Quem pegou o bonde - da volta dos Smashing Pumpkins - andando deve ter ficado confuso. Pra começar, o nome do disco novo é alemão: Zeitgeist. Ou “espírito do tempo”, como os fãs mais devotos já estão cansados de saber. O primeiro single, Tarantula, tem a Paris Hilton na capa. Nos shows, Billy Corgan e companhia usam kimonos-vestidos brancos no melhor estilo Jedi, que de tão exagerados até atrapalham na hora da performance.
Lançado nesta terça-feira [10], o disco tem várias capas diferentes, de acordo com os “opcionais”. Se você quiser a versão simples, a capa é uma. Zeitgeist com DVD tem outra. Com um livrinho de fotos, outra. E se você decidir comprar online, dependendo do site de sua escolha você ganha uma faixa bônus específica. Isso sem falar nos novos integrantes, a baixista Ginger Reyes e o guitarrista Jeff Schroeder. Para quem não sabe, os novos integrantes são uma baixista loira e um guitarrista japa. Justamente como os antigos. Alguém explica o que se passa na cabeça de Billy Corgan?
Zeitgeist, por incrível que pareça, reflete essa confusão toda. E num bom sentido. O disco consegue se parecer um pouco com todos os trabalhos anteriores da banda, tanto em sonoridade quanto em conceito: estão lá as pesadas Doomsday Clock e 7 Shades of Black, que abrem o novo álbum num tom apocalíptico. As calminhas That’s The Way e Neverlost, a pegajosa Tarantula, o épico United States e a inclassificável Pomp and Circumstances.
A diferença maior deste para os outros trabalhos do grupo está na bateria de Jimmy Chamberlain, que nunca esteve em melhor forma, e nos backing vocals de Billy, muitas vezes mais altos que a primeira voz, o que causa um certo desconforto nas primeiras audições.
Em sua nova obra, Billy só escorrega um pouco nas letras, com frases do tipo “we are stars”, “bring the light / it's yours not mine / if you just want to survive”, entre outros trechos que, fora do contexto, soam piegas, mas no meio da bagunça sonora de Zeitgeist, não comprometem tanto assim o conjunto.
Numa época em que a maioria das bandas que voltam à ativa depois de um hiato lançam um álbum “greatest hits” e rodam o mundo com uma turnê a preços astronômicos, é bom ter os Smashing Pumpkins de volta.
_entendendo os abóboras
+ O Smashing Pumpkins foi uma das bandas mais importantes dos anos 1990. Pegue seus discos: Gish [1991], Siamese Dream [1993], Mellon Collie and the Infinite Sadness [1995], Adore [1998] e Machina [2000]. Todos venderam milhares de cópias, renderam singles, videoclipes, tocaram no rádio, MTV e influenciaram meio mundo.
+ A banda sempre pareceu estar à beira do abismo. James Iha e D’arcy, guitarrista e baixista originais, eram namorados na época do Gish. Com o segundo disco, veio o final do namoro e Billy Corgan gravando todas as guitarras e baixos de Siamese Dream. Mellon Collie marcou a morte por overdose do tecladista John Melvoin num quarto de hotel em Nova York com o baterista, Jimmy Chamberlain, que foi demitido até que curasse a dependência. A banda volta com o Adore, com bateristas convidados, quase sem guitarras. Jimmy é readmitido e a banda grava Machina em 2000. Antes mesmo da turnê começar, D’arcy pede as contas e é substituída por Melissa Auf Der Maur [que tocava com o Hole]. Ufa!
+ Billy tentou tocar a vida pra frente. Em 2001, juntou uma galera das bandinhas mais cool do momento e montou o “super grupo indie” Zwan. Com uma proposta mais leve, folk e divertida, lançaram o disco Mary Star of the Sea em 2003. Fracasso de vendas e crítica, segundo Corgan o grupo acabou porque eram todos um bando de drogados, promíscuos e egoístas. Em 2005 veio o disco solo. Baterias eletrônicas, poucas guitarras, cover de música do Bee Gees... é, não tinha como dar certo, mesmo com a mãozinha de gente como o Robert Smith, do The Cure.
+ Billy sente, Billy mostra. Em 21 de junho de 2005, Billy comprou uma página inteira no jornal Chicago Tribune [da cidade natal da banda] para dizer que “Eu quero minha banda de volta, e minhas músicas, e meus sonhos”.
