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De segunda a sexta
Como um 11 de setembro às avessas por Gabriel Louback
Nova linha, novo cobrador, novas pessoas, novas histórias. Bater o olho em um determinado estabelecimento e saber em que altura do percurso está: Falta muito? Ainda não sei. Daqui algumas semanas te conto. As mudanças sempre causam alvoroço. Quer você fique angustiado, temeroso, irradiante, empolgado ou revoltado. Não é possível passar indiferente a elas. Na TV, um rapaz jovem e mais moreno do que eu fala a uma multidão. Estudos dizem que daqui a alguns [poucos] anos, a maioria do país desse jovem será de negros, latinos e imigrantes. São novos tempos. Mudanças inevitáveis. Em seu discurso fala sobre "a promessa dada por Deus de que todos somos iguais, todos somos livres e todos merecem uma chance de buscar sua completa medida de felicidade". Na mesa, alguém pede uma Coca Zero, com limão e gelo. O garçom, há anos trabalhando no mesmo lugar, não ouve o que o jovem negro bonito diz a seus conterrâneos. Dizem ser histórico. Dizem ser algo marcante, que vamos contar a nossos filhos. "Eu me lembro". Como um 11 de setembro às avessas, uma vitória na Copa [ainda que no mundo político]. O garçom apenas serve as mesas e espera ir embora para casa. Como todos os dias. De segunda a sexta. *Gabriel Louback é jornalista e prefere ser essa metamorfose ambulante.
Juliana Ricci - São Paulo - 21/01/2009 ~ 18:52
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