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Por que as mulheres vão juntas ao banheiro?
Seria a 'Loira do Banheiro' [ou 'Mulher de Algodão'] um dos motivos?! por Lia Amancio
Há coisas que aprendemos na infância que ficam para sempre. A não enfiar o dedo na tomada, por exemplo. A escovar os dentes ao acordar, depois do almoço e antes de dormir. E a ir ao banheiro acompanhada da amiguinha, muito antes de sabermos o que é privacidade para fofocar sobre o gatinho da mesa ao lado, insegurança fashion do tipo "amiga, vê pra mim se tá marcando?" ou ainda a maldição das portas de banheiro de boteco que insistem em não fechar. Neste caso, a amiga tem função dramática real na cena. Na maioria das vezes, não precisamos de ajuda. Afinal, de onde vem o hábito nonsense de ir ao banheiro acompanhada de uma amiga? Resquício da época em que precisávamos de ajuda para fechar o espartilho? E nós, mulheres contemporâneas e adeptas de roupas confortáveis? Como caímos nessa cilada? Tenho uma lembrança remota dos tempos de escola. Devia ter uns 8 anos quando, apertada para fazer xixi, corri apressada para o toalete feminino, diante da expressão incrédula da coleguinha: - Você vai sozinha ao banheiro? A coleguinha explicou que a loira assombrava os banheiros femininos das escolas porque sua filha, anos atrás, havia sido morta num banheiro de escola. Me pareceu completamente desprovido de lógica que, depois dessa, um fantasma assombrasse os banheiros de meninas e não os autores do crime, o que faria muito mais sentido, mas parece que há várias versões da lenda. Em algumas versões, ela precisa ser conjurada pelo espelho ou até mesmo pela descarga. Talvez ela fosse uma aluna da escola que matava aula e morreu batendo com a cabeça na pia, o que faz muito mais sentido – mas se a loira é uma mulher bonitona, de batom vermelho e unhas combinando, tem certeza de que ela era aluna? Existe também a versão de que ela seria uma professora da escola, apaixonada por um aluno e morta pelo marido, o que torna a história verossímil enquanto lenda, já que pune o mau comportamento da protagonista. Há quem diga que a loira pune as meninas que vão ao banheiro em horário de aula, o que não tem a menor relação com o crime passional que transformou a pobre professorinha em assombração. Mas e daí? O importante era não ir ao banheiro sozinha. Não que duas meninas de 8 anos saberiam se defender de um fantasma ávido por vingança, mas em se tratando de seres de outro mundo, se você não acreditar nem pensar nela, ela não existe. Daí a conversinha fiada, os comentários sobre o gatinho que senta perto da janela, a questão da prova de matemática. Quando a garota vê, transformou a ida coletiva ao banheiro num hábito, condicionado por anos e anos de lendas urbanas na escola. A loira do banheiro, hoje, tem outra cara. Se bobear, ainda ameaça mocinhas solitárias que só queriam fazer xixi. Mas depois de ler uma notícia no jornal O Globo, em especial o parágrafo em que alunas da Universidade Federal do Rio de Janeiro dizem que só vão ao banheiro em grupo por conta da falta de segurança, começo a acreditar que lendas urbanas têm um fundo, bem fundo, de verdade – outros ataques a banheiros femininos, quem sabe? São várias as histórias de câmeras instaladas por voyeurs, além de rapazes observando moças em basculantes estratégicos [uma das duas moças sempre pode botar o casaco na frente enquanto a outra faz o que tem que fazer, hã?]. Já em caso de ataque armado, talvez o grupo faça mais sentido que uma dupla – em grupo, uma sempre pode correr e pedir ajuda. Prefiro acreditar que o ser humano não é tão sórdido assim. Prefiro acreditar na hipótese da loira.
ilustração: fabio rex
Isa Ramos - Porto Feliz - 19/05/2009 ~ 13:47
Além - 31/07/2009 ~ 20:32
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