
“Agora, nos chamaremos Confraria da Costa”. Foi assim, sem mais premissas, no meio de um show, que Ivan Halfon enterrou sua antiga banda. No exato momento em que lançava seu primeiro disco. Após uma década de vida e com um público cativo fora do mainstream, o Gato Preto, como no conto de Edgar Allan Poe, simplesmente deixou de existir e se transformou na Confraria da Costa. Segundo Ivan, o vocalista da banda, um nome mais apropriado ao som que eles fazem hoje. “O verdadeiro rock do século XVI”.
Esta definição quase exata do som dos curitibanos do Confraria da Costa, surgiu há pouco tempo, quando a banda finalizava seu álbum de estréia. “Nós estávamos finalizando uma música, quando alguém entrou na sala e perguntou que som era aquele. A definição foi: Esse é o som que os piratas fariam, se tivessem guitarras!" – conta Ivan Halfon.
Também pudera, o som da Confraria hoje, não lembra em quase nada aquele feito pelo Gato Preto há 10 anos. “Começamos a tocar juntos em 1999. O som era algo tipo um blues pesado com uns toques de rock progressivo.” - lembra Ivan. Segundo ele, só mesmo por volta de 2003 é que a sonoridade do extinto Gato Preto passou a ter alguma similaridade com este que é feito pela Confraria atualmente.
A banda ainda passaria por mais uma mudança em 2007, quando entraram o baterista Abdul, o violonista Jan e Pantaleoni assumiu o baixo. Foi então que o grupo resolveu levar a fundo a carreira autoral e abandonar as performances recheadas de covers. “Nós devíamos ter mudado o nome da banda aí, mas acho que nem pensamos nisso.” - admite o vocalista.
Então, a mudança só veio com o álbum de estréia, no início de 2010. “Com o lançamento do primeiro disco, nos demos conta que se não mudássemos agora, não poderíamos mudar mais.” E o novo nome Confraria dos Irmãos da Costa, ou simplesmente Confraria da Costa, é uma homenagem aos piratas do século XVI, pois é assim que eles se chamavam entre si.
Para Ivan, esse nome caiu como uma luva, posto que além do Rock n´ Roll, as outras influências do grupo remetem a esse universo de marujos e piratas. “Nós gostamos muito de música cigana, polkas, csárdás, que é um tipo de dança húngara, música de cabaré e etc”
Mas para que o foco no Rock não fosse perdido, o produtor escolhido para o debute da banda foi Ricardo Moura, que produziu bandas como Faichecleres e Relespública. “Nós achamos interessante ter apenas pessoas ligadas ao rock fazendo um disco de polkas, tarantas e afins”, justifica Ivan.
Lançado no início de janeiro, o disco homônimo da banda, ainda não tem uma estratégia de distribuição bem definida, como conta Ivan: “Gostaríamos de lançá-lo através de algum selo, no futuro. De qualquer forma, ele já está disponível em nosso myspace, tramavirtual, etc.”
Mas uma coisa é certa, ao contrário do famoso conto de Edgar Allan Poe - em que o Gato Preto, após ser morto, volta e muda totalmente a história - o antigo nome da banda não deverá ser ressuscitado. “Ainda não terminamos de emparedá-lo, como no conto, mas com a formação atual [o antigo nome] não faria sentido, serviria apenas pra gerar mais confusão do que já estamos gerando. Nós estamos empolgados com essa mudança, não pretendemos voltar atrás não.” - finaliza Ivan.