Se em O Livreiro de Cabul Åsne Seierstad incorreu no comum erro de julgar com olhos ocidentais os costumes orientais, em seu novo livro a escritora repensa sua literatura. Superado o estranhamento dos costumes islâmicos, a autora muda sua narrativa e investe mais no tom jornalístico do que no flerte com o romance em seu primeiro livro. Apostando no foco nos indivíduos e difíceis situações que a preparação para uma guerra exige, ela conquista pela delicada maneira como conta cada história.
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Åsne aposta em dois grandes trunfos para sua nova obra. O primeiro é a confirmação da veracidade de suas histórias a partir da publicação dos artigos que publicou em jornais da Europa fabulosamente escritos. O segundo é sua obstinação, sua paixão pela profissão. Ela não mede esforços para continuar no Iraque, mesmo que para isso desembolse rios de dinheiro ou fale francês de maneira doce para o oficial da imigração.
101 Dias é melhor que O Livreiro por investir mais na realidade. Não é preciso especular o que pensam os personagens ou dizer se acha isso determinadas situações justas ou não. Para própria sorte, Åsne percebeu isso a tempo. Não é a toa que agora deixou a vida jornalística de lado para se dedicar exclusivamente à literatura.
101 Dias em Bagdá
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por Åsne Seierstad
Editora Record
386 pág.
$40,90
