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Viva U2!
Novo álbum do Coldplay remete ao U2 o tempo inteiro por Renata D'Elia
“Exclusivo: clique aqui para ouvir o novo álbum. Disponível para usuários do MySpace do mundo inteiro, exceto dos seguintes países: Holanda, Bélgica, Suíça, Espanha, Japão e EUA – desculpe se você está em um desses lugares, mas em todo caso, você ainda pode fazer um pedido do disco clicando acima”. Ótimo. Sou brasileira e estava quase desistindo, mas dessa vez localização e nacionalidade serviram para alguma coisa: ouvir o novo álbum do Coldplay, Viva La Vida or Death and all His Friends. Muito fácil ligar os pontos: a semelhança com os discos mais aclamados do U2 não é mera coincidência. Tudo que a primeira faixa Life in Technicolor faz é remeter o ouvinte a Where The Streets Have no Name, abertura de um dos mais importantes álbuns de Bono & cia - The Joshua Tree [1987] – produzido pelo mesmo mestre, Brian Eno. Valeu a tentativa, mas não soou tão emblemático ou potente assim. Depois querem evitar comparações. Sorry queridos, mas desse jeito não dá. A melodia de Cemetieries of London, por exemplo, tem um refrãozinho quase igual ao de The Saints Are Coming, sucesso recente do U2 com o Green Day. O que se percebe nas próximas faixas, especialmente em Lovers of Japain Reign of Love [talvez a melhor do disco], é a inconfundível presença do gênio de Eno, com a criação de várias texturas e camadas instrumentais presentes nos melhores discos dos irlandeses mais poderosos do mundo. Se você duvida, é porque não sabe nada de U2, e por conseqüência, sobre o mainstream do rock desde 1980. Nesse caso, antes de qualquer coisa, vá comprar Achtung Baby [1991]. No novo trabalho do Coldplay fica bem clara a exploração de temas recorrentes a Brian Eno, e que caracterizam alguns dos maiores trunfos do U2 há décadas, quando a parceria entre eles começou. O resultado, naquela época, foi o atmosférico The Unforgetable Fire [1985]. Necessário frisar, no entanto, que Eno fez bem ao Coldplay. A criação de auras e climas transcendentais dentro do contexto de música pop é o principal mérito dele, e se aplica perfeitamente tanto à vocação de mega-banda que busca manter a qualidade musical, quanto à formação instrumental dos músicos do Coldplay. As explorações de guitarra e bateria não trazem inovação sonora nenhuma ao planeta, mas servem para revigorar o som da banda, que andava mesmo bastante repetitivo. O resultado é uma sonoridade viva, elaborada e elegante. Tem emoção na medida certa, sem melodrama. De fato, faixas como Yes e Violet Hill, de vocação radiofônica, são bastante competentes. Não se pode negar que existe uma bela força de composição nas letras e músicas da banda, mas dentro de inevitáveis comparações, fica muito difícil equiparar aos grandes méritos do U2. Chega a ser gritante a semelhança sonora da última faixa Death and All His Friends, por exemplo. Pra quem conhece U2 a fundo, é até engraçado, mas só desagrada mesmo pela postura de quem diz que não faz cópia. Ouça e comprove. foto: divulgação
Alessandra - Brasília - 13/06/2008 ~ 17:18
Pedro Dias - Bauru- SP - 14/06/2008 ~ 17:58
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