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Arte provisória

Movimento em Lisboa tenta valorizar a arte de rua e diferenciá-la do vandalismo

por Rodrigo Saturnino
Correspondente em Lisboa, Portugal

[24/03/2009]

Andar pelas ruas do bairro mais freqüentado da cidade de Lisboa, o Bairro Alto, com um mapa e um MP3 player na mão. Esta é a proposta do Museu do Efémero, um museu a céu aberto criado pela equipe da agencia Leo Burnett e a Fundação Pampero com o objetivo de destacar os melhores da street art com expressão em Portugal.

A região, que reúne a diversidade cultural da cidade nos bares, lojas, restaurantes e nos “trendy’s” que circulam pelas ruas, agora recebe também destaque ao imaginário social da contra-cultura da arte de rua.

Longe de creditar valor à infinitude de “tags” que, em muitos casos, contribui para aumentar a poluição visual do bairro, a proposta do museu é destacar trabalhos de artistas que trabalham com conceitos e técnicas variadas, como, por exemplo, Jef Aerosol, Dolk, Pobel, TheWalters, Quill, Skran, Colectivo Bitmap e Efeito Magenta, entre outros que utilizaram as ruas de Lisboa para suas criações.

Talvez, algumas das obras mais interessante do Museu do Efêmero sejam as do artista norueguês conhecido com DOLK. Ao utilizar a técnica do stencil sobre papel, o artista procura representar a crítica social por meio de figuras humanas e animais com intensa expressão artística. Aparentemente lembra o popular londrino Banksy, que também procura representar o cotidiano da cidade nas suas peças. Entretanto, o trabalho de DOLK apresenta suas particularidades ao misturar realidade com um mundo que vive a ‘surrealidade’. Em Lisboa, o artista apresenta nas ruas do Bairro Alto quatro de suas criações. Para ver algumas obras de DOLK, clique aqui.

_bairro polêmico
Mas o Bairro Alto respira não só cultura. Respira também polêmicas. E uma delas, é a ação da Prefeitura Municipal contra o vandalismo feito por inúmeros grafittis que, certamente, não poupará as obras do acervo do Museu do Efêmero.

A operação de “limpeza” já está em execução nas ruas do bairro. A população foi convocada pela prefeitura a fazer parte do mutirão, incentivada a limpar os muros e fachadas com a distribuição de “kits de limpeza” que incluem um rolo de pintura, um tabuleiro para tinta, óculos de proteção, luvas, e líquido removedor de tinta.

A publicitária Inês Almeida, da agência Leo Burnett, explica que desde o início do projeto já estava prevista a limpeza do Bairro Alto e que esse fator contribuiu para criar uma ação de visibilidade para algumas obras que são dignas de nota.

“Nem tudo o que se encontra na rua é lixo/poluição visual e essa foi a afirmação que quisemos fazer, pois é possível criar essa distinção e encontrar verdadeiros exemplos de obras de arte. Portugal ainda não está nessa etapa, mas em outros países existem casos em que se um determinado artista pinta numa determinada zona, o preço dos imóveis dispara. Temos com o exemplo a Inglaterra, onde paredes de casas foram pintadas por Banksy, casas essas que se valorizaram comercialmente pelo valor do artista e das obras que representa”, explica.

Nesse caso, como ficarão as obras que se misturam com o vandalismo dos grafittis?  Um dos responsáveis pela criação do Museu do Efêmero, o publicitário Juan Pablo Christmann não vê a ação da prefeitura como algo ameaçador, já que a idéia do museu está explicita no próprio nome que leva. “Sabemos que cerca de 50% das obras já foram apagadas, mas quando uma obra desaparece, outra pode nascer no lugar e isso faz do Museu um lugar vivo que cresce e se modifica todos os dias”, comenta.

_pela vizinhança
A idéia, que nasceu no Bairro Alto, atualmente se estendeu e já conta com mais duas galerias de arte para o grafitti, apoiadas desta vez pela Prefeitura Municipal, instaladas no Bairro São Bento e no Amoreiras, locais considerados como o ‘Hall da Fama’ da street art em Lisboa. O projeto se alarga até Londres, Barcelona e Berlim, onde novas galerias também estão planejadas.

A Pampero Fundación e faz parte da campanha para rum Pampero[uma marca venezuelana de rum, pertencente ao grupo Diageo] e foi realizado pela agência de publicidade Leo Burnett Lisboa, baseado em investigação e trabalho de campo do Movimento Acorda Lisboa.

A visita ao “acervo” do Museu é realizada com a ajuda de um mapa e audioguia que o visitante deve imprimir e fazer o download, respectivamente, para desfrutar do percurso proposto pelos organizadores do circuito.

Os textos do audioguia foram gravados em português, inglês e alemão. Ao lado das peças estão coladas cartazes que identificam as obras com o título, o nome do artista e o número correspondente no roteiro áudio.

    fotos: divulgação



 
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