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O avesso das aparências

A colunista foi conferir uma palestra sobre o luxo. Ela fala também sobre o vintage

por Maria Claudia Pompeo
do Rio
[09/05/2006]

Na semana passada, fui a uma palestra de moda na PUC-Rio, chamada Moda, Luxo e Poder - o avesso das aparências. Vários palestrantes, entre eles Gilda Chataignier, jornalista de moda, e Beth Filipeck, figurinista, debateram o que pode ser considerado luxo hoje em dia. E o que é luxo de fato? Muitos acreditam que é algo a ser conquistado com dinheiro e poder. Para outros, luxo é apenas poder usufruir de prazeres simples.

É muito difícil classificar hoje o que é um produto de luxo de moda. Existem marcas tradicionais e aclamadas por sua fama e nobreza, tais como Cartier e Tiffany. Mas o que é realmente caro, é necessariamente um produto de luxo justamente por ser inalcançável pela maioria dos mortais? Ou é do termo "se dar ao luxo" que podemos falar e nos identificar? Muito relativo.

Colocar rótulo nas coisas é algo complicado, muito mais no gosto das pessoas. Ou seja, o que pode ser um luxo pra mim: poder viajar pelo menos uma vez por ano para fora do Brasil, por exemplo, para você pode ser corriqueiro, comum. Você pode preferir trocar de carro uma vez por ano, enquanto isso para mim, não teria a menor importância, já que me acostumei a andar de táxi.

_vintagismos Muito já se ouviu falar em vintage, e a palavra realmente está em alta. Este conceito não se resume apenas a uma peça de brechó bem conservada, original, adquirida por um preço muito baixo. Toda a agitação em torno do vintage é justamente devido ao fato de essas peças terem alguma história de vida diretamente ligadas a quem a usou, ou de onde ela veio.

Quem nunca viu Paris Hilton dizer aos jornalistas que a roupa dela era vintage, como se isso fosse um troféu? Um tailleur usado por Jackie O. com certeza é uma peça que segue este conceito. É uma roupa com background, com consistência. Não é por ser antiga, simplesmente. Tem que haver consistência por trás.

Para alguns, se dar ao luxo de tirar um dia para ir até a praia dar um mergulho vale mais do que qualquer jóia. Para outros, é mergulhar em Saint Tropez usando um colar de um milhão de dólares. O que importa é vivermos em paz com nossas possibilidades, e nunca esquecermos de nossos desejos.

_cadê nossa história? No Brasil, não há essa cultura do vintagismo. Por enquanto a cultura vintage, essa que ouvimos falar sem parar, ainda não se estabeleceu em território tupiniquim. Tudo porque aqui não há o hábito de se guardar, não temos arquivo, acervo de peças suficiente. Afinal, a idéia do vintage é recolocar peças de roupa que não só têm valor por ser de alta qualidade, mas que têm uma trajetória relevante até então.

 


_Plissadas
+
Karim Rashid, o designer egípcio que criou para o verão 2005/2006 as sandálias Melissa High e Melissa Aranha, volta neste inverno com mais uma de suas criações arrojadas. Ele desenhou o tênis Dynamic para a Melissa, que dispensa cadarços e abotoaduras. O tênis é feito de plástico e acompanha um relógio também desenhado por ele.
Ainda na Melissa, que convida designers aclamados pelo mundo inteiro para desenhar suas sandálias-desejo, quem entra com tudo na coleção inverno é Judy Blame, estilista inglês. Suas criações seguem a tendência rock para este inverno. Aplicando grandes botões no modelo tradicional Aranha, os novos modelos exploram os ícones de Blame, com sua inspiração sempre divertida e rocker, com fitas e botões de vários tamanhos, além de alusões a coroa britânica, que aparece cravejada de cristais aplicada na versão da Aranha 2005.

+Para as mamães de São Paulo que freqüentam a academia Pelé Club, uma surpresa luxuosa: todas elas que malham na unidade Itaim Bibi poderão participar de um sorteio que presenteará a felizarda com o creme Bikini Top, da renomada marca francesa Dior.
O creme faz parte do primeiro tratamento da linha push up desenvolvido pela grife para firmar
e levantar colo e busto.

+No Shopping Iguatemi, de São Paulo, a ótica La Croissete abriu suas portas com repaginação no visual desde sábado (06). Enquanto isso, as sócias Carla Lavieri, Fran Lavieri, Karla Borges e Luciana Rodrigues estão em Milão conferindo as novidades na área de eyewear.

+visite
Melissa
Pelé Club
Bikini Top
Dior

_leia mais sobre luxo 
 O Novo Luxo/ Kathia Castilho e Nísia Villaça / Anhembi Morumbi
 O Luxo Eterno/ Gilles Lipovetsky e Elyette Roux / Companhia das Letras

                                                                                                                                                                

*Maria Claudia Pompeo é estilista, carioca e acha um luxo escrever uma coluna de moda semanal. 

 fotos: corbis/
melissa



bruno coutinho  -  da redação.  -  10/05/2006 ~ 08:48
Eu fiquei sabendo sobre essa paletra lá na PUC. Bem, eu não sou muito conhecedor da história da moda. mas até odne eu sei o Brasil não era um país muito conhecido por produzir looks até a década passada. A gente vivia memso era num grande simulacro da litânia de outros países. Têm umas coisas que eu acho vintage tupiniquin, como as blusas de time de futebol das décadas de 70 e 80; alguns tenis usados no início da década de 90 como aqueles baixinhos da Redley - eles estãod e volta!! hehe- e outros que eu não me lembro. Mas aí, a história muda um pouquinho...não chega a ter aquele papo de "brechó" e de que tenha pertencido à outra pessoa...enfim, apenas umas peças que eram moda há 20 ano e agora voltam...isso é ser vintage? bem, aí eu não sei mas sempre que alguém tá com alguma velharia assim alguém diz: - muito vintage. :) bela matéria.

marina w.  -  da Redação  -  11/05/2006 ~ 15:27
mariaclaudia! Adorei sua coluna :)) Luxo é coisa por dentro. Carolina Ferraz veste roupas lindas e daí? A Sabatella nem penteia o cabelo, mas fica linda. A mulher mais bonita é a bonita que não se acha bonita. Ui, filosofando, hoho.

 
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