_participe!
 

cinema  |  comportamento  |  geral  |  literatura  | moda  |   música  |  tv viagem  || blog do editor  |  colunas  |  expediente

 
Carta aberta a Amy Winehouse

O Zé tem razão, Amy. Você é demais

por Ana Laura Nahas
de Vitória-ES

[30/05/2008]

Querida Amy,

Meu ex-vizinho costuma dizer que você é a mulher ideal: canta bem, tem estilo e [o que é melhor, na opinião dele] bebe junto. Verdade que o seu beber junto ultrapassa, e muito, os limites estabelecidos pelo bom senso e pela Organização Mundial das Mentes Sãs em Corpos Sãos, e que o resto da sua vida acompanha o [des]ritmo. Mas você, dona encrenca, é de fato cool até o caroço.

O Zé tem razão, Amy. Você é demais. Matou de cara a charada de que o amor é um jogo perdido, aprendeu na marra que às vezes precisa morrer uma centena de vezes, entendeu que talvez devesse ter crescido um pouco mais sensata e o quanto é difícil colocar as coisas em ordem com a sua [dele] voz na minha [sua] cabeça. “What kind of fuckery is this?”.

Fico com dó quando você aparece completamente estragada naquelas revistas caça-níquel, com seus modelões anos 60, de flor no cabelo e tudo, e umas olheiras absurdas, uma magreza escancarada, a saúde oca à flor da pele. Mas gosto quando você debocha da sua estupidez, quando confessa seus vícios, quando chora os amores frustrados acabada no chão da cozinha, quando celebra a boemia que, de um jeito torto, dá sentido a sua vida – e [pode palavrão, povo da Paradoxo?] - foda-se o resto.

“Depois do último, acho que é impossível um homem me magoar.
Não dói a sério, é só incrivelmente irritante”.

Boto fé, Amy.

Porque o fim de determinados amores de fato irrita mais que dói, e nessas horas, minha amiga, fica difícil saber o que fazer com o Diário do Futuro Compartilhado, porque não há mais futuro, muito menos partilha; com o retrato do sorriso azul, porque não há mais retrato, muito menos azul; com as afinidades inquestionáveis que num momento eram decisivas e no outro não servem pra mais nada; com aquela coleção de mensagens inapagáveis que você lê e relê enquanto não consegue dormir; com a saudade absurda que franceses, chineses, paquistaneses e dinamarqueses sequer têm no dicionário e a gente sente que é uma beleza.

Sabe, Amy, você me lembra [a comparação é bizarra, eu sei, mas não me sai da cabeça] uma musiquinha do QI de Abelha:

“Sou capaz de gritar
E de te ofender
De me machucar
Mas não de te esquecer

Sou capaz de chorar
Ser ridícula até não agüentar
Posso bater com a cabeça na parede
Posso fingir que não sou inteligente
Posso pensar em vingança e traição

Gosto de ser cruel
Pra chamar sua atenção
Eu faço o que você quiser
Pra agradar seu coração”

Tenho a impressão, vendo daqui, longe de Londres, que você é dessas, Amy. Acho que você às vezes exagera, mas concordo que de vez em quando é preciso meter os pés na jaca, chorar e espernear, com o objetivo pouco nobre, mas de certo modo corajoso e inevitável, de dizer o que é preciso ao coração de um cara.

É cruel, Amy. Mas – você sabe – faz parte. Você sabe.

_momento tpm
"Dia diferente, drinque diferente".

*Ana Laura Nahas é nova na Paradoxo, anda ouvindo Back to Black sem parar e quase sempre bebe junto.



Leózito  -  Vitória  -  30/05/2008 ~ 10:14
preciso. duas fodonas: amy e você. beijo nas duas (rs)

TCo  -  Vitória  -  30/05/2008 ~ 10:38
não se reabilite... ;-)

Rogério  -  Vitória  -  31/05/2008 ~ 14:29
Clap, clap, clap

cátia machado  -  rio de janeiro  -  31/05/2008 ~ 20:50
Gente eu to gamada nessa menina!E tb nao consigo parar de ouvir Back to Black !! Maralvilhoso !

Bruno Reis  -  da Redação  -  01/06/2008 ~ 19:31
beber junto é uma arte. ana e amy são boas disso. =) beijo

Denise Telles  -  Vitória  -  07/06/2008 ~ 14:34
. Ana, a Amy sabe o que canta e vc sabe o que diz neh? adorei o texto, o ritmo, o clima. Adoro uma feminice, se bobear sou um exagero nelas! beijocas e parabéns! .

Marina  -  Rio de Janeiro  -  09/06/2008 ~ 09:30
Vocês são completamente incriveis!! Um brinda às mulheres que bebem junto!!

Luiza Miguez.  -  Vitória  -  09/06/2008 ~ 14:12
Deu pra sentir que essa foi pela Amy e por você. Parabéns pela sensibilidade!

 
© Copyright Revista Paradoxo 2003~2008. Todos os direitos reservados