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O Dia da Couve-flor Albina
De cada minoria tu herdarás só o cinismo por Fernando Mascarello
Nesta semana é comemorado o dia Internacional da Mulher. Então todo mundo vai falar dele. Todos, sem exceção. Qualquer peça publicitária, coluna de comportamento, revista semanal, jornal, televisão, vai tratar do assunto. Todos vão enaltecer a mulher, seus dotes, seu jeito e tudo mais. E então a mulherada fica toda prosa. Se regam em perfume, borram o beição com o melhor batão da Natura que o dinheiro pode comprar e ficam esperando os abraços e as flores. Todas vestidas com aquele constrangimento enrustido, contido e falso, quando no fundo estão se achando o ó do borogodó. É o que os americanos chamam de The Girl Power e a gauchada de O Poder da Xavasca. Eu já acho que a data é supervalorizada. Calma, chinaredo, eu explico! Pra toda e qualquer coisa nessa vida existe um bendito dia. Quer ver? Não é preciso nem sair desta semana para achar bons exemplos. Veja você, dia 9, um dia depois do dia da mulher, é o Dia das Sociedades de Amigos de Bairro. Na sexta, dia 10, além de ser o Dia do Telefone, é o Dia do Sogro. Domingo, 12, é aniversário de Recife e DIA DO BIBLIOTECÁRIO e por aí vai. Agora eu te pergunto: por que diabos estes dias são melhores ou piores que 8/3? Simples, porque estes dias não vendem! Pronto! Quem afinal, em sã consciência, daria um presente ao próprio telefone? Ou, pior, ao SOGRO? Para os homens, o dia vai muito bem, obrigado! Pois é só mandar um alô aqui, outro acolá, que você acaba passando por bom-moço-queridão. E se bobear, até consegue um jantarzinho e com algum esforço, um motelezinho no fim da noite. Afinal, é mais uma data – a exemplo do Dia dos Namorados e das Mães - em que as mulheres ficam com a imunidade-masculina baixa. É só chegar, chegando. Flor na mão e boa aparência ajudam. Tudo bem que as mulheres têm um belo histórico de lutas pelos direitos civis (e militares, por que não?), mas, isso é pouco lembrado no Dia Internacional das Mulheres. Este barulho todo em torno do dia delas é pura balela e banalidade. Serve apenas para evidenciar que a mulher faz parte de uma minoria e, para tanto, precisa de um dia só para ela, como todas as outras minorias. Além do mais, este dia se tornou uma espécie de DIA DOS NAMORADOS, no qual você não se sente culpado em mandar flores para outras mulheres. Quantas forem. Afinal, se você for listar as mulheres que merecem um agrado neste dia, não pára mais. A lista vai desde a sua lavadeira até a gerente do banco, passando por psicóloga, dentista, professora, secretária, mãe, irmã, sogra, cunhada, colega de escritório, da faculdade, a gostosa do 412 e por aí a fora. Quando vê, a lista tá enorme, frente e verso. Se for comprar uma flor pra cada, fali - além de levar uns belos cróques da patrôa, pelo presente mixuruca. Esta necessidade de comemoração é justamente o grande fracasso de se ter um dia. O que é agravado pela mídia que o pegou para cristo, praticamente, obrigando você a celebrar. Celebrar muito! Compre, vista, parcele, seja feliz, em cinco vezes, sorria, no cartão ou cheque? Não importa. Os presentes virão, as flores virão, os alôs virão, mas, enquanto as mulheres ficarem restringidas a um dia, elas nunca, nunca terão a tomada total de seus direitos... *Fernando “Fezon” Mascarello é orientador sexual da terceira idade, terapeuta hormonal, fabricantes de comadres, papagaios e penicos, além de fazer um confeito de chocolate que é um luxo.
Rina Pri =) - Vitória - ES - 08/03/2006 ~ 09:41
rogermk - sinop - 08/03/2006 ~ 11:44
Leila - Cwb - 08/03/2006 ~ 22:33
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