Quando se tem 1,90m de altura, achar o lugar ideal no ônibus envolve toda uma técnica. Sentei na cadeira bem ao lado do cobrador e as duas amigas sentaram atrás de mim.
Estava cansado de ouvir meus pensamentos e quis variar um pouco. Peguei a conversa nessa fase:
- O médico pediu para ela sentar. Pegou os exames e perguntou se ela tinha o telefone do namorado, fixo e celular, pois precisava falar com ele. Ela não estava entendendo nada e entrou a polícia no consultório.
- Polícia?!
- É, menina! Calma, que isso é o de menos... O médico perguntou de novo sobre os telefones, dessa vez com os policiais dizendo que aquilo era extremamente necesário. Eles explicaram: "Os exames acusaram uma bactéria na senhora, mas uma bactéria diferente. Esse tipo de bactéria só é encontrada em pessoas mortas."
- Que? Como assim?!
- Calma, menina... Isso não é nada. Na hora ela deu o telefone e endereço do namorado. A polícia foi lá e invadiu a casa. Descobriram dois corpos guardados lá. Ele tinha matado essas duas pessoas... duas mulheres.
- Meu Jesus!!
- Menina, ele não só matou aquelas duas pessoas, como deu depoimento que ela era a próxima. Ele já estava planejando como e quando iria matá-la!
- Nossa, morri!
- Imagina minha mãe!! Chegou em casa tremendo, chorando. Quase descontrolada, tadinha.
- Caramba. Que surreal.
- Demais...
...
...
- E a Virgínia, que foi pega colando na prova?
- Mentira!
foto: oscar segovia
*Gabriel Louback é jornalista e curioso.