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Nada de novo no Oscar 2008
Em ano de bons filmes, estrangeiros são destaque na premiação em Los Angeles por Rafael Braz
Antes de começarmos, vamos combinar que ninguém se interessa pelo Oscar, ok? Bem, talvez eu não devesse generalizar. Há pessoas que até podem se interessar pela premiação – conheço quem faça dela um “guia de filmes para se ver durante o ano”, mas a cerimônia é sempre a mesma coisa. Quem já assistiu uma, já assistiu todas. Confesso até que troco de canal ou aperto o “mute” quando começam as apresentações dos concorrentes a Melhor Canção.
A apresentação mais uma vez ficou por conta do comediante Jon Stewart, que novamente mostrou ser o cara certo para o trabalho com um timing perfeito para comédia e piadas sobre a atual administração dos EUA que devem ter incomodado boa parte da Hollywood Republicana. Por favor, Academia, nada de Whoopi Goldberg, Steve Martin ou Billy Crystal, mantenham Jon Stewart no próximo ano, pois mesmo com os dubladores arruinando boa parte das piadas para quem não entende inglês, ele ainda está anos luz a frente de apresentadores anteriores. Além disso, ele foi responsável pela agradável surpresa de trazer de volta Marketá Iglová para agradecer pelo Oscar de Melhor Canção. Motivo: quando ela começou a falar, cortaram o microfone e subiram a música. Corta para o comercial.
Cinematograficamente falando, foi um Oscar dos bons. Há tempos não se via uma seleção de filmes tão bons quanto a dessa edição [o que talvez explique a baixa audiência]. Todos os indicados às principais categorias - ou pelo menos boa parte deles - realmente mereciam a indicação.
O grande premiado da noite foi Onde os fracos não têm vez, de Joel e Ethan Coen, que levou os prêmios de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator Coadjuvante [Javier Bardem] e Melhor Roteiro Adaptado. Como também são responsáveis pela adaptação do livro homônimo de Cormac McCarthy para as telas, os irmãos diretores subiram ao palco praticamente três vezes seguidas para receber seus prêmios, e olha que eles ainda concorriam como Melhor Montagem com um pseudônimo. Foram vitórias esperadas, mas confesso que me decepcionei com eles, que pareciam dois ex-hippies que finalmente se renderam ao “sistema”.
Esperada também era a premiação de Daniel Day-Lewis como Melhor Ator por Sangue Negro. A atuação do inglês no filme é intensa e de uma humanidade incrível. É sempre bom ver o reconhecimento por uma atuação desse nível. Por mais que George Clooney e Johnny Depp sejam caras simpáticos e gente boa, esse ano não tinha para ninguém.
O prêmio de Melhor Atriz foi justamente concedido a Marion Cottilard, que interpreta Edith Piaf e é única coisa que realmente desperta o interesse no fraco Piaf – um hino de amor. A transformação da bela atriz na esquisita cantora é impressionante. Claro que a maquiagem ajudou, mas o filme nada seria sem a presença de Marion.
O bonitinho Juno – indicado em quatro categorias – ficou com a premiação que lhe era merecida: Melhor Roteiro Original. A roteirista Diablo Cody é uma ex-stripper e, embora eu acredite que o prêmio tenha sido bastante motivado pela excentricidade da roteirista, não se pode negar que ela conquistou a todos com a história da gravidez da jovem Juno.
Se por um lado foi uma pena ver filmes como O Escafandro e a Borboleta deixarem a festa sem nenhuma estatueta, foi refrescante ver filmes como Transformers e O Norbit [se é que podemos chamar o último de “filme”] também sairem de mãos abanando, pois as categorias técnicas a que concorriam ficaram com o bom Ultimato Bourne [Montagem, Som e Edição de efeitos sonoros], o razoável A Bússula de Ouro [Efeitos Visuais] e Piaf – Um hino de amor [Maquiagem].
Não que Hollywood seja completamente dominada por americanos, até porque não é, mas é interessante que o centro do cinema mundial já não fale apenas inglês e esteja se acostumando com a presença de outros idiomas... Tudo bem, ainda não é assim, o inglês ainda é e talvez sempre seja a língua oficial por lá, mas pelo menos ele já é falado com os mais variados sotaques. A-há!! Toma Hollywood!
Confira todos os vencedores da noite:
_melhor filme Onde os Fracos não têm Vez _melhor roteiro original Juno [Diablo Cody] _melhor montagem O Ultimato Bourne [Christopher Rouse] _melhor edição de som O Ultimato Bourne [Scott Millan, David Parker, Kirk Francis] _melhor documentário Taxi to the Dark Side _melhor curta-metragem Le Mozart des pickpockets
fotos: corbis
Alessandra - Brasília - 27/02/2008 ~ 10:11
hanny - vila velha - 27/02/2008 ~ 17:40
Delson Bourguignon - Macapá - 28/02/2008 ~ 10:26
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