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Novidades do grande irmão
São tantas as novidades do Google que até perde a graça. por Caio Cesar
Deus em forma de search engine. É assim que muito nerd se refere ao Google. De certo, o gigante das buscas tem se tornado cada vez mais onipresente e polivalente. A metáfora não é, portanto, um simples delírio. Consciente de que seu reinado nas buscas pode cair de uma hora pra outra – assim como começou (alguém se lembra que, em 1998, o Google mal existia e todo mundo fazia buscas usando o Altavista?) - o Google investe em serviços diferenciados para manter-se no topo. Os produtos relacionados à publicidade são revolucionários e garantem grande parte do bolo de faturamento da empresa. O mecanismo de relacionamento de anúncios e contexto aliado à oferta tentadora para anunciar oferecida aos anunciantes e de veicular anúncios ofertada aos donos de sites compõem uma fórmula de sucesso garantido. Tanto que Yahoo e MSN se esforçam para copiar o formato a todo custo. A liderança e presença do Google nas mentes dos usuários é foco tão importante quanto a manutenção de sua receita. Por isso mesmo os serviços gratuitos oferecidos pela empresa disparam entre os preferidos do público no mundo inteiro. No Brasil não poderia ser diferente. Apesar de o Orkut ser um baita abacaxi nas mãos da empresa aqui em terras tupiniquins, os serviços de instant messaging e VoIP (Gtalk) e as soluções de publicação de conteúdo (Blogger) e distribuição de vídeo (Google Video) fazem muito sucesso. Entretanto, o carro-chefe das ações da empresa no país – à exceção do serviço de busca – é, sem sombra de dúvidas, o Gmail. O sistema de e-mail do Google quebrou paradigmas ao ofertar um serviço com capacidade de armazenamento virtualmente infinita e um modo inovador de organização das mensagens. Tudo isso de graça e – como não poderia deixar de ser – com uma pitada de extravagância típica da empresa: para criar uma conta você precisa ser convidado e, como já é de costume entre tudo o que o Google oferece, está em fase beta. Em troca, o Google pede apenas uma licencinha para oferecer anúncios contextualizados às mensagens que você armazena em sua caixa postal. Nada demais. Aliás, isso é até um favor: exibir propaganda relevante, ao invés de mensagens que nata têm a ver com as pessoas que as recebem. Por essas e outras o Google é um dos exemplos mais relevantes de inovação e empreendedorismo digital. E com um agravante: eles não se cansam! Dentre as mais recentes novidades mostradas pela empresa (obviamente em fase beta) merecem destaque o Google Notebook – que permite que você crie, edite e distribua textos a partir da janela do browser e as ferramentas para quem quer colocar um site na rede e usar os serviços da empresa: o Gmail for Your Domain e o Google Page Creator. Estes dois últimos merecem destaque especial pois prometem estender a atuação do Google para campos onde antes somente empresas que cobravam por seus serviços atuavam. Desafiando o modelo de prestação paga de serviços web, o Google oferece a seus usários a possibilidade de construir e hospedar um site sem custos (Google Page Creator) com o objetivo de fomentar os negócios de pequenas empresas e também gerenciar com sua famosa ferramenta de e-mail as mensagens daqueles que têm um domínio próprio. Tenho usado os serviços do Gmail for Your Domain e não poupo elogios ao sistema. Desde que comecei a usá-lo, consegui – depois de anos tentando – centralizar todos os meus endereços de e-mail numa única caixa postal. Além disso, fiquei livre das contas mensais de uso do serviço em sistemas de provedores nacionais e também da anuidade que vinha pagando para um concorrente internacional do Google. Como se não bastasse oferecer serviços inovadores, o Google disponibilizou uma série de ferramentas para desenvolvimento web, o Google Web Toolkit - que vi no ½ Bit e também via Duard. Assim, os desenvolvedores poderão criar seus próprios serviços seguindo um padrão criado pela empresa. Quer jogada mais interessante? Mesmo se o serviço não for dele, o Google sugere que o desenvolvedor use seu padrão. Isso facilita a vida de todos, inclusive a dele mesmo, quando o seu jeito de fazer vira “o” jeito de fazer, fica tudo mais confortável, não é? Os serviços cada vez mais inovadores e cada vez mais variados que a empresa oferece parecem ter o mesmo objetivo: armazenar tudo o que puder. Em poucas palavras: se o negócio prioritário do Google é fornecer soluções para localização, organização, acesso e utilização do conteúdo por todos, nada mais lógico do que ele mesmo guardar este conteúdo, certo? Pois bem. É isso mesmo que o Google vem fazendo de forma invejável. *Caio Cesar é professor, pesquisador e consultor em marketing, usabilidade, comunicação e tecnologia.
Berenis - Belo Horizonte - 30/05/2006 ~ 13:00
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