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Preferi não dar bola

Vai que um dia a gente precisa também

por Gabriel Louback
de São Paulo

[11/11/2008]

O carro parecia uma BMW, agora não lembro, mas era bem pesado. Ele estava no penúltimo quarteirão da Augusta para chegar na Paulista, vindo do centro. Um monte de gente buzinando e ele lá, paradão, na subida. Percebi que o pisca-alerta estava ligado. Eu, com uma sacola no ombro e uma caixa embaixo do braço, perguntei se ele precisava de ajuda. O senhor, um homem negro, bem arrumado e bonito, com mais de 50 anos, sorriu e disse que achava melhor tentar colocar o carro na descida, do outro lado da Augusta. Com medo de me roubarem se deixasse a sacola e a caixa na calçada, pensei em pedir para deixar as coisas no banco do carro, mas também fiquei com medo. Sei a memória que tenho e é bem possível que a essa altura, enquanto escrevo, estivesse pensando "Putz, a caixa e a sacola!".

Comecei a empurrar o carro com tudo isso, além da mochila nas costas, e percebi que o carro não se moveu um milímetro. Perguntei meio para mim, meio para o senhor: "Será que o freio de mão está solto?". Sim, estava solto. O carro era realmente pesado. Fechei o olho, porque assim a gente parece ficar mais forte, empurrei de novo, e o carro começou a se mover lentamente. Quando olhei para o lado, havia um homem de camisa, sorrindo todo alegre, enquanto ajudava a mover a BMW. "Vai que um dia a gente precisa também, né?" e soltou uma gargalhada. O carro começou a andar ainda mais rápido e percebi que mais dois homens estavam ajudando a empurrar. Um motoqueiro, descendo a Augusta avionado, passou buzinando e mandou a gente para um lugar específico, com um dedo também específico. Preferi não dar bola. Tem dia que a gente é a miudeza.

*Gabriel Louback é jornalista, gosta de escrever, mas às vezes dá branco na hora de colocar alguma coisa interessante nessa frase.



Renata  -  sampa  -  11/11/2008 ~ 14:46
Preciso dizer que não entendi. A BMW tava tentando descer e não conseguia? Pq se for isso, não faz o menor sentido.

Gabriel  -  SP  -  11/11/2008 ~ 14:54
(...) e ele lá, paradão, na subida.

Lila  -  SP  -  11/11/2008 ~ 15:00
Te ajudaram a empurrar, o carro, foi isso? E daí, o carro pegou no tranco? Qual foi o desfecho? Beijos

Renata  -  Sampa  -  11/11/2008 ~ 15:08
Peguei... não tinha percebido o "na subida" ali...

Juliana Ricci  -  São Paulo  -  11/11/2008 ~ 15:23
e miúdo é tb o cérebro do motoqueiro. parabéns, Gab!!!

Thiago Salles  -  SP  -  12/11/2008 ~ 10:03
Esse é o mestre Louback...

Fil  -  sp  -  12/11/2008 ~ 14:22
Gabriel Louback é jornalista, gosta de escrever, e ainda acredita que fechando os olhos fica mais forte...

victor  -  sp  -  14/11/2008 ~ 22:22
assim q terminei de ler o texto 'por favor, conversem' pensei: ' sera q ee nunca fica sem criatividade pra bolar essas ultimas frases? pronto, ta ai a resposta.. huehue abraço!

victor  -  sp  -  14/11/2008 ~ 22:24
e outra coisa... como vc empurro o carro segurando um caixa e uma sacola? imaginei algumas posiçoes..mas nenhuma q eu faria em plena augusta com a paulista. x)

Gabriel  -  25/11/2008 ~ 17:55
Fil, genial, vou utilizar essa algum dia! victor, pra vc ter idéia de como foi complicado empurrar o carro. rsrs.

 
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