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Quando?

Sem respostas, perguntas são apenas sopros quentes no ar gelado

por Bruno Reis
de Vila Velha - ES

[16/12/2009]

Quando foi que você parou de se importar? Quando decidiu não mais se envolver, não participar, fingir que nada aconteceu e seguir com a sua vida sem sobressaltos? Quando foi que você parou de ter vontade de me ver? Quando deixou de sentir vontade de falar comigo a todo momento, de mandar mensagens com pouco ou nenhum sentido, apenas para que eu pudesse responder e iniciar um diálogo que se alongaria pelo dia todo?

Não temos nada. Nunca fomos casados, noivos, nunca sequer fomos namorados. Não nos conhecemos a fundo, não fomos apresentados aos familiares um do outro, mal conhecemos os amigos do outro lado. Às vezes esqueço até mesmo o seu sobrenome – como neste momento, por exemplo. Não temos nem nunca tivemos compromisso algum. Fisicamente, chegamos no máximo a alguns beijos escondidos embaixo de alguma árvore de copa alargada, à revelia das insistentes luzes dos postes, observando com desconfiança os ciclistas que passavam a todo momento. E foi isso.

Não me sinto no direito de te pedir nada, nem de cobrar qualquer coisa, mas não consigo fugir à obviedade da fraqueza (e da franqueza) masculina de perguntar por que paramos pelo meio do caminho. Quando foi que perdemos o viço, quando exatamente a cola que nos unia perdeu a liga, quando as tábuas que formavam nossa ponte se tornaram frágeis demais para suportar o nosso peso? Agora estamos aqui, você do lado de lá, eu do lado de cá, e nada no meio. Não sinto nem o rastro daquela força que nos guiava em direção ao outro. Aonde isso foi parar?

Tenho passado dias a fio procurando as respostas para essas dúvidas, mas o máximo que consigo são novos questionamentos. No meio de tanta interrogação, tonto e com os olhos marejados, reuni tudo para chegar finalmente a apenas uma pergunta, aquela que responderia todas as outras: quando foi que eu deixei de ser alguém para você?

 

*Bruno Reis é publicitário por formação, escritor por paixão e teimoso por falta de opção. Quer saber quando vai poder ter você de volta, ainda que na verdade nunca a tenha tido.



Lori  -  Vitória  -  16/12/2009 ~ 01:48
Fiquei tão angustiada,o tempo todo enquanto lia.Pensava no tanto que é perdido e nem é percebido. Tive lembranças, doloridas, mas agradeço viu.

Iza  -  VV  -  16/12/2009 ~ 10:20
Uau!!!

Carol  -  16/12/2009 ~ 22:40
Me fez lembrar do Bruno R. de 2007... =)

dani  -  sp  -  17/12/2009 ~ 15:49
nossa, muito muito muito bom!

Polly  -  Realeza  -  17/12/2009 ~ 16:54
Eee Bruno, o mesmo questionamento passa em minha cabeça...! Quando. O pior é a gente descobrir que tem culpa... Ótimo texto!

Nathaly  -  Luziânia - GO  -  17/12/2009 ~ 21:43
É, boa pergunta. Mas a resposta sempre vai ser desagradável. Me faço esse mesmo questionamento diariamente. Só me resta chorar...

 
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