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Carta aberta a Amy Winehouse
O Zé tem razão, Amy. Você é demais por Ana Laura Nahas
Querida Amy, Meu ex-vizinho costuma dizer que você é a mulher ideal: canta bem, tem estilo e [o que é melhor, na opinião dele] bebe junto. Verdade que o seu beber junto ultrapassa, e muito, os limites estabelecidos pelo bom senso e pela Organização Mundial das Mentes Sãs em Corpos Sãos, e que o resto da sua vida acompanha o [des]ritmo. Mas você, dona encrenca, é de fato cool até o caroço. O Zé tem razão, Amy. Você é demais. Matou de cara a charada de que o amor é um jogo perdido, aprendeu na marra que às vezes precisa morrer uma centena de vezes, entendeu que talvez devesse ter crescido um pouco mais sensata e o quanto é difícil colocar as coisas em ordem com a sua [dele] voz na minha [sua] cabeça. “What kind of fuckery is this?”. Fico com dó quando você aparece completamente estragada naquelas revistas caça-níquel, com seus modelões anos 60, de flor no cabelo e tudo, e umas olheiras absurdas, uma magreza escancarada, a saúde oca à flor da pele. Mas gosto quando você debocha da sua estupidez, quando confessa seus vícios, quando chora os amores frustrados acabada no chão da cozinha, quando celebra a boemia que, de um jeito torto, dá sentido a sua vida – e [pode palavrão, povo da Paradoxo?] - foda-se o resto. “Depois do último, acho que é impossível um homem me magoar. Boto fé, Amy. Porque o fim de determinados amores de fato irrita mais que dói, e nessas horas, minha amiga, fica difícil saber o que fazer com o Diário do Futuro Compartilhado, porque não há mais futuro, muito menos partilha; com o retrato do sorriso azul, porque não há mais retrato, muito menos azul; com as afinidades inquestionáveis que num momento eram decisivas e no outro não servem pra mais nada; com aquela coleção de mensagens inapagáveis que você lê e relê enquanto não consegue dormir; com a saudade absurda que franceses, chineses, paquistaneses e dinamarqueses sequer têm no dicionário e a gente sente que é uma beleza. Sabe, Amy, você me lembra [a comparação é bizarra, eu sei, mas não me sai da cabeça] uma musiquinha do QI de Abelha: “Sou capaz de gritar Sou capaz de chorar Gosto de ser cruel Tenho a impressão, vendo daqui, longe de Londres, que você é dessas, Amy. Acho que você às vezes exagera, mas concordo que de vez em quando é preciso meter os pés na jaca, chorar e espernear, com o objetivo pouco nobre, mas de certo modo corajoso e inevitável, de dizer o que é preciso ao coração de um cara. É cruel, Amy. Mas – você sabe – faz parte. Você sabe. _momento tpm *Ana Laura Nahas é nova na Paradoxo, anda ouvindo Back to Black sem parar e quase sempre bebe junto.
Leózito - Vitória - 30/05/2008 ~ 10:14
TCo - Vitória - 30/05/2008 ~ 10:38
Rogério - Vitória - 31/05/2008 ~ 14:29
cátia machado - rio de janeiro - 31/05/2008 ~ 20:50
Bruno Reis - da Redação - 01/06/2008 ~ 19:31
Denise Telles - Vitória - 07/06/2008 ~ 14:34
Marina - Rio de Janeiro - 09/06/2008 ~ 09:30
Luiza Miguez. - Vitória - 09/06/2008 ~ 14:12
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