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Desenhista brasileiro faz sucesso na web
Com um traçado e melancolia peculiar, Jay já conquistou sua identidade visual por Marcus Cardoso
Paradoxo - Como se deu essa sua mudança para o Quênia, na África? Jay - Na época um primo meu morava comigo porque o pai dele é missionário na Rússia. Daí ele ficou sabendo de um internato na África para filhos de missionários e decidiu ir. Minha mãe então me perguntou se eu não queria ir... acabei indo. P - E como foi essa experiência? J - Em um ano e meio que vivi lá, aprendi muito com o choque cultural pelo qual passei, sabe? Tinha muita gente de vários lugares diferentes do mundo. Conhecer pessoas de culturas diferentes, aos 17 anos, abre demais a mente. P - Como o desenho entrou na sua vida? J - Desde pequeno eu desenho. Sempre curti desenhar, mas nunca me preocupei com estilo ou coisa assim. Desenhava o que conseguisse desenhar. P - A temática dos seus desenhos, na maioria das vezes, tem ares depressivos. Por quê? J - Não sei. Quando estava no internato, algumas pessoas achavam que seria legal eu fazer terapia. Algumas pessoas ainda acham que seria legal se eu fizesse (risos). P - Mas a temática tem um porquê? J - Não sei ao certo. Gosto de desenhar o que vejo, o que sinto. P - Você conseguiu cedo algo que muitos artistas demorar para conquistar: seus desenhos já possuem uma identidade visual. J - É... há um tempo decidi que queria passar mais sentimento nos meus desenhos. Então comecei a fazer uns testes e tirar coisas desnecessárias na mensagem final. Daí desenhava meus personagens sem rosto, sem braço... tentei simplificar o traço. Deixar mais limpo. Fui daí que surgiu essa estética atual, de pauzinhos para os braços e pernas, que são o traço mais primitivo de desenho. J - Quando conheci o trabalho do Sam Brown, que são extremamente bons e hipersimples, vi que ele conseguia passar muito sentimento ainda assim. Isso me empolgou a continuar com o meu trabalho que, antes mesmo de conhecê-lo, já tinha uma certa semelhança. P - Onde você busca inspiração quando vai desenhar? J - Às vezes em músicas, assistindo TV. Ou quando alguém fala alguma coisa que me faz pensar em outra e outra... P - Você já tem trabalhado profissionalmente na área? J - Já sim. Mas não com esse estilo de desenho. Acho engraçado que uma vez tentei fazer umas ilustrações nesse estilo do Yolks e o cliente falou que era "bizarro" um personagem sem braços e pernas (risos). P - Planos em vista para 2006? J - Se tudo der certo, devo ir para a Espanha agora no final desse ano. Quero fazer alguns cursos de desenho e pintura, estudar algumas coisas que há tempo não tenho tido tempo para estudar. Daí pretendo voltar para o Brasil com alguns quadros e, com sorte, conseguir fazer alguma exposição. +Jay preparou uma lista de sites de desenhistas bacanas que publicam seus trabalhos na web. Confira: Adrian Johnson (http://www.adrianjohnson.org.uk/) Alex Dukal (http://www.adukal.com/) Sam Brown (http://www.explodingdog.com/) James Jean (http://www.jamesjean.com/) Joe Sorren (http://www.joesorren.com/) Jon Burgerman (http://www.jonburgerman.com/) Kurt Halsey (http://www.kurthalsey.com/) Luke (http://www.lukechueh.com/) Mark Ryden (http://www.markryden.com/) Pirandello (http://www.pirandello-art.com/) Robert Lindstrom (http://www.designchapel.com/) Kate (http://www.sleepycow.com/) Tara McPherson (http://www.taramcpherson.com/)
Naiara - Belém - 15/06/2007 ~ 15:28
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