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Little Joy - turnê, sombra e água fresca
Aproveitando o verão brasileiro, o músico Rodrigo Amarante mostra para os fãs o resultado de um produtivo ano sabático por Rodrigo Édipo
Ano sabático é um tempo definido por uma pessoa [normalmente um ano], para que ela se livre dos compromissos profissionais, descanse a mente, renove o espírito e remonte uma nova rotina libertando-se de um cotidiano já engessado. Na verdade, uma necessidade íntima que dialoga com uma vontade de realizar um projeto pessoal. No começo do mês de fevereiro – aqui no Brasil –, tivemos o privilégio de acompanhar de perto o projeto Little Joy, fruto de um “shabat” do músico carioca Rodrigo Amarante [Los Hermanos], o também brasileiro Fabrizio Moretti [The Strokes] e a ex-anônima Binki Shapiro. _04/07 Nesse meio tempo, nosso ilustre sabático de nome Rodrigo opta por perambular pelos Estados Unidos. Longe dos holofotes e com uma sede desértica pelo underground, ele mochilou por aí. Andarilho, auto-reconhecido como liso [como bem disse em entrevista], o músico buscou novas amizades, morou de favor em algumas casas, buscou a liberdade. Mesmo assim, a internet dizia que ele tava era metido com gente hype e descolada. Fazendo até show. Ou seja, as boas novas já estavam sendo esperadas. Nem demorou tanto. _fabrizio moretti Pois bem, nada disso. Ali se encontrava o puro deleite da arte: a criação. Talvez um se amostrando pro outro [como diz em Recife], um duelo saudável que muitas vezes a vaidade tem o privilégio de estragar. Assim surgiu No One’s Better Sake; Keep in Mind, With Strangers etc. _o rebento Mas como um bom sabático que se preza, o desafio é a libido. Optaram por fazer seus primeiros shows em um esquema low budget. Montando e desmontando equipamento, viajando de carro, tocando em pubs pra 40 pagantes etc. Aí vão dizer que é marketing dos bons. Sei não. Só sei que foi assim.
Dizem que no ano sabático, a pessoa não o preenche necessariamente longe de casa. Para corroborar com essa tese, Amarante voltou ao Brasil pra mostrar sua nova face. Sorridente e brincalhão como nunca mais. A turnê do 4 – diga-se de passagem – foi bem arrastada e desmotivante, discorda? Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Rio, Vitória e Recife foram as cidades privilegiadas. Shows curtos [muito curtos!], porém com um energia diferente. Essa foi a grande sacada da turnê. Todos muito à vontade no palco, sarcasmo na medida, improviso no curso dos fatos. Último Romance cantada em uníssono para um desconcertado Amarante depois de brincadeira promovida por Moretti. Palco lotado de fãs alucinados em Recife gritando e sendo pisoteados ao som de Brand New Star. Esses dois momentos simbolizaram esse conceito descompromissado e honesto que se tornou o Little Joy. Nada muito forçado, pura motivação. Porém as férias não duram pra sempre, chegou a hora do compromisso. Ainda bem que não deu tempo de caírem na rotina... salvos pelo gongo! foto: divulgação
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