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Tributo ao mestre

A Telê Santana, todas as homenagens ainda são poucas

por Fábio Matos
de São Paulo
[10/12/2003]

Emocionado, folheio as páginas do belo “São Paulo Futebol Clube: A Saga de um Campeão”, do genial Ignácio de Loyola Brandão, verdadeiro tesouro guardado com carinho por este humilde escriba. Mais que uma obra-prima que traz em riqueza de detalhes a história do meu time de coração, o livro se transformou, ao longo dos últimos anos (o tenho há quase uma década), em uma espécie de “refúgio” ao torcedor saudoso pela época dos grandes títulos. Época esta marcada, entre outros nomes, pela inesquecível figura de Telê Santana.

Telê foi o colecionador de taças do começo dos anos 90, o treinador perfeccionista que levou o São Paulo à elite do futebol mundial, o responsável pela formação de dois ou três timaços, um após o outro, entre 1991 e 1993, que faturaram, sempre com um futebol vistoso e competitivo, duas Taças Libertadores da América, dois Mundiais Interclubes, um Brasileiro, dois Paulistas, uma Supercopa, duas Recopas, apenas para citar os troféus mais relevantes. No Morumbi, Telê espantou de vez a absurda imagem de “pé-frio” propagada por parte da imprensa brasileira após a perda de duas Copas do Mundo. Como se a fatalidade das eliminações nos Mundiais, sobretudo a fatídica derrota para a Itália em 1982, apagassem a qualidade técnica e a genialidade de um esquadrão que, mesmo derrotado, é lembrado até hoje como uma das maiores seleções de todos os tempos.

A história do mestre é descrita com brilhantismo pelo notável jornalista André Ribeiro – o mesmo que havia feito a biografia de Leônidas da Silva – em “Fio de Esperança”, obra primorosa cujo título é o próprio apelido que consagrou Telê nos campos cariocas. Mais precisamente, nos gramados tricolores do Rio, onde virou eterno ídolo do Fluminense. “Fio de esperança”, poucos sabem, é denominação oriunda de um concurso organizado por Mário Filho, diretor do Jornal dos Sports em meados dos anos 50, “Dê um slogan para Telê Santana e ganhe 5 mil cruzeiros”. Pois o slogan lhe foi dado e, convenhamos, lhe coube muito bem.

Como lhe cabem, até de forma um pouco tardia, as justas homenagens feitas na semana passada, pela Câmara Municipal de São Paulo e pelo Tricolor paulista. A primeira, dá a Telê o título de “cidadão paulistano”; a outra, organizada com toda pompa e circunstância pela diretoria são-paulina e coroada com uma bela cerimônia no Salão Nobre do clube, reverencia todos os serviços prestados pelo mestre a um time que, durante o período em que contou com Telê no banco, viveu seus anos de maiores glórias, que certamente jamais serão repetidos com tal intensidade. Da cartolagem tricolor, espera-se que os anseios de grande parte dos torcedores do São Paulo sejam atendidos com urgência, ou seja, que se faça um busto de Telê Santana no Estádio Cícero Pompeu de Toledo.

Desde 1996, quando saiu do São Paulo, Telê Santana tem convivido com sérias complicações de saúde. Sofreu um derrame à época, que o impossibilitou de prosseguir na profissão que aprendeu a amar e, mais que isso, que desempenhava com o máximo de prazer. Sob os cuidados sempre especiais da esposa Ivonete e do filho René, o mestre de todos os técnicos brasileiros descansa hoje no interior de Minas Gerais, na pacata Itabira, sempre atento aos jogos transmitidos pela tevê e, claro, às constantes homenagens que lhe são atribuídas. Que elas continuem, para sempre, cumprindo sua função: a de louvar o maior treinador que o Brasil já conheceu, de reverenciar sua trajetória de seriedade, transparência e lealdade e, sobretudo, de dar ao “Fio de Esperança” o maior impulso para que permaneça conosco por muito tempo, a alegria de viver.

O trecho a seguir, com o qual encerro a última coluna do ano, está na contracapa do livro de André Ribeiro, e sintetiza o que todos gostaríamos de dizer a Telê. Ao mestre e ídolo, com carinho:

“Itabirense heróico
de alma e coração
rendemos as tuas cores
a nossa devoção

se tu és combatido
mas sabe se reerguer
é porque não podem te negar
o direito de viver (...)”.

* A partir de agora, este colunista curte merecidas férias. No entanto, para desespero da meia dúzia de três ou quatro leitores deste espaço, o pobre escriba já tem data para voltar: 14 de janeiro de 2004. Até lá!



Amanda  -  São Paulo  -  15/12/2003 ~ 17:21
Impossível não chorar diante da imagem de Telê cantando o hino do Tricolor paulista...

 
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