Os 4,5 leitores desta coluna vão ter que me perdoar. Falhei na semana passada (Sim, até um símbolo de perfeição, carisma e auto-estima elevada, falha, acredite). Nem meus quase dois metros de altura puderam fazer algo quanto a isso. Não deixei de escrever. Escrevi umas sete ou oito colunas para a HB-D, mas nenhuma com nível de excelência, garbo e elegância digna deste espaço. Os pobres textos nem se quer conseguiram nota mínima em quesitos essenciais como bateria, comissão de frente, porta bandeira e mestre-sala.
Na tentativa desesperada de fugir desta orgia de idéias e de alguns credores entusiastas, me afastei de tudo e de todos, por uns dias. Então cheguei a conclusão nenhuma. Tratei apenas de parar de frescura, achar uma maneira de saldar as principais dívidas e escrever algo que prestasse. Felizmente, com a ajuda do photoshop consegui dar uma levantada no Chevette e o vendi, pagando o que eu devia de jogatina e em lojas de bebida, me livrando do segundo problema. Quanto ao primeiro, como se vê, não dei conta. Nem com o Google, o Houaiss e a coluna do Agamenon Mendes Pereira, n'O Globo, consegui escrever algo que prestasse.
Querendo ajudar a romper o silêncio literário desta coluna, uma legião – de três leitoras – sugeriram temas para que eu escrevesse. Uma pediu que eu falasse sobre amizade entre homem e mulher, quando um deles está comprometido, outra pedindo que eu falasse algo sobre depilação masculina, e a última, que escreveu em inglês – no qual sou um analfabeto funcional – e, pela minha tradução duvidosa, pedia que eu escrevesse algo sobre como aumentar o pênis em até sete centímetros.
Embora goste quando leitores me escrevem comentando e, principalmente, sugerindo algum tema, não pude atendê-las. Explico: exijo total submissão quando escrevo. Por isso, só gosto de escrever sobre o que eu realmente sei. Gosto de sodomizar os temas. E, confesso, não acredito em amizade entre homem e mulher (exceto se o primeiro for cabeleireiro ou, um dos dois ter pretensões homoafetivas). Também, não acredito em depilação masculina – quando no máximo, uma tosada aqui ou ali, mas, depilação nunca -. Quanto a operações, chás-medicinais, cerimônias duvidosas e macumbas em geral, a fim de aumentar o tamanho de pênis, até acredito, mas, no meu caso, é totalmente desaconselhável.
Desta forma, procurei jogar as cartas e ver o que elas me diziam. Porém, blefei com um par de dois e acabei perdendo o que tinha me sobrado do Chevette. Por isso, semana que vem, se não conseguir apostar esta coluna, ou até mesmo esta revista (watch out, Marcus!), provavelmente volto a dar seqüência na série Mitos do Macho que, embora não seja Bang Bang, também sofre com a falta de audiência.
*Fernando 'Fezon' Mascarello é filósofo holístico, produtor de catuaba genéticamente modificada e troca geladeira, marca Geral, azul calcinha, por veículo de menor valor.