Hoje a coluna, embora atrasada, tenta trazer dois assuntos que vêm me atormentando:
Boot Camp é a ferramenta Apple que permite que você tenha, simultaneamente, o Windows XP e o Mac OS em seu Macintosh. Desde o lançamento dos novos Macs com processadores Intel, teve gente tentando fazer isso na marra. Agora a própria Apple lança a ferramenta.
Eu me pergunto: por quê você iria querer isso? Paradoxalmente, a Apple sempre investiu seus esforços em dizer que fazer a troca seria extremamente benéfico para que você fugisse de bugs, falhas críticas e problemas de experiência e usabilidade da interface. Por qual motivo então as pessoas querem usar agora o Windows em um Mac?
Por mais que eu tente racionalizar o assunto, não consigo sair desta sinuca de bico. Estaria a Apple anunciando que seu hardware é melhor, mas seu software nem tanto? Estaria então – em outra especulação – a empresa da maçã abrindo seus horizontes para que mais e mais pessoas efetuem a troca (pelo menos de hardware)? Ou seria esta uma iniciativa de mostrar para o mundo que o negócio da Apple está mais para iPods e iTunes do que para hardware e software?
Honestamente, não sei e não faço idéia da resposta para essas questões. Só sei que cada vez mais os Apple Evangelists estão experimentando um mundo Windows onde há possibilidade de achar, com mais facilidade, alguém que compartilhe os mesmos tipos de documentos e de software que você usa em seu sistema operacional.
Você tem uma resposta?
Confabulações e considerações filosóficas sobre o assunto à parte, vamos mudar um pouco o rumo de nossa conversa.
Me diga: qual é o seu endereço de e-mail? Eu tinha vários. Houve uma época em que eu mantinha sete endereços para diferentes funções. Tinha o e-mail profissional, o do blog, o de listas de discussão, o pessoal, o só para cadastros, e por aí foi...
Há um bom tempo eu já vinha tentando me livrar desta penca de endereços e centralizar tudo num só lugar. Cheguei a cogitar uma solução nacional, em virtude do suporte e da flexibilidade. Mas tudo o que descobri nesta experiência foi que o único endereço para o qual eu pagava para ter era o único que – constantemente – dava problemas.
Daí decidi fazer um benchmark dos sistemas de e-mail mais famosos por aí, e assim tomar a minha decisão.
Usei os serviços de correio do UOL, Yahoo!, Terra, Gmail, MyRealBox e uma solução caseira (usar o endereço de um de meus domínios). O vencedor, em disparado, foi o Yahoo!Mail. A flexibilidade e as capacidades do sistema realmente fizeram com que ele se destacasse dos outros. Tanto que eu resolvi pagar por ele.
"Se de graça ele já era bom, imagina se eu pagar". Foi isto o que eu pensei. Fora isso, a retirada de anúncios da interface e assinaturas nos rodapés dos e-mails enviados foram fators que pesaram na minha decidão em gastar dinheiro com e-mail. Também é interessante considerarmos a importante premissa de “se eu tô pagando, posso reclamar”. Bem, por mais que isso não se aplique a tudo – afinal, os gringos não costumam segregar dessa forma os usuários que consomem serviços gratuitos – achei por bem experimentar o plano pago e estou gostando deveras.
A flexibilidade é tamanha que até o meu endereço profissional se tornou um mero espelho de minha conta do Yahoo!Mail. Isso sem mencionar que o meu endereço do Yahoo! é o mais antigo que tenho; foi meu segundo endereço de correio eletrônico. O primeiro – @usa.net – deixou de funcionar lá pelos idos de 1998.
Mas por qual motivo eu estou falando disso aqui? Acho que é porque enquanto eu finalizava meu cadastro para ser assinante pago do Yahoo!Mail me perguntei quantos outros brasileiros pagam por serviços que são oferecidos de graça? Ainda somos poucos, mas percebo que o número tende a crescer com o tempo. Desde a polêmica da restrição ao cadastro por parte do Fotolog.net, creio que os brasucas estão comprando mais serviços de web.
*Caio Cesar é professor, pesquisador e consultor em marketing, usabilidade, comunicação e tecnologia.