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Adolescentes fluorescentes
Arctic Monkeys amadurecem rumo ao posto de banda da década com Favourite Worst Nightmare por Daniel Faria
_assista _leia também Após o estranhamento inicial, percebe-se que a banda em si ainda está lá, porém mais amadurecida. Não é evolução, é sobreviver com vigor para marcar sua época e sobrepor-se a ela. Acreditem: se o Nirvana tem lugar garantido na história do rock, é porque In Utero não envergonharia Nevermind - para muita gente, o melhor disco dos anos 1990. E tanto o disco da banda de Kurt Cobain quanto este dos Monkeys prezam pela sinceridade. Eu confio na banda de Alex Turner. A situação era perigosa, a tal da Síndrome do Segundo Disco. O primeiro álbum ultrapassou a marca de dois milhões de cópias vendidas no mundo inteiro, conquistou dezenas de prêmios da crítica especializada e espaço nos maiores festivais de música do Reino Unido. Isso tudo realizado por quatro garotos que beiram os 20, 21 anos – quantos anos você tem? O que você já conseguiu com essa idade? A juventude da banda era, aliás, responsável pela empatia do disco com seu público. Se para o adulto com precaução excessiva com o hype os Monkeys parecem banalidade adolescente, meninos e meninas se esbaldaram com as composições sobre as garotas que devem ficar lindas em pistas de dança, sobre o garoto que foi pego bêbado pela polícia, sobre os caras que usam Reeboks clássicos, sobre Smirnoffs Ice, ringtones e Sherlock Holmes. Tem tudo isso no primeiro disco. E só sendo muito hipócrita e chato para não perceber que a essência do rock, aquela que Chuck Berry começou na década de 50 quando cantava sobre carros e garotas, está ali, renovada para o novo século. _meio-termo Após a explosão inicial, a banda segue com Teddy Picker e D is For Dangerous, as duas com pesadas levadas de funk e coros raivosos ajudando Alex Turner em seus maneirismos vocais que cada vez mais lembram os rappers da cena grime inglesa. Enquanto isso, “Balaclava” é pura confusão. A próxima, Fluorescent Adolescent, que, apesar do nome, não guarda ligações com a cena New Rave, é a que mais lembra o primeiro disco, notoriamente Mardy Bum e é a mais acessível. Deverá ser o próximo single. Only Ones Who Know é a pior canção, e quebra completamente a seqüência urgente do disco. E então vem então a próxima, Do Me a Favour, com guitarras de surf music e o disco levanta novamente. Mas o ’lado B’ é mais fraco. E se If You Were There, Beware e The Bad Thing empolgam, This House Is A Circus e Old Yellow Bricks passam despercebidas. Para deixar uma boa impressão final, a ótima 505 encerra o disco, competindo com A Certain Romance no quesito final apoteótico. E após rápidos 38 minutos e 14 segundos, o disco acaba e você provavelmente estará tão estarrecido quanto ansioso para ouvi-lo novamente. Favourite perde em comparação à Whatever People Say I Am, mas isso não importa, porque aqui há a confirmação do hype, sem o impacto do disco anterior. E ainda mais importante, Favourite encerra precocemente a década 00, para o bem ou para o mal. A trajetória do indie rumo ao mainstream, popularizada por meio dos MySpaces, Youtubes e MP3s da vida, que começou no longínquo ano de 2000, quando os Strokes lançaram Is This It, conclui-se aqui com o Arctic Monkeys. O que o Clash representou para os jovens punks ingleses no final da década de 70, o que os Smiths representaram para os adolescentes tímidos no meio dos anos 1980, e o que o Oasis representou para a molecada nos anos 1990, é proporcional à importância do Arctic Monkeys para a geração desta década, que respira Internet, não vivem sem celular ou sem seu iPod. Se não há o engajamento social de um ou o orgulho arrogante de outro, é porque os tempos são obviamente outros; hedonistas com toda certeza, mas à frente, tão justos e sinceros com sua época quanto qualquer outra banda representativa de seu tempo. Soará datado no futuro, mas o que importa? Que venha o futuro.
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