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Era um detalhe

por Gabriel Louback
de São Paulo

[20/10/2009]

Já percebeu que quando você compra aquele tênis vermelho, começa a reparar o quanto de gente usa tênis vermelho? Ou quando você viaja para algum lugar e depois percebe o quanto se fala nele? Quando a gente casa não é diferente. Você começa a prestar atenção nas conversas ao seu lado e se dá conta do quanto as pessoas falam sobre seus casamentos.

Estava comendo em uma praça de alimentação e as duas amigas ao meu lado conversavam. Uma delas reclamava alguma coisa de seu companheiro / namorado / noivo / marido. Era um detalhe, mas não deixa de ser algo muito comum de acontecer.

O que reparei é o costume que há em se reclamar do seu cônjuge. Seja um casal hetero ou homossexual. Parece que a aliança na mão esquerda não é o suficiente para mostrar que a pessoa está em um relacionamento de casamento, ou nos moldes dele.

Muito já foi dito sobre a crise da família, como instituição e tudo mais. Não há uma causa. Não há um motivo único a ser acusado. Mas tenho visto [e aprendido] que algumas coisas contribuem para enfraquecer esses relacionamentos.

Um deles é a falta de cumplicidade que há entre os casais. Alguém certa vez me disse que a cumplicidade era algo a ser buscado por aqueles que queriam ter um relacionamento completo, com todas as suas vantagens e desvantagens. Uma mistura de Bonnie & Clyde com Lois & Clark. Assumi isso como uma coisa a ser exercitada constantemente.

Claro que, justamente por isso, não é algo fácil. A cultura de 'homens x mulheres' é muito forte. Quantas vezes você não viu uma guria dizer "Bah, eles não prestam... estou do seu lado, amiga"? Parece que as mulheres são eternas inimigas dos homens e que nós somos um vírus a ser combatido. Eu, por exemplo, me proibi de participar de jogos do tipo Imagem & Ação, com times de 'homens x mulheres'. Perco o controle.

Acredito ser necessária a consciência de que a pessoa que mora comigo não é minha inimiga. É minha cúmplice. Se estamos na lama, estamos na lama juntos. Se estamos no caos, estamos no caos juntos. Se estamos vencendo, vencemos juntos. A pessoa que vive comigo é a que mais preciso ao meu lado, me apoiando e me lembrando das coisas que valhem a pena. Proponho que baixemos a guarda, assumamos a decisão de partilharmos nossa vida ao lado de alguém e sejamos cúmplices, um do outro.

O jogo 'homens x mulheres' é uma enganação, uma ilusão. Quando se decide viver com alguém, só existe "Nós x O Resto do Mundo".

*Gabriel Louback é jornalista e, nas horas vagas, conselheiro amoroso.



Rafael Campos  -  Teresina  -  20/10/2009 ~ 20:49
Quando se decide viver com alguém, só existe "Nós x O Resto do Mundo". Adoro esse time.

Jones  -  SP  -  21/10/2009 ~ 10:47
muito bom e maduro o texto; realmente o jogo perde-ganha não ajuda na caminhada....

Marina  -  21/10/2009 ~ 17:50
ótimo texto gá! to aprendendo tb...

zan  -  floirianópolis  -  22/10/2009 ~ 15:39
É isso aí, uma relação a dois não deve ser um jogo de tenis onde um quer derrotar o outro,e sim uma longa partida de frescobol...

Rebiscoito  -  São Paulo  -  27/10/2009 ~ 11:12
Na real, a verdade toda do universo é que quando algo se torna algo 'perfeito' a gente odeia. As mulheres [e homens tb] estão sempre reclamando de seus parceiros, dos defeitos, atitudes, manias, tudo mas...Alguém me mostra a graça de estar com alguém perfeito? A graça de amar alguém é sentir falta até dos defeitos da pessoa. A gente reclama reclama reclama e quando perde, chegamos a sentir falta até daquela brincadeira idiota que a pessoa fazia e a gente odiava. Estando junto ou não, nunca estaremos satisfeitos e acho q essa é a graça da vida. [ai, que bonito!]

 
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