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A fronteira que não existe

Exemplos de convergência de mídia pipocam cada vez mais na web

por Caio Cesar
de Belo Horizonte

[08/09/2006]

Convergir, segundo o Wikcionário, significa afluir ao mesmo ponto. E não há espaço melhor do que a própria web para isso.

Marshall McLuhan já postulava a importância e preponderância do meio na transmissão de mensagens e previa a formação de uma “aldeia global” onde as distâncias das referências se encurtariam ao ponto de quase anularem-se quando os diferentes pontos do globo recebessem as mesmas mensagens e, portanto, as mesmas referências. Só que McLuhan estava colocando o carro à frente dos bois – por assim dizer. A formação de uma aldeia não ocorreria, como ele propôs, na era da tv por satélite. Era necessário que as pessoas – além de compartilhar as mesmas referências (ponto muito bacana pro autor), tivessem voz para que fosse formada a tal “aldeia global”.

É aí que, ao buscarmos as reflexões de Nicholas Negroponte que, além de propor o laptop de cem dólares, propôs – aliás, muito antes disso – que as distâncias seriam encurtadas e a relação tempo/espaço sofreria intensas modificações com a digitalização da informação.

Junte A (McLuhan) com B (Negroponte) e ouse, como lembra ZeFrank, a experimentar. Importe-se com o processo. Experimente. Fazendo isso, de certa forma, reflito sobre a incrível onda de convergência que estamos vendo se formar na web e – obviamente – não tem data para acabar e muito menos previsão de diminuir.

Comece com o projeto de juntar livros, cinema, tv, cd-rom e, eventualmente, a web, de Peter Greenaway intitulado The Tulse Luper Suitcases. Perceba como a coisa se espalha e se junta ao mesmo tempo na web. Este é um excelente exemplo de convergência.

Prossiga com a onda de virais que ganhou notoriedade com o exemplo fornecido pela rede de lanchonetes Burger King e sua galinha subserviente, que explorou, com certo sucesso, a capacidade de a rede de pessoas que usam a web servir de veículo e motor da propagação quase que instantãnea e de imensa comertura, de uma mensagem (no caso, publicitária). Taí, outro exemplo de convergência.

Adiante-se com o fenômeno da Lonelygirl15 que move multidões no Youtube e não passa de um projeto de um grupo de videoartistas e cineastas. Nada é o que parece ser e isso é o que dá graça à coisa. Taí o MrManson que não me deixa mentir.

Pra finalizar, brinque com o Alternate Reality Game criado pelos escritores da série Lost para que a trama saia das Tvs, ganhe a web e, eventualmente, as ruas e perceba que o que eu tento falar aqui é que a rede, em sua organização caótica (não tão caótica quanto este texto) permite que tudo aconteça ao mesmo tempo dentro dela e, também ao mesmo tempo, tudo fora dela seja retratado em tempo real.

Enfim... A web é o espaço onde tudo se mistura e tudo que está misturado fora dela pode ser juntado e visto / acessado / usado.

Quer fritar a cuca? Tente imaginar as modificações que estas características provocarão no jeito que fazemos, emitimos e consumimos informações. E olha que eu nem toque no assunto das redes de distribuição de arquivos...



 
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