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Maria Rita, agora sem impacto

A última grande promessa da música brasileira lança seu terceiro disco pagando tributo ao samba

por Daniel Faria
[19/09/2007]


Não é difícil tomar partido quando o assunto é Maria Rita. A cantora, que acaba de lançar seu terceiro disco de estúdio, Samba Meu, pela WEA, é capaz de angariar fãs ardorosos com a mesma facilidade com que consegue provocar detratores de sua música. Após o grande sucesso de seus primeiros discos [800 mil cópias do primeiro álbum, Maria Rita e 500 mil do Segundo, mais três prêmios Grammy], Maria retorna tentando desmistificar sua própria imagem. "Meus dois últimos discos estavam formando uma aura de diva intocável que não combina comigo”, afirmou a artista.

Samba Meu, como o próprio nome sugere, é uma coleção de sambas; estilo que a cantora chama de “jovial” e “alegre”. A tentativa de soar despretensiosa e solta se reflete na escolha dos compositores. Descarta-se o herói-moderno-da- música-popular-brasileira, o sempre presente Marcelo Camelo e opta-se por sambistas puros, principalmente o produtor Leandro Sapucahy e o compositor Arlindo Cruz, responsável por 6 dos 14 sambas espalhados pelo disco, como Tá Perdoado, primeira música de trabalho. 

_hora errada
Pena que a opção pela estética libertária do samba tenha sido feita no momento errado. No atual instante da música brasileira, com artistas como a Orquestra Imperial, Cidadão Instigado e Roberta Sá procurando revitalizar a canção tradicional do País, uma persona da relevância de Maria Rita gravar um álbum que tenta resgatar o lado mais simplório do samba é um despropósito.

Não que Samba Meu seja um disco ruim, mas é viável esperar diversão e malandragem carioca sincera, como rezam as músicas Tá Perdoado, Maria do Socorro ou Corpitcho, de uma mulher que passou oito anos estudando nos Estados Unidos? O problema é essa apropriação da estética alheia para levantar a carreira de uma artista que surgiu exatamente com o estigma de precursora de uma nova MPB.

Se seus primeiros álbuns não eram o supra-sumo da originalidade, pelo menos a cantora se apoiava em compositores – como, obviamente, Marcelo Camelo - preocupados com o próximo passo da música no País. Eram ricos musicalmente, uma mistura interessante entre jazz, MPB e pop, conduzida por sua voz correta. Samba Meu prefere jogar na defesa e arriscar pouco.

Impossível não estabelecer conexão com Universo Ao Meu Redor, de Marisa Monte, lançado junto com Infinito Particular; dois dos melhores álbuns do ano passado. Assim como Maria Rita, Marisa também pretendeu homenagear o samba, emprestando sua perfeição vocal e elegância a um estilo que ela domina e promove há décadas. Sem a intimidade com o samba e de vocal limitado, se comparada a Marisa, Maria Rita perde feio. Ela até tenta equilibrar simulando descontração [vide o visual atual da cantora, sempre sorrindo e com pele à mostra] e bom humor, mas qual a graça de versos como “Maria do Socorro é a fim do Zé Galinha, mas namora o Zé Cachorro”?                      

Agora, a filha de Elis Regina se mostra uma artista deslocada, quase alienada, e isso definitivamente não é um elogio. “Eu não tenho a pretensão de ser sambista. Eu não nasci no morro, eu não nasci no Rio, não vivi o samba do jeito que os sambistas dizem, e sim do ponto de vista do ouvinte”, explica para quem pretende acusá-la de oportunismo. “Esse disco é uma declaração de amor, baseado na paixão que eu tenho e no bem que o samba me faz”. Barra limpa? Nem tanto. 

Se ela pode gravar um disco sobre o que quiser, parabéns a seu empresário e seus produtores, sempre tão “comprometidos” com Maria Rita [quem se lembra do “mensalinho” de seu segundo disco, quando a gravadora da cantora distribuiu um kit de imprensa em que constavam, além do CD e do DVD com o making of da gravação, um aparelho iPod Shuffle, contendo as músicas do disco, a fim de “facilitar” a vida dos críticos de música do Brasil?]. Esperar relevância e boa vontade com um disco derivativo como Samba Meu já é outro assunto. Não serve nem como trilha sonora para a feijoada de domingo com a família. 
 



Alexis  -  Natal  -  19/09/2007 ~ 11:38
É por aí mesmo. Bem colocado isso da apropriação da estética alheia. No pop gringo, há um exemplo recente sinistramente semelhante: Joss Stone, que apareceu há alguns anos atrás com a promessa de revitalizar o que de bom a música americana havia produzido. Tudo pra chegar no terceiro disco e... virar outra cantora de pop-rebolativo, com mais pele do que música pra mostrar.Sad, but true...

Márcio  -  São Paulo  -  19/09/2007 ~ 14:06
Putz, perfeito. Essa mulher é a maior enganação da MPB dos últimos tempos.

Rodrigo Arantes  -  Rio de Janeiro  -  21/09/2007 ~ 16:05
Sinceramente está cansando essa perseguição à Maria Rita. Tão chato quanto Maria Rita, é essa perseguição infantil e repetitiva.

Jonas  -  São Paulo  -  21/09/2007 ~ 21:07
Perseguição? Tem um monte de gente elogiando o lado "sambista do povão" da chata Rita. O Fantástico foi só elogios. Tem mais é que falar a verdade mesmo.

Heitor Ferreira Filho  -  Rio de Janeiro  -  30/09/2007 ~ 00:53
Samba Meu é puro prazer! Interpretações nada pretenciosas, arranjos elegantes e um repertório abrangente e muito divertido em se tratando de samba. Há muito tempo um só álbum não trazia tantas faixas tão gostosas de serem ouvidas. Há que se tirar o chapéu para Maria Rita!

Rafael Porto  -  Vila Velha - ES  -  10/10/2007 ~ 14:13
Achei muito boa a sua análise do disco, inserido no contexto atual da música brasileira. Mas o álbum tem seus méritos e os considero um pouco mais relevantes que você. No mais, é esperar que a fase sambista-igual-a-todo-mundo passe e retornem os discos com bom Jazz e MPB.

Luana  -  Salvador Ba  -  24/11/2007 ~ 00:24
Nem achei pretensioso...ela dá aquela roupagem levemente sofisticada dos outros discos, canta com humor... Tá perdoado mesmo, lembra muito os sucessos anteriores.

Isis Figueiredo  -  Campinas  -  12/05/2008 ~ 12:43
A-DO-REI o CD Samba Meu... Maria Rita está de Parabéns!!! Abaixo a perseguição...Um CD original em que todas as faixas são boas pra serem ouvidas.

vanessa  -  varginha  -  24/01/2009 ~ 14:46
Adorei o CD,esta lindo, é para quem não é sambista esta muitooooooooooooooooooo legal,vai nessa Maria Rita,por que nem Jesus agradou a todos, e quem ele não agradou não merecia nem ser ouvido.

eulalia  -  são paulo  -  06/05/2009 ~ 22:43
Não me incomodam especificamente as críticas, que todo o mundo foi e é criticado Me incomoda é essa mania xarope de sempre comparar as cantoras como se elas estivessem competindo. Que saco! É como se fosse uma projeção da esposa na relação monogâmica, ou da mãe, que é uma só, ou como se cada homem fosse um sultão e todas as cantoras pertencessem ao seu harém, e ele precisasse escolher a que melhor se preparou para ele. A Marisa Monte, certamente, ahcaria tão sacal ler este seu comentário quanto a Maria Rita!

César Holanda  -  São Paulo  -  22/08/2009 ~ 08:49
Respeito a opinião do colega jornalista. Mas acho uma visão restrita e preconceituosa, em alguns aspectos maldosa também. Não vejo problemas em variações de estilo. Seria a mesma coisa, já que o assunto é samba, dizer que a coletânea de sucessos Casa de Samba, é uma farsa. Há, ali, uma mistura de estilos, quem imaginaria o Lobão cantando samba ou coisa do tipo. Restrita e preconceituosa a avaliação do trabalho da artista. Aliás, o Chico Buarque perdeu qualidade por ter gravado musica com o Zezé di Camargo e Luciano ou com a Fernanda Porto?

Julio  -  Niterói  -  10/10/2009 ~ 05:29
Sou muito fã da Maria Rita, adoro-a, mas isto não significa bater palmas a tudo que ela faz. Afinal, tenho senso crítico. Estou bastante decepcionado com o rumo que ela deu à carreira. Quero, de volta, a Maria Rita que surgiu no cenário musical.

Thiana Bezerra  -  João Pessoa  -  03/12/2009 ~ 14:10
Críticas aborrecem os ouvidos, mas não enchem a barriga. Se do ponto de vista da crítica, o disco dela não está bom. Eu falo como parte do público, para mim está excelente, foi o melhor disco dela, não enjôo de escutar, delícia!!! E na minha humilde opinião, pra mim é o mais origianl cd dela, justamente por ela finalmente conseguir se se libertar da imagem da mãe e começar a desenvolver seu estilo próprio com um jeito maroto, bem humorado e cheio de ginga. Enfim, amei (o disco, não a crítica, esta foi impiedosa, nem sequer tentou ser imparcial)!!!

Pedro Baiocchi  -  Goiânia  -  09/04/2010 ~ 11:02
Esta crítica que não serve para ser lida nem no banheiro quando a feijoada de domingo fizer efeito.

geisy  -  bahia  -  30/08/2010 ~ 17:18
caraca vey,,,, umas coisas dessas nao da pra ler nem cagando

 
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