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Dogma do Amor (It's all about love)
2021 - Pessoas morrendo nas ruas por falta de amor? como assim? por Rafael Gaino
Os erros começam no nome em português do filme. Ele é apelativo, e tenta dizer ao público que o diretor é o mesmo do famoso projeto Dogma 95 (www.dogme95.dk) que lançou filmes ótimos como Festa de Família e Italiano para Principantes. Talvez essa relação seja realmente o único chamariz já que funcionou comigo. O nome em inglês é It´s all about love, que é o que o filme tenta passar. O ano é 2021 e as pessoas morrem nas ruas por falta de amor, seja lá o que isso signifique. O enredo é intrigante à princípio, e prende pela sua imprevisibilidade. Nota-se até uma influência de David Lynch, dados os acontecimentos totalmente desconexos que atiçam a curiosidade do espectador, porém tudo deságua do meio para o fim com uma explicação coberta de falhas e atuações dignas do Framboesa de Ouro. Joaquim Phoenix interpreta o sonolento John, marido apaixonado da patinadora Elena (Claire Danes), que tenta solucionar o mistério envolvendo ela, seu empresário e seus agentes. É uma mistura de romance com ficção científica, dando-se uma pitada de suspense policial. Parece uma confusão não? Pois é essa mesma a sensação. O mérito do filme é a total fuga de clichês, mas a trama é tão improvável, tão absurda, que confesso que próximo ao fim fiz fé pela previsibilidade. A resolução do mistério é uma piada, não há nexo ou vínculos com a realidade. O comportamento dos personagens frente à situações de perigo é a mais esdrúxula possível. Ora eles deixam a porta aberta apenas para o vilão entrar sorrateiramente, ora fogem freneticamente de seus inimigos para depois tranqüilamente fazerem uma guerra de bolas de neve. Em dado momento, diz-se que neva no mundo todo e os aviões não tem onde pousar, mas ao mesmo tempo a TV mostra uma reportagem na ensolarada África, onde a oscilação da força da gravidade faz as pessoas saírem voando. Como se o caos no planeta respeitasse fronteiras territoriais. Engraçado? Talvez, se você não pagou para assistir. Ademais, o que se espera de um filme classificado como romance ou ficção, onde a platéia abandona o cinema rindo? Não muito.
Plínio - 26/11/2003 ~ 11:19
aline - sp - 26/11/2003 ~ 16:38
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