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Liberem o acesso!

Bloquear o acesso a sites e serviços não é solução para nada

por Caio Cesar
de Belo Horizonte

[09/08/2006]

Você acessa a web do trabalho ou da escola? Se sim, é bastante provável que, em pelo menos um destes dois ambientes (o mais provável é que seja nos dois), o acesso a alguns sites e alguns serviços disponíveis na rede seja proibido. É, ou não é?

 

Pois bem. Estamos falando do implacável bloqueio que gerentes de rede, gestores de empresas e diretores de instituições de ensino aplicam a sites com o Orkut e a serviços como os mensageiros instantâneos do tipo MSN Messenger. O argumento nunca passa longe de “é uma questão de segurança”, ou então “este site/serviço é bloqueado pois os funcionários/estudantes abusam no acesso, perdendo o foco e diminuindo produtividade”.

 

De certo, é possível que isso aconteça sim. Tem gente que não tem a manha de segurar a onda e acaba abusando. Mas você, que sabe dosar o uso de serviços que podem acabar ajudando a execução de suas tarefas, não deveria pagar pelo mau uso dos outros, não é?

 

_repressão digital

É bastante comum o acesso ao MSN Messenger e ao Orkut ser travado em laboratórios de informática de escolas e de universidades. É uma pena, pois as instituições de ensino representam grande e importante papel na formação do cidadão. E que tipo de cidadão anela-se formar quando o proíbe de fazer isso ou aquilo? Especialmente quando se trata de serviços que estão disponíveis e são amplamente usados do lado de fora dos muros das escolas. Não há explicação que me convença do contrário. Acredito que deixar o serviço disponível e investir no desenvolvimento do discernimento do futuro cidadão gerará resultados mais animadores e satisfatórios.

 

Se o aluno tem o serviço à disposição para usar na hora que quiser e do jeito que quiser, é mais provável que – com o tempo – ele aprenda quais sãos os seus limites de uso para que atividades que são importantes para sua formação não sejam prejudicadas. Obviamente, haverá um abuso aqui ou acolá durante o processo, mas é certo que, se o intuito é formar cidadãos, o esforço vale a pena. Do contrário, a política de policiar o acesso deverá ser constante, pois sempre que possível as pessoas – quando numa situação de proibição – buscam alternativas que as atendam na execução das tais atividades proibidas.

 

Foi exatamente isso que aconteceu durante a lei seca nos Estados Unidos e acontece no mundo inteiro no que diz respeito às proibições de uso de substâncias entorpecentes. A proibição em si não impede o uso, mas sim o torna até mais “emocionante”. Duvida? Eis o Meebo e o E-messenger que não me deixam mentir. Enquanto houver proibição, haverá aquele que conseguirá burlar a vigilância para fazer o que é proibido.

 

Temos acompanhado mudanças no comportamento dos jovens a cada nova geração. O contato com a tecnologia os deixa mais ativos e – muitas vezes – com a capacidade de executar várias tarefas simultaneamente. Cerceá-los do uso de ferramentas que usam em suas vidas privadas pode ser um tiro no pé da própria escola. É mais ou menos como deve ser feito com o celular. Proibir o uso é um erro. Ensinar que existe um momento que o celular deve ficar desligado é melhor do que simplesmente proibir. A proibição só serve para formar aquele tipo de cidadão "sem noção" que deixa o telefone ligado [e pior: atende o danado!] durante uma sessão de cinema.

 

_negócios

Pensemos agora no ambiente das empresas. Se você não enfrenta a proibição na escola, é provável que ela exista na empresa, certo? Se não existe, você é um cara de sorte, mas se existe, mostre este texto para o seu chefe. Quem sabe você não o convence?

 

Nas empresas, vemos muitos serviços e sites com acesso proibido. Os velhos argumentos são aqueles que você leu no início deste texto. Empresas que mantém comunicação eletrônica por e-mail com clientes, parceiros, fornecedores, distribuidores ou filiais podem tirar bastante proveito de serviços de mensagens instantâneas. Isso sem mencionar o uso de funcionalidades como conversas com áudio e vídeo usando estes tipos de software.

 

Só por causa disso, o uso deveria ser até incentivado. A economia que pode ser proporcionada a uma empresa ao evitar ou diminuir a quantidade de ligações telefônicas interurbanas deveria ser suficientemente convincente. Mas muitos argumentam que os riscos de segurança são desanimadores. A estes, eu recomendo o mesmo que já falei nos casos das escolas: educar é melhor do que proibir. Afinal, malware e vírus não chegam apenas por mensagens instantâneas. Da mesma maneira que não se proíbe o e-mail, não é a melhor das soluções a proibição o uso destes serviços nas empresas.

 

É certo que uma empresa não necessariamente é o lugar para ficar batendo papo com os amigos pela internet, mas numa época em que a gestão das pessoas assume papel de destaque na administração de empresas, é interessante pensarmos que esta pequena indulgência (mesmo que seja encarada assim) pode ser bastante benéfica para a instituição.Se isso tornar o seu funcionário feliz, lembre-se que um funcionário satisfeito rende mais. Um funcionário vigiado e proibido de fazer isso ou aquilo sob o risco de uma advertência pode não render os resultados que você espera dele.

 

*Caio Cesar é professor, pesquisador e consultor em marketing, usabilidade, comunicação e tecnologia.



Ana  -  12/08/2006 ~ 09:31
Texto excelente. Será impresso e distribuído.

Livia  -  BH  -  18/08/2006 ~ 13:56
Concordo plenamente....mas na minha faculdade , pelo menos, o argumento principal não é a queda de produtividade e segurança... e sim que os laboratorios ficam lotados,servindo de lan house enquanto tem gente precisando fazer trabalhos academicos.

Rui Silva  -  Lisboa  -  29/11/2006 ~ 09:25
Costuma-se dizer "falar é fácil a não ser que se seja gago...". Gostava de o ver a gerir uma empresa com o pessoal a passar a maior parte do tempo a falar com amigos e familiares com o Messenger no horário do trabalho. E o trabalho a acumular...

emerson  -  Floripa  -  09/02/2007 ~ 15:39
Não concondo com os argumentos... imagine você que cria uma empresa onde os esquipamentos tem uso produtivo reduzido em 30% (percentual que seus colaboradores passam usando pra funões próprias), dentro do atual cenário de competitividade e globalização, onde suas referências comerciais ultrapassaram as fronteiras da sua região, esse fato é iniciar um negócio fadado a extinção. Uma empresa nao é local de "práticas pessoais", a pessoa é paga pra produzir, se as regras o encomoda deve buscar alguma ocupação onde as regras estejam abolidas. No referido desenvolvimento cultural e intelectual do cidadão, essa pessoa deve utilizar então da infra-estrutura da empresa pra que acrescente conhecimento e capacitação as suas funções, garanto que será bem mais rentável para essa pessoa, mas também garanto que bater papos com amigos e "fuxicos de orkut" realmente não trazem benefícios reais aos usuário.

 
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