aos homens: Pare de se preocupar tanto com a quilometragem da moça. Nem com quantas vezes você a viu na balada. Nem com o corpitcho perfeito. Nem com o tamanho da saia. Nem quantos cigarros ela fuma em um dia. Nem se ela prefere tequila à coquetéis sem álcool. Nem se ela torce pelo Botafogo. O que realmente importa é que vocês se divirtam muito juntos, que ela te faça feliz, te escute, te sacie e que, principalmente, seja tua companheira para o que der e vier. *Fernando Fezon Mascarello é conselheiro matrimonial fraudulento, psicoproctologista formado pelo Instituto Angolano de Transmissão de Tecnologia e Dados, além de dar aula de canto, dança e gaita de fole.
Rê Cabral - Redação - 07/12/2005 ~ 15:36
OLGA SAMIA - Fortaleza - 09/12/2005 ~ 12:52
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