| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
Os novos meninos do Rio
A Paradoxo conversou com a banda carioca Do Amor, principal promessa independente para 2008 por Daniel Faria
Eles são cariocas, defendem o axé baiano e o heavy metal, já passaram pelas bandas de Caetano Veloso e Los Hemanos e protagonizaram, até agora, o melhor show da 14º edição do tradicional festival Humaitá Pra Peixe, no Rio de Janeiro. Na apresentação, o Do Amor conseguiu resposta muito mais entusiasmada do público que a atração seguinte, a banda de Cuiabá, Vanguart, os novos darlings da neurótica crítica musical paulistana. E foi apenas o nono show da até então curta carreira dos roqueiros cuiabanos. O que não significa falta de experiência. Vale a pena conferir o currículo dos membros da banda: Gabriel Bubu, [guitarrista e baixista] se apresentou com os Los Hermanos, Branco Mello e Rubinho Jacobina, dentre outros; Gabriel Benjão [guitarrista] fez parte da banda de Lucas Santtana, Nina Becker e Jonas Sá; Marcelo Callado [baterista] e Ricardo Dias Gomes [baixista] são muito responsáveis pela sonoridade do ótimo disco Cê, de Caetano Veloso, e excursionaram o Brasil e o mundo acompanhando o baiano. O Do Amor foi formado em 2006, mas os integrantes se conhecem de longa data. Com exceção de Ricardo Dias Gomes, todos faziam parte do cultuado Carne de Segunda, “a maior agência de bons músicos que se tem notícia”, como definiu o jornalista e fotógrafo Marcos Bragatto. A herança deixada é o experimentalismo e a liberdade estética: no Do Amor, todos compõem, todos cantam, todos tocam. Sucesso nos shows, a divertida “Pepeu Baixou Em Mim”, homenagem-paródia com o guitarrista baiano, é composição da época do Carne de Segunda. Com o recesso dos projetos paralelos, o Do Amor aproveita o momento para concentrar as energias no grupo. E o resultado parece positivo. A inusitada concepção sonora da banda, que valoriza tanto o axé oitentista de Luiz Caldas, o heavy metal do Iron Maiden e o duo alternativo americano Ween, encontrou boa recepção entre a crítica especializada. Por enquanto, apenas um EP lançado, apenas cinco músicas gravadas. Suficiente para enquadrar o Do Amor entre as principais promessas do circuito independente em 2008. A Paradoxo conversou com a banda. Gustavo - Eles sempre gostaram dos nossos trabalhos, composições e, aos poucos, começaram a chamar a gente pra tocar em seus projetos, fazer coisas juntos... Gabriel - Não vejo esse pessoal como um grupo, e sim como amigos. Os trabalhos de todos eles são bastante interessantes, mas não me vejo dentro do grupo algum "privilegiado", "talentoso da década" ou qualquer outro arquétipo que a imprensa ache nutritivo. Acho que nem nenhum deles se sente confortável com esse enquadramento. Marcelo - Quando éramos mais jovens, freqüentávamos os shows e até mesmo ensaios dos antigos grupos destas pessoas, e acabamos ficando amigos deles. Na verdade, apesar da diferença de geração, o que existe é uma forte relação de amizade e de trocas musicais. RP - O Jornal do Brasil [07/01] destacou a apatia do público no show do Vanguart após a apresentação "vibrante" [segundo o jornal] de vocês, no festival Humaitá Pra Peixe. Há uma diferença estilística clara entre as bandas. Sendo o Vanguart uma banda decalcada no folk americano de Bob Dylan e no rock inglês do Radiohead, e vocês declarando amor por Luis Caldas e Pepeu Gomes, a reação do público, mesmo que o HPP não seja parâmetro popular, não revela uma valorização da brasilidade mais livre, quase popularesca, a um público alternativo, que não deixa de ser uma vitória para o grupo e para a música brasileira, com as devidas proporções respeitadas? Marcelo - Bicho, acho um pouco perigoso esse papo de vitória de um grupo da música brasileira sobre um grupo da música gringa. Não existe isso, pra mim. Acho ótimo duas bandas diferentes no mesmo palco. Muito melhor pra música e pro festival existirem bandas distintas, cada qual na sua e se respeitando.
Gustavo - Historicamente, o Brasil sempre produziu músicas das mais diversas nas diversas regiões. Hoje em dia, com a aproximação de certas culturas, com o acesso das pessoas a estilos diferentes e com a Internet, talvez essa regionalização da música esteja mais diluída, menos aparente. É claro que existem diferenças entre as bandas, mas não acho que o fator regional seja tão significante agora. Gabriel - Eu acho que os "indies do Brasil" [risos] são relativamente parecidos. É aquela pedreira de correr atrás de show e contato etc. Já no som, acho que tudo é muito vasto e cada vez mais, ainda bem. Ter influências estritamente inglesas ou americanas não vai de modo algum lhe fazer ser mais ou menos brasileiro. RP - Isso de “não se levar muito a sério” é interessante porque há realmente quem veja o Do Amor como brincadeira, ironia. É notável o descompromisso [e a despretensão] da banda – e talvez seja exatamente isso que desperte o interesse em vocês. Mas até que ponto o Do Amor deseja ser ou não ser visto com essa alcunha de irreverentes? Gabriel - Eu não sei definir não, e não me preocupo com isso. Axé e Metal são matéria-prima que a gente pode usar quando quiser. Assim como a polca e o merengue. Marcelo - Acreditamos no potencial de nós mesmos, independentemente de ampliar platéia ou não. Queremos viver bem tocando juntos, sendo "a banda cult carioca da década" ou não. Na real, ‘tô cagando para esse e outros rótulos. O que importa é a musica produzida e a vontade de se estar ali. Gabriel - Falando de música, é sempre uma experiência de vida de cada um que, invariavelmente, é trazida por cada um, não se limitando aos artistas de grande porte. Em termos extra-musicais, sabemos que não tem colher de chá, sabemos que precisamos dar nossos próprios passos, e o que ajuda nessa hora é a experiência adquirida na estrada. Ricardo - Somos apaixonados pelo nosso trabalho. Aprendemos muito tocando muito por aí com todos. A banda tem uma interseção maravilhosa de experiências RP - Vocês possuem características próprias. Poderiam definir como o gosto de cada membro influencia nas músicas? Marcelo - Cara, isso é muito difícil, pois todo mundo ouve de tudo e, embora haja diferenças, no fim, todo mundo mete a mão nas músicas de todo mundo. Ou seja é uma puta suruba. Você vai querer se entender numa suruba? vai?[risos]. RP - Como a Internet está sendo importante na divulgação do trabalho da banda? RP - O EP foi gravado no final de 2006, certo? Estão preparando um disco inteiro? O repertório está pronto para fechar um álbum? RP - Quais são os planos da banda daqui pra frente? Marcelo: Muito show! Fazer um disco! Fazer muito mais show ainda! fotos: carol bitencourt e bortolo/myspace
murilo - abrolhos - 17/01/2008 ~ 01:11
daniel monteiro - sp - 17/01/2008 ~ 14:50
|
|
© Copyright Revista Paradoxo 2003~2008. Todos os direitos reservados
|