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Quer uma segunda chance?
‘Second Life’ cria um mundo paralelo onde tudo é tão possível que há economia e política próprias por Marcus Cardoso
Imagine um mundo como o nosso, mas em realidade virtual. Onde também é possível ser alguém com nome e sobrenome, dinheiro, casa, amigos, além de criar uma vida para si ou viver a própria vida por lá. Imaginou? Esse mundo se chama Second Life [SL], e lá você pode se divertir um bocado e até ganhar dinheiro. De verdade. Second Life tem o intuito de promover interação virtual máxima. Desde pequeno, o fundador da Linden Lab, empresa criadora do site, usava computadores para simular a realidade. Daí surgiu a idéia de criar algo para que as pessoas pudessem experimentar uma “segunda vida”. Para participar, o futuro imigrante de Second Life deve preencher uma ficha no site, em que escolhe seu nome e seleciona um dos sobrenomes disponíveis. Além disso, o usuário pode personalizar o avatar - o “boneco” que vai representá-lo. Depois disso, vai receber uma conta e precisar baixar o software que dá acesso ao SL. _prepare as malas e o passaporte Quando começam o jogo, os recém-chegados são enviados para a Help Island, uma espécie de ilha tutorial. Lá, são instruídos sobre as políticas de convivência da comunidade e aprendem como se dá a interação com objetos e pessoas. É possível também conversar com outros novatos e com “mentores” – nome dado aos residentes que, voluntariamente, se oferecem para colaborar com o sistema e ajudar os demais usuários. A reportagem da Paradoxo conversou com um dos monitores assim que chegou à ilha dos ‘calouros’. Purrts Trumbo era o nome da gentil raposa tigrada. Primeiro, observamos de longe o trabalho dela. Entre um ensinamento e outro, nos aproximamos e descobrimos que, por trás da simpática raposa está o animador em 3D C. Smith, de 47 anos, que mora em Seattle, nos Estados Unidos.
Enquanto conversávamos, um residente curioso se aproximou. Após perguntar-nos se não gostaríamos que também nos desse entrevista, nos sentamos numa praça virtual e começamos o papo. Sob o nome de Dementia, aquela era a primeira vez de Stuart _$$$ Sites e programas que ambientam o usuário em uma atmosfera 3D para bate-papo não é a última novidade. Lançado comercialmente há três anos, só agora Second Life chegou ao público de forma massiva. A diferença principal para outros programas é que SL promove a criatividade e assegura os direitos autorais mesmo na realidade virtual. Por exemplo, os residentes podem fabricar objetos e guardá-los para si ou tentar vendê-los para outros, mas somente os autores dos produtos podem autorizar ou não a cópia ou alteração no design. A venda desses objetos, que vão de peças de decoração a roupas, tem rendido muitos Linden dólares aos residentes de Second Life. E para a alegria dos usuários, essa moeda pode ser trocada por moeda corrente no site da empresa. A Linden Lab prevê que o faturamento neste ano chegue a US$ 60 milhões. Apesar da popularização, Second Life ainda é considerada uma comunidade virtual em crescimento, com pouco mais de 1,2 milhão de residentes. Segundo o técnico em informática Paulo César Ferreira, a lenta popularização do programa pode ser devido ao peso do arquivo de instalação [cerca de 50MB] e os pré-requisitos mínimos, como mais de 512MB de memória ram e uma boa placa de vídeo. A publicitária gaúcha Guadalupe Albuquerque, de 23 anos, conheceu o SL por um amigo, ficou curiosa e foi conferir. No entanto achou tedioso. “Pensava que tinha encontrando um novo passatempo, mas além de ser demorado para fazer o download, o servidor vivia caindo. O jogo é muito burocrático até chegar aos finalmentes.” _do real para o virtual Complicado ou não de instalar, Second Life oferece uma a realidade virtual bastante atrativa. Não é à toa que personalidades e instituições do mundo real já usam a rede. A agência de notícias Reuters abriu sua sucursal no mundo virtual, após 155 anos no mundo real: secondlife.reuters.com. Adam Pasick, de 30 anos, é repórter de tecnologia da agência e mora em Londres. No começo de outubro, fez um avatar e se tornou o primeiro jornalista das ilhas de Second Life. “O fato de o trabalho ser em um mundo virtual não muda muito as coisas”, disse ao The New York Times. “Não é muito diferente de quando a Reuters abre um bureau em uma parte do mundo que têm uma economia crescente. Em SL, as leis de oferta e procura são reais, assim como o câmbio monetário e a abertura de negócios e serviços.” Outras áreas do mundo real que estão presentes na realidade virtual de Second Life são a política e a música. No final de agosto, o candidato a presidente dos EUA pelo Partido Democrata, Mark Warner, concedeu uma coletiva à imprensa. Na ocasião, falou de segurança nacional, política externa e participação em comunicades virtuais. A cantora americana Regina Spektor também aproveitou a rede para se atingir novos públicos. Antes de chegar às lojas, fez um show de lançamento do novo disco, Begin to Hope, para os usuários de SecondLife.
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