_participe!
 

cinema  |  comportamento  |  geral  |  literatura  | moda  |   música  |  tv viagem  || blog do editor  |  colunas  |  expediente

 
Tá na pista?

Playlist e line-up a postos! Aqui e lá em Lisboa, DJs dividem o comando da noite com desconhecidos play-pausers

por Rodrigo Saturnino
Correspondente em Lisboa, Portugal

[02/12/2008]

 

 

 

 

 

 

 


 

Dai Any Lies e as pickups.
"É um caso de amor inexplicável"

flyer eletrônico avisava: Spank the Nun Productions apresenta Maria P. & José M. Spinning Vintage, Original and Rare. Sábado, R&B, Soul, Beat and Psych na Gasoiil comThe Hot Pan Club e Guest's DJ's Dai Any Lies e Lucky Lu. Happy Hour até 1h: Imperial 1 Euro.

Dai Any Lies? Guest DJ? Ela, mais conhecida no seu círculo de amizade como Daiane Hinrichsen Lopes, formada em Direito pela Universidade de Coimbra, brasileira de Porto Alegre, está há sete anos em Portugal. Atualmente cursa mestrado em Direito Internacional e Relações Internacionais na Universidade de Lisboa. O que Daiane tem a ver com a agitação da noite de Lisboa?

Longe dos calhamaços da faculdade, prefere ser chamada por Dai Any Lies, nome que adotou depois de descobrir sua ligação com a música. "É um caso de amor inexplicável", explica. A relação de Dai com bandas como The 13th Floor Elevator, April March, Blondie, Buddy Holly, Holly Golightly, Count Five, The Cramps, Billy Childish, entre muitas outras de uma lista também inexplicável, foi um dos motivos para receber um convite inusitado: participar com o club de DJs The Hot Pan durante uma apresentação na Gasoiil, em Lisboa. "Conheci a Maria, do Hot Pan numa festa. Identificamos-nos pelos nossos gostos musicais e depois de ver meu perfil no myspace, ela me chamou para apresentar-me como guest DJ numa festa do club."

Pronto. Primeira noite e primeira vez de Dai nas pistas de Lisboa. Apreensiva? "Muito. Tenho de confessar. Tudo que se faz pela primeira vez na vida causa um nervosismo, mas acho que depois das primeiras músicas tudo flui naturalmente." Na pista do Gasoiil, rock'n'roll, psychobilly, punk, trash, 60's e garage. "Correu tudo bem. Ver as pessoas dançar e cantar a música que escolhi é uma sensação muito boa e fazer uma coisa que se gosta é espetacular", respondeu, aliviada, ao fim da festa.

Em Lisboa, como em qualquer grande metrópole que se preze, a discotecagem reflete a multiculturalidade que a música permite. Aqui, pelo menos, é na noite que este cenário fica mais evidente. A cena musical da noite lisboeta representa o que a Europa tenta ser: um lugar aberto e sem fronteiras de trocas culturais de diferentes experimentações.  Há lugar para profissionais reconhecidos e para desconhecidos iniciantes que arriscam seu playlist e acabam por agradar o jeito eclético de se viver por cá. Ora, pois.

Há lugar para a Finlândia, por exemplo, como o caso do já conhecido músico e DJ, desde os anos 1990 em Portugal, Jari Marjamäki. Yari, no formato DJ, é um artista multifacetado. Sua abordagem de música étnica mixada com diversas variações manipuladas eletronicamente resulta em paisagens sonoras poucos comuns e originais.

Notório também pelo projeto Zentex de música eletrônica, Yari acredita que essa tendência da abertura das pistas para convidados se apresentarem ao lado de DJs é um conceito que contribui para animar as festas, e que não coloca em risco o trabalho dos profissionais, mesmo com a popularização dos softwares de edição e manipulação de áudio.


Yari, do projeto Zentex - ele acha que a abertura das pistas para DJs amadores só contribui para animar ainda mais as festas

Mas todas as pessoas que dominam estes softwares, que conhecem diversas bandas e tem um pen drive para gravar seu mixtape, podem se tornar um DJ, Yari? "Sim, todos podem ser DJs, mas nem todos serão bons DJs. A tecnologia é só uma ferramenta para atingir os objetivos musicais, e requer muito trabalho para primeiro aprender utilizá-la e depois juntar essa utilização à sensibilidade e à criatividade. A música e sua criação sempre foram accessíveis a todos e não vejo como isso mudou com o surgimento da tecnologia. É preciso estudar, ser criativo e ter sensibilidade para conseguir sucesso", esclarece.

A abertura das pistas para guests, segundo Yari, pode ser uma oportunidade de via dupla. Corre-se o risco de novos talentos surgirem além de se tornar uma estratégia para atrair novos públicos e curiosos para assistirem a perfomance do guest. "deejaying é uma arte, e às vezes podem aparecer pessoas que simplesmente possuam qualidades necessárias para se tornarem bons DJs, ainda que sejam a partir de uma estratégia da casa em atrair novos públicos. O que também é válido, afinal os bares precisam encontrar diferentes ferramentas de marketing."

Marketing ou não, esse tipo de festa tornou-se tendência nas pistas contemporâneas e acaba por tornar-se num lugar de encontro de gostos e afinidades musicais, criando mais uma rede social que aposta no desejo do "aspirante" a DJ. Se calhar, há repetições. No caso de Dai, em janeiro, sua participação já está marcada novamente com os The Hot Pan Club.  

_e o brasil acompanha

Em São Paulo, baladas seguem a mesma tendência. A promoter da noite paulistana e DJ Lalai [foto acima] explica que, no Brasil, os produtores/promoters têm abertura, na maioria das vezes, para convidar quem quiser para tocar. "Tem muita gente fazendo música bacana, mas que não tem espaço para tocar porque não conhece as pessoas certas. Por isso, de vez em quando, convido quem não é DJ para tocar com a gente, mas sempre procuro pessoas ligadas à música de alguma forma.

E se a proposta for mais fun? Nesse tipo de festa não há muito comprometimento com a qualidade musical dos sets e, por isso, há mais apostas em non-Djs, por exemplo, pessoas famosas, mas sem relação com a música. "Há festas que sobrevivem disso e os convidados vão para ver o famoso ao vivo, independentemente do que vai tocar", comenta.

Famosos à parte, há casos de sucesso de pessoas que acabaram por seguir a carreira profissional. Um bom exemplo, destaca Lalai, é de Fabrizio Martinelli, guitarrista da banda brasileira Hateen. "O Fabrizio me chamou muita atenção e quando recebi a proposta para fazer a festa Crew, eu o convidei para fazer parte do meu projeto. Hoje ele leva a carreira de DJ a sério e tem tocado muito."

A aposta neste tipo de formato é tamanha que Lalai lançou um concurso para que "aspirantes" a DJ possam mostrar as habilidades musicais na abertura da noite das festas REBEL e Debut, últimas do ano realizadas pelo grupo. Os dez melhores playslists irão à votação pública, para que o vencedor seja escolhido.

A noite, que acontece no dia 19, será dedicada ao electro, indie rock e pop. Para participar, os interessados devem seguir o seguinte roteiro:

1]Montar o playlist no http://www.mixwit.com/ com 15 músicas 
2] Enviar o link do mixtape para 
festarebel@gmail.com, com email/telefone para contato e colocar no assunto: quero ser DJ! 
3] Ter disponibilidade na noite do dia 19 de dezembro 
4] Não ser DJ profissional 
5] Enviar o mixtape até dia 30/11

A organização não paga despesas com locomoção para quem for de fora de São Paulo

_mais info
Lalai.net

   fotos: dai – cristina neto | lalai e zentex – divulgação



 
© Copyright Revista Paradoxo 2003~2008. Todos os direitos reservados