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Dogville

Um filme polêmico de um diretor polêmico

por Rafael Gaino
de San Francisco-CA
[31/01/2004]

Existem, a grosso modo, dois tipos de cinema: o de entretenimento e o provocativo. O primeiro é o que movimenta milhões, atrai as massas e encerra-se com os créditos. O segundo costuma levar às salas um público menor, causa certo estranhamento, costuma contar com orçamento baixo e provoca discussões que se prolongam ao término do filme.

Dogville, último filme do polêmico diretor dinamarquês Lars Von Trier, não se encaixa perfeitamente em nenhum modelo. Primeiro, conta com um elenco dispendioso, como Paul Bettany e a caríssima Nicole Kidman. Teve divulgação barulhenta na mídia e foi a sensação da 27ª Mostra BR de Cinema, lotando todas as sessões. Por outro lado, é alternativo ao extremo. Não é de se espantar que várias pessoas abandonem a sala logo na primeira hora, afinal já na primeira cena o filme anuncia que divide-se em nove capítulos e um prólogo, e vemos que praticamente não há cenário pomposo, apenas alguns itens decorativos, como um palco de teatro. Ao invés de paredes, vemos riscos no chão delimitando as casas e nomeando os poucos personagens. O cachorro é apenas um desenho e as portas não existem, apenas o som que fariam.

Não há outro recurso senão os atores, todos em um ótimo momento. Nicole Kidman, como Grace, consegue ser linda e excelente, transborda qualidade, é irretocável. O resto do elenco consegue provocar a ira da platéia, antagonizada pela passividade de Grace diante do abuso da cidade. E a cidade, Dogville, é o microcosmo que, dizem alguns, representa para o diretor os Estados Unidos, país que ele não gosta, não conhece e nem pretende conhecer. A cidade possui apenas uma rua, Elm Street (lembra de A Hora do Pesadelo? Então...) e poucos habitantes. A polícia realiza apenas pequenas passagens esporádicas e a lei da cidade é a vontade dos cidadãos, representados pelo líder intelectual Tom. E são essas regras que ditam que Grace, a visitante que procura um esconderijo, deve pagar o favor trabalhando para a cidade, trabalho esse que acaba por se tornar uma cruel escravidão. A moral é distorcida em prol da vontade do povo. É um mundo à parte, com pessoas calejadas e recheadas de sentimentos ruins, fraquezas e um egoísmo exacerbado, levado às últimas consequências - isso pode ser um tapa na cara de quem a carapuça servir.

Dogville é apenas o primeiro de uma trilogia (de novo?) onde o diretor pretende desfiar tudo de ruim que pensa sobre os Estados Unidos. Vamos esperar para ver, Nicole Kidman já anunciou que não participará da segunda parte, já intitulada Manderlay.



Aline  -  02/02/2004 ~ 12:03
O filme é otimo, e o final de chorar!

Tako X  -  Curitiba  -  17/02/2004 ~ 14:00
Fantastico este filme! Assisti ontem e nem percebi as 3 horas passarem.... narrativa pura, teatro filmado sim, mas com ohos de cineasta que sabe o que está fazendo. Sem falar na escarrada na cara dos EUA, de maneira sutil e ironica.... nota 10!!!!!

 
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