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A busca pelo cinema popular de qualidade

A Máquina, de João Falcão, estréia sexta-feira nos cinemas brasileiros

por Leonardo Mecchi
[23/03/2006]

Às vezes as boas surpresas vêm de onde menos se espera. Diler Trindade é hoje um dos maiores produtores brasileiros de cinema, cujos filmes já atingiram a marca de mais de 30 milhões de espectadores. Os números superlativos, entretanto, restringiam-se até agora à quantidade, uma vez que suas produções estavam longe de serem dignas de nota: os filmes-franquia de Xuxa, Didi, Padre Marcelo Rossi, Angélica, entre outros. E quanto à qualidade? Nas palavras do próprio Diler: “entendo-a como um conceito relativo. Como gosto não se discute, o que seria do amarelo se todos gostassem do azul, ou da mortadela se todos gostassem de caviar”.

A Máquina, longa de estréia de João Falcão produzido por Diler Trindade, não chega a ser a obra redentora da filmografia do produtor, mas é seu primeiro movimento em busca de uma nova equação: e se misturássemos o azul ao amarelo e oferecêssemos um bom presunto ao invés da mortadela? Será que o público não responderia à altura?

Baseado no livro homônimo de Adriana Falcão (já adaptado também para o teatro), A Máquina conta a história de amor entre Antônio (Gustavo Falcão) e Karina (Mariana Ximenes), moradores de uma pequena cidade do sertão nordestino que têm visões opostas sobre seus destinos: ele quer construir sua vida em Nordestina, ela quer ganhar o mundo e tornar-se atriz. Para não perdê-la, Antônio promete trazer o mundo até ela e, para isso, desafia o tempo e a morte.

João Falcão opta por uma estética próxima a mini-séries da Globo, como O Auto da Compadecida (que roteirizou) e Hoje é dia de Maria, para criar um tom de fábula à narrativa, para o que colabora também a cenografia de Marcus Figueiroa, com a cidade de Nordestina inteiramente recriada em estúdio, e a fotografia de Walter Caravalho, de cores fortes e vibrantes.

Os belos diálogos se aproximam da literatura de cordel e a ótima trilha sonora, composta pelo DJ Dolores e que inclui uma canção inédita de Chico Buarque, apropria-se da música nordestina, modernizando-a. O filme aposta nesse diálogo com uma cultura regional, ainda que estilizada, para ampliar seu apelo junto ao grande público.

Infelizmente, o filme perde em alguns momentos seu ritmo (apressando-se ou arrastando-se sem nenhum motivo aparente) e em outros, a famosa “estética Diler” acaba sobrepondo-se à do diretor, prejudicando o filme pelo apelo a um popular excessivamente simplório e parvo, como nos trechos de musicais intercalados ao longo do filme, ou nas reações desmesuradas dos personagens que ouvem o relato da história de um Antônio envelhecido (Paulo Autran, em uma atuação impecável como de costume).

Apesar dos percalços, A Máquina é um bom entretenimento, leve e despretensioso que, diferentemente da maioria dos exemplares do gênero, não ofende ao espectador mais exigente. Uma bela tentativa de um cinema popular de qualidade que merece encontrar seu público.

* Leonardo Mecchi é crítico de cinema e editor dos sites Cinequanon e Enquadramento

 

A Máquina
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A Máquina, 2006, Brasil

Diretor: João Falcão
Roteiro: João Falcão e Adriana Falcão
Duração: 90 minutos
Elenco: Paulo Autran, Mariana Ximenes, Gustavo Falcão, Vladimir Brichta, Lázaro Ramos e Wagner Moura.

 



Daniela Castilho  -  da redação  -  20/04/2006 ~ 15:12
Eu também gostei desse filme, penso quase a mesma coisa que você. Muitos críticos não gostaram do filme porque ainda estão apegados a uma noção de que todo filme brasileiro precisa ser "autoral", intelectual, pesadão. Muita gente que critica cinema no Brasil ainda não sabe apreciar um bom filme que seja despretensioso e entretenha.

Lucy Suarez  -  Barranquilla/Colombia  -  01/10/2007 ~ 21:35
La pelicula mas linda de todos los tiempos. Espectacular sencillamente divina.

 
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