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Déjà vu digital
Em Nova York, correspondente presencia um SecondLife em plena vida real por Hélio Sales
Manhattan, Nova York - Eu perco pouco mais de duas horas por semana explorando o SecondLife. E um dos poucos atrativos do negócio é observar como as pessoas "montam" seus avatares, criando personas que vão ao extremo do que cada uma acha legal. Não é à toa que todo mundo por lá é alto, com um cabelo estiloso, roupinhas bacanas etc e tal. E se a pessoa tem uma determinada postura ou visão política, social ou seja lá o que for, isso acaba aparecendo no bonequinho personalizado. É, as pessoas caem em seus estereótipos, para o bem ou para o mal. Um exemplo: tenho uma amiga de 17 anos que adora rock alternativo mas que mora com os pais, tem que se preocupar com a escola e sua família não permite que ela pinte os cabelos de roxo. Em SecondLife [SL], ela se parece com uma dominatrix, com suas roupas pretas rasgadas, corte de cabelo moicano e tatuagens por todo corpo. Meu próprio avatar tem os ombros um pouco mais largos que os meus [risos], e por aí vai… Isso tudo acaba deixando as "pessoas" por lá mais "interessantes" visualmente que no "mundo real". O maior problema é que como todo mundo é muito interessante, ninguém dá muita bola pra ninguém e tudo acaba virando mais um concurso de popularidade e estilo que qualquer outra coisa.
_leia também _"acredita na foto, bee!!!" Kenny [no topo] e Susanne, os donos do club Kino 41, recém-inaugurado em Nova York. O visual a la SecondLife explica tudo _vida real? Só entrava no club quem a hostess conhecesse pelo nome e seus respectivos acompanhantes. Lá dentro, personalidades famosas [bom, nem tão famosas assim…], "personagens" da noite de Nova York, críticos de jornais e revistas num ambiente de ostentação e um desfile de roupas famosas em gente arrogante e torta. Uma bandinha do momento [The Rebels] tocou uma música sobre a Britney ter raspado a cabeça. O público delirou. Eu bebi. "Estou me sentindo num filme do Andy Warhol!", disse um dos meus conhecidos. "Essa é a verdadeira noite de Nova York", comentou outro. "Vamos dançar em frente ao crítico do NY Times", sugeriu um outro. E lá foram todos. Eu morria de achar graça em tudo. Porque me divirto com as drag queens, drag kings, os aspirantes a Marilyn Manson e as outras coisas esquisitíssimas que desfilavam numa proporção de praticamente meio a meio com as "pessoas comuns". Entre um gole de Heineken e outro, começo a sentir uma estranha sensação de déjà vu. Ok, não pode ser, porque o lugar estava sendo inaugurado naquela noite. Não era pelo grupo que estava comigo, pois era a primeira vez que saíamos juntos. Nem sou muito de freqüentar boites da moda aqui em Nova York. Então, de onde vinha a sensação? É. Do SecondLife mesmo. Era exatamente lá que eu me sentia. Nova York tem mesmo um pouco de SecondLife. Aqui, as pessoas que transitam pelas ruas de Manhattan se sentem extremamente livres para explorar seus fetiches, idéias, bizarrices e afins através do que vestem e de como agem. Ainda assim, o que elas querem mesmo é se expressar e não apenas chamar a atenção. Porque aqui, seja o lugar trash ou cool, ninguém liga muito para os outros. Para o bem, as pessoas contam com essa liberdade. Se eu quiser me vestir de ornitorrinco fluorescente, niguém vai me censurar. Para o mal, é possível que, mesmo depois de anos e anos, ninguém perceba que você existe.
Carolina Veiga - Vix-ES - 12/04/2007 ~ 17:00
Helinho - NYC - 16/04/2007 ~ 03:09
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