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Maria Rita, agora sem impacto
A última grande promessa da música brasileira lança seu terceiro disco pagando tributo ao samba por Daniel Faria
Samba Meu, como o próprio nome sugere, é uma coleção de sambas; estilo que a cantora chama de “jovial” e “alegre”. A tentativa de soar despretensiosa e solta se reflete na escolha dos compositores. Descarta-se o herói-moderno-da- música-popular-brasileira, o sempre presente Marcelo Camelo e opta-se por sambistas puros, principalmente o produtor Leandro Sapucahy e o compositor Arlindo Cruz, responsável por 6 dos 14 sambas espalhados pelo disco, como Tá Perdoado, primeira música de trabalho. _hora errada Não que Samba Meu seja um disco ruim, mas é viável esperar diversão e malandragem carioca sincera, como rezam as músicas Tá Perdoado, Maria do Socorro ou Corpitcho, de uma mulher que passou oito anos estudando nos Estados Unidos? O problema é essa apropriação da estética alheia para levantar a carreira de uma artista que surgiu exatamente com o estigma de precursora de uma nova MPB. Se seus primeiros álbuns não eram o supra-sumo da originalidade, pelo menos a cantora se apoiava em compositores – como, obviamente, Marcelo Camelo - preocupados com o próximo passo da música no País. Eram ricos musicalmente, uma mistura interessante entre jazz, MPB e pop, conduzida por sua voz correta. Samba Meu prefere jogar na defesa e arriscar pouco. Impossível não estabelecer conexão com Universo Ao Meu Redor, de Marisa Monte, lançado junto com Infinito Particular; dois dos melhores álbuns do ano passado. Assim como Maria Rita, Marisa também pretendeu homenagear o samba, emprestando sua perfeição vocal e elegância a um estilo que ela domina e promove há décadas. Sem a intimidade com o samba e de vocal limitado, se comparada a Marisa, Maria Rita perde feio. Ela até tenta equilibrar simulando descontração [vide o visual atual da cantora, sempre sorrindo e com pele à mostra] e bom humor, mas qual a graça de versos como “Maria do Socorro é a fim do Zé Galinha, mas namora o Zé Cachorro”? Agora, a filha de Elis Regina se mostra uma artista deslocada, quase alienada, e isso definitivamente não é um elogio. “Eu não tenho a pretensão de ser sambista. Eu não nasci no morro, eu não nasci no Rio, não vivi o samba do jeito que os sambistas dizem, e sim do ponto de vista do ouvinte”, explica para quem pretende acusá-la de oportunismo. “Esse disco é uma declaração de amor, baseado na paixão que eu tenho e no bem que o samba me faz”. Barra limpa? Nem tanto. Se ela pode gravar um disco sobre o que quiser, parabéns a seu empresário e seus produtores, sempre tão “comprometidos” com Maria Rita [quem se lembra do “mensalinho” de seu segundo disco, quando a gravadora da cantora distribuiu um kit de imprensa em que constavam, além do CD e do DVD com o making of da gravação, um aparelho iPod Shuffle, contendo as músicas do disco, a fim de “facilitar” a vida dos críticos de música do Brasil?]. Esperar relevância e boa vontade com um disco derivativo como Samba Meu já é outro assunto. Não serve nem como trilha sonora para a feijoada de domingo com a família.
Alexis - Natal - 19/09/2007 ~ 11:38
Márcio - São Paulo - 19/09/2007 ~ 14:06
Rodrigo Arantes - Rio de Janeiro - 21/09/2007 ~ 16:05
Jonas - São Paulo - 21/09/2007 ~ 21:07
Heitor Ferreira Filho - Rio de Janeiro - 30/09/2007 ~ 00:53
Rafael Porto - Vila Velha - ES - 10/10/2007 ~ 14:13
Luana - Salvador Ba - 24/11/2007 ~ 00:24
Isis Figueiredo - Campinas - 12/05/2008 ~ 12:43
vanessa - varginha - 24/01/2009 ~ 14:46
eulalia - são paulo - 06/05/2009 ~ 22:43
César Holanda - São Paulo - 22/08/2009 ~ 08:49
Julio - Niterói - 10/10/2009 ~ 05:29
Thiana Bezerra - João Pessoa - 03/12/2009 ~ 14:10
Pedro Baiocchi - Goiânia - 09/04/2010 ~ 11:02
geisy - bahia - 30/08/2010 ~ 17:18
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