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Obama é brasileiro

Rio 2016 - o favoritismo brasileiro, 'Barack Rambo' e relações políticas

por Daniel Xavier
de Atlanta, EUA
[06/10/2009]

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Barack Obama embarcou no Air Force One para Copenhague já conformado com a vitória brasileira. É verdade que acreditava que sua estrela – e só ela – poderia surpreender o favoritismo do Brasil mas Obama não é bobo. Ele não lê os jornais brasileiros. Está ciente da importância exponencial que a nossa banana republic assumiu na nova ordem mundial que toma forma neste momento. Sorry, periferia, o Brasil é vanguarda da política mundial. E política pesa nas decisões do COI, vide as olimpíadas na China.

Obama também estava consciente de outra qualidade da candidatura do Rio: o carisma do nosso povo. E isso ele conhece na pele - um grande brother seu é brasileiro. Presidente do Brasil, mais precisamente. Inclusive, foi esse brother quem botou pilha para o Obama dar uma passada em Copenhague.

O presidente americano não ia, à princípio, e sua ausência seria totalmente justificada. Ele está como o Stallone em Rambo II, mergulhado em merda de porco até o nariz. Tem só a crise econômica internacional, a paz mundial e a sobrevivência da espécie humana sob sua responsabilidade. Além disso, nenhum presidente americano nunca se deu ao trabalho de ir à uma votação do COI e, ainda assim, os EUA já realizaram os jogos quatro vezes – uma delas aqui em Atlanta. A América do Sul nunca teve vez.

Quer mais motivos para que Obama não tivesse feito a viagem? Quase metade dos moradores de Chicago não queriam os jogos lá: acham que os EUA estão com problemas maiores para se preocupar. Mais um: a cidade, violenta para os padrões norte-americanos, foi manchete a semana toda com um vídeo onde um jovem é espancado até a morte – e violência era um dos quesitos que poderia derrubar o Rio.

Mesmo assim, Obama foi para Copenhague. Foi porque se ele vai, criticam; se ele não vai, criticam também. Foi porque devia este esforço à Chicago, seu berço político, que tanto o apoiou. Foi porque seria o único chefe de estado ausente na cerimônia, como o pai que não vai à competição do filho – e Obama é um excelente pai. Foi porque tem espírito esportivo.

Entrou em campo como a seleção americana de futebol quando enfrenta o Brasil: esperançoso por uma surpresa mas consciente da superioridade canarinha. O que ninguém esperava, porém, foi a eliminação já na primeira rodada. Isso sim foi chocante para os americanos. Obama fazia o vôo de volta quando recebeu a notícia. E, então, eram dois todo-poderosos no céu torcendo para o Brasil.



 
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