Talvez uma das mais recorrentes analogias já feitas em nossa sociedade é da política com o sexo. Pudera, os dois são dos mais antigos e polêmicos institutos de nossa existência. Ambos foram inventados pelo ser humano, logo que começaram a viver em sociedade.
Antes, não existia política outra que a natural: o homem lutando pela presa, pelo ter o que comer. Também não havia sexo, havia reprodução: o homem lutando pela presa, pra perpetuar a espécie.
Com o advento do sexo, não mais como mero argumento de reprodução – o que desconfio ter sido invenção de algum consórcio franco-italiano – o ser humano finalmente passou, a exemplo da política natural, a lutar pela presa, pelo ter o que comer. Ou melhor: quem!
A política, quando deixou de ser natural e passou a ser humana – e é esta que está aí até hoje, qual pode ser bem definida como a “política do meu pirão primeiro” -, o homem passou a lutar pelo dele, para conseguir uma boa quantia em jetons e verbas acessórias, para, ao final, perpetuar a sua espécie – de preferência deixando de herança a mansão na região dos lagos com o barzinho cheio de Blue Label e a chave da BMW no cinzeiro.
Contudo, tirando esta diferença temporal, este caminho inverso que ambos percorreram no decorrer dos séculos, o sexo e a política possuem a mesma essência: o exercício do poder.
_confessionário
Eu por exemplo, quando entrei para a política estudantil, entre DCE's e CA's, não o fiz para tentar mudar o mundo. Nem tinha a pretensão. Apesar de jovem, não era tão burro e minhas ilusões não chegavam a tanto. Fiz para me dar bem com as mulheres. Impressionar umas e outras, conseguir um pouco de respeito e muito “vem cá, minha nega”! Sem esta de lutar pelo coletivo. Coletivo pra mim, à época, era alcatéia, biblioteca, manada e outras aglomerações de seres, quase sempre insignificantes. Não passava disso.
Poder na política, além de render boas remunerações, rendem uma cama quase sempre cheia. O poder atraí mulheres mais do que feromônio e a última coletânea do Chico Buarque, e nem precisamos de Cleópatra para ilustrar isso tudo [favor colocar uma foto da Cleópatra segurando uma cobra, para ilustrar este trecho] [nota do editor: hahaha!].
O poder do sexo é a posse – quando não uma composse. Não adianta vir falar que não, que é uma relação de duas vias. Pode até ser de oito vias, dependendo da disponibilidade dos parceiros, mas a sensação de poder da posse é o que conta. O "phoder" é o que prevalece.
Não me venha falar de amor, pois amor e sexo são duas coisas bem diferentes – e me recuso citar Arnaldo Jabor aqui! – Um bem pode ir limpar os pés no capacho do outro, mas jamais se igualam completamente. De qualquer forma, não é sobre isso que estamos tratando. Tratamos de sexo e de política e do poder como ponto de ligação entre um e outro.
Afinal, ambos são exercidos pelo poder, e se Freud estivesse vivo certamente chocaria o mundo – no qual não me incluo – ao dizer que todo político é sexualmente frustrado em sua juventude e por isso precisa deste outro poder para suprir a ausência daquele em determinado período de sua vida. Ou talvez falasse outra coisa que envolvesse a mãe de algum político - o que nem seria novidade -, mas de igual forma não iríamos entender nada, ou alguém aqui fala alemão?
*Fernando 'Fezon' Mascarello, é Fezon, que agora está querendo parar com essa viadagem de usar o pseudônimo no meio do nome real e quer passar a usar somente o bendito pseudônimo. No seco. Manteiga, tragam de casa!