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Dogma do Amor (It's all about love)

2021 - Pessoas morrendo nas ruas por falta de amor? como assim?

por Rafael Gaino
de San Francisco-CA
[24/11/2003]

É difícil entender como alguém se dispõe a pôr em prática um projeto de tão baixa qualidade quanto o novo filme de Thomas Vinterberg.

Os erros começam no nome em português do filme. Ele é apelativo, e tenta dizer ao público que o diretor é o mesmo do famoso projeto Dogma 95 (www.dogme95.dk) que lançou filmes ótimos como Festa de Família e Italiano para Principantes. Talvez essa relação seja realmente o único chamariz já que funcionou comigo. O nome em inglês é It´s all about love, que é o que o filme tenta passar. O ano é 2021 e as pessoas morrem nas ruas por falta de amor, seja lá o que isso signifique.

O enredo é intrigante à princípio, e prende pela sua imprevisibilidade. Nota-se até uma influência de David Lynch, dados os acontecimentos totalmente desconexos que atiçam a curiosidade do espectador, porém tudo deságua do meio para o fim com uma explicação coberta de falhas e atuações dignas do Framboesa de Ouro. Joaquim Phoenix interpreta o sonolento John, marido apaixonado da patinadora Elena (Claire Danes), que tenta solucionar o mistério envolvendo ela, seu empresário e seus agentes. É uma mistura de romance com ficção científica, dando-se uma pitada de suspense policial. Parece uma confusão não? Pois é essa mesma a sensação.

O mérito do filme é a total fuga de clichês, mas a trama é tão improvável, tão absurda, que confesso que próximo ao fim fiz fé pela previsibilidade. A resolução do mistério é uma piada, não há nexo ou vínculos com a realidade. O comportamento dos personagens frente à situações de perigo é a mais esdrúxula possível. Ora eles deixam a porta aberta apenas para o vilão entrar sorrateiramente, ora fogem freneticamente de seus inimigos para depois tranqüilamente fazerem uma guerra de bolas de neve. Em dado momento, diz-se que neva no mundo todo e os aviões não tem onde pousar, mas ao mesmo tempo a TV mostra uma reportagem na ensolarada África, onde a oscilação da força da gravidade faz as pessoas saírem voando. Como se o caos no planeta respeitasse fronteiras territoriais. Engraçado? Talvez, se você não pagou para assistir. Ademais, o que se espera de um filme classificado como romance ou ficção, onde a platéia abandona o cinema rindo? Não muito.



Plínio  -  26/11/2003 ~ 11:19
'Tadinho do diretor do filme. Se ele tivesse assistido o filme junto da platéia teria chorado de vergonha. Ou agido como o Gerald Thomas.

aline  -  sp  -  26/11/2003 ~ 16:38
eu vi o filme, e vc quer ver ainda, não leia meu comentário! e a incoerência do filme é de matar ou de fazer rir mesmo!!! acho que alem da citada pelo rafael sobre as diferença do clima, tem tb uma sobre se uma patinadora, mesmo campeã de 5 títulos ganha tanto dinheiro para valer a pena fazer 3 clones dela, pq não só um? por elas tinhas placas de identificação? como de existisse uma máquina para isso, e cada clone novo sai com um código de barra! horrível!!!

 
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