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Posso ler sua mente?
Fabs, vocalista do grupo Os Telepatas, fala sobre cena indie, música de graça e o primeiro álbum da banda por Daniel Faria
Já não resta a muitos de nós paciência com bandas independentes nacionais. É só procurar nos myspaces ou tramavirtuais da vida: centenas de grupecos recém-formados gravando discos cheios de conceitos e idéias estapafúrdias, com capacidade de síntese musical nula. É negligência generalizar, mas também não é possível acreditar piamente na velha teoria de que tudo que é alternativo merece respeito. Já nos tornamos cínicos demais para acreditarmos nisso. Esse mesmo cinismo nos permite vez ou outra encontrar gratas surpresas. É o caso de Os Telepatas, que lançam seu primeiro disco, Bandeirante. Trata-se provavelmente da melhor banda independente paulistana do momento. “Você comentou isso porque acredita que somos uma boa banda independente de onde estamos”, brinca Fabs[foto abaixo], vocalista e guitarrista do grupo, em entrevista concedida à Paradoxo. Pois bem, não perdeu a chance de alfinetar logo de cara. Fabs, Rica Monteiro, Thiago Serra e Stan Molina acabam de lançar Bandeirante, pelo selo Trombador, seu primeiro disco oficial após alguns EPs. O álbum tem canções bem resolvidas, com influências claras da música brasileira setentista, e se inspira notadamente nos mineiros do Clube da Esquina. “A gente pirou no 'lado B' do vinil setentista brasileiro que não estava diretamente atrelado a Caetano-Mutantes-Bossa Nova”, afirma Fabs. “Acabamos olhando para esse repertório não somente porque estava escondido ou negligenciado pela nossa geração, mas porque era tudo muito inspirador mesmo. Era o combustível que faltava para construir um som que já tendíamos a fazer”. E, de fato, eles sabem bem o que querem. _competição e rótulos “A Roberta Sá é uma última tentativa de lançamento de MPB comercialmente viável para as gravadoras, para o velho engenho. Não é necessariamente uma tentativa ou vontade jovem. Kassin e Amarante são inventores musicais, que, por serem do Rio, não precisam conviver com essa carga tribal, do jeito que o Rômulo Fróes faz aqui em São Paulo. No Rio não tem essa de ser ou não ser indie. Acredito que lá a preocupação seja um pouco mais genuína, relacionada diretamente ao ato de fazer música”, analisa Fabs. E as alfinetadas seguem atingindo diretamente a estereotipada classe indie moderna paulistana. “É difícil suportar uma galera de fashion victims, reféns do último hit. Acham que o CSS ou o Arctic Monkeys são o futuro só por terem 'causado' na 'gringa'. Consideram cool os shows citados na coluna de tal jornalista e não a relevância musical envolvida ou não." _música livre “Sensacional isso do Radiohead. Foi efetivamente um marco da expressão da arte, no sentido que você quiser: embalagem, autoridade de um ícone para governar seu caminho, e mercadologia. É uma oportunidade única poder participar de um momento como esse, como talvez, aqueles em que o Andy Warhol trabalhou com o Velvet Underground, fundindo arte com música e cultura pop”, afirma Fabs. Mas não é qualquer um que pode tomar uma atitude dessas, certo? “Se alguém tinha respaldo artístico suficiente, pra que isso não virasse uma ação pura de marketing, apesar de ter sido uma manobra mercadológica fabulosa, era o Radiohead. Eles se anteciparam, estabeleceram o diálogo direto com o ouvinte. Agora é esperar pelo efeito dominó que isso vai trazer”. Fabs afirma ter dito por aí que a obrigação moral do público é comprar In Rainbows, já que com esta atitude, o Radiohead prova que a expressão artística está fortemente vinculada às idéias e iniciativas. Para Os Telepatas, o estabelecimento de uma cena alternativa financeiramente desligada das grandes gravadoras, depende a princípio de uma intenção efetivamente profissional. “Precisamos aprender a convencer as pessoas não só em relação ao som. Precisamos atrair e convencer o público a participar de algo legal, uma cena de música de verdade, para que existam jornalistas de fato especializados, lugares ótimos para tocar e badalar ao mesmo tempo... tudo isso para criar selos realmente sólidos”. Ufa! Difícil mesmo é colocar em prática. _os bandeirantes “O disco é fruto do nosso 2006, um ano que nunca vai acabar. É o ano do sentimento de liberdade artística no mundo depois da queda das torres, da internet, do Lost e do fim do Grandaddy. Pessoalmente, foi um ano em que aconteceu muita coisa para todos nós, uma espécie de 68, mas em que a urgência era mais afetiva e artística do que política. Bandeirante é o inventário do nosso 2006”, teoriza Fabs. Se 2006 foi o ano mais importante para o grupo, o que o futuro os aguarda? “Queremos aumentar nossa caravana. Estão dizendo que os shows estão pesados, bons e cheios de amor. Há vagas e a expedição está perto ainda”. Se a caravana passar perto de sua cidade, embarque. Deve valer muito a pena. fotos: divulgação
katia - são paulo - 31/10/2007 ~ 22:03
suzana - são paulo - 01/11/2007 ~ 14:18
Claudio - São Paulo - 01/11/2007 ~ 14:41
jack - bauru - 05/11/2007 ~ 16:16
Programa Intro - Franca - 09/11/2007 ~ 10:37
gabriel - peruíbe sp - 10/04/2009 ~ 10:20
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